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Artigos / Colunas / Gustavo de Oliveira

06/05/2024 às 13:20

Estamos preparados?

Temos assistido nos últimos meses diversos eventos climáticos extremos no Brasil. Enquanto na região Norte e no Brasil Central temos menos chuvas do que o habitual, o Sul do país segue sendo castigado por chuvas torrenciais, em uma intensidade absurdamente maior do que o padrão esperado. Mas quais seriam as reais causas dessas anomalias climáticas? E quais medidas precisam ser tomadas para que nos preparemos melhor para elas?
 
Primeiro, falando das causas, é fundamental escutarmos a ciência. Mas não me refiro àquela ciência instantânea, dos especialistas de redes sociais, que atribuem qualquer evento incomum a uma teoria conspiratória contra este ou aquele setor da economia. Meu foco é conhecer o que pensam os reais especialistas no assunto: meteorologistas, estudiosos do clima global e cientistas que, por meio de fatos e dados, levantam hipóteses e as testam de maneira válida.
 
Pois bem, segundo a média das opiniões dos (reais) especialistas, o El Nino pode ser uma das causas dos eventos extremos. Com a alteração dos padrões de circulação atmosférica sobre o Pacífico, o El Niño desencadeia mudanças na distribuição de umidade e nas temperaturas em diversas partes do globo. No Brasil, ele provoca períodos prolongados de seca nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sul resulta em chuvas intensas e abundantes. Há ainda claros efeitos sobre outras regiões do planeta, documentados e evidenciados cientificamente.
 
É fato que o fenômeno está presente em 2024 com grande intensidade, gerando perturbações nos índices pluviométricos e alterando a média das temperaturas registradas pelo país afora, com ondas de calor históricas.
 
São fenômenos naturais que têm consequências práticas na vida cotidiana de todos nós, e precisamos nos preparar para enfrentá-los. Seguem, portanto, alguns aprendizados mundiais que podem ser úteis para nossas autoridades.
 
Primeiro, é necessário um sistema de saúde pública equipado para combater os efeitos desses fenômenos sobre a saúde da população. Vacinas no tempo certo para síndromes respiratórias, doenças tropicais e enfermidades que comprovadamente são influenciadas pelo clima. Também precisamos compreender que grupos de maior risco, como idosos e crianças, devem ser monitorados com maior frequência durante os dias mais quentes ou mais úmidos.
 
No campo da inteligência territorial, sistemas mais preparados para combater incêndios urbanos e florestais, principalmente, com equipamentos adequados, brigadistas e bombeiros treinados e um sistema de redução de danos aos biomas mais afetados como, por exemplo, nosso Pantanal. Viveiros para nutrição e tratamentos de animais em locais estratégicos, bancos de sementes de espécies vegetais mais afetadas e um sistema de monitoramento de temperaturas e direção de ventos podem ser de imensa utilidade.
 
E, por fim, um sistema nacional efetivo e integrado de respostas a desastres que mobilize equipamentos, mantimentos, hospitais de campanha, alojamentos de rápida instalação e uma cadeia de suprimentos humanitários de emergência que alivie o sofrimento das pessoas mais impactadas pelos desastres de maneira mais célere e eficaz.
 
Os especialistas avisaram que teremos, em 2024, outro período de estiagem severa em Mato Grosso, com consequências conhecidas para regiões como a do Pantanal e nossas florestas. A questão que se coloca é: dessa vez estaremos mais preparados para o que é previsível?

Gustavo de Oliveira

Gustavo de Oliveira
é empresário e Presidente do Movimento Mato Grosso Competitivo
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