Cuiabá, domingo, 07/12/2025
11:42:16
Dólar: 5,44
Euro: 6,16
informe o texto

Artigos / Colunas / Paulinho do Hipismo

22/11/2025 às 10:21

A prisão de Bolsonaro e a inércia que destrói o Brasil

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada hoje pelo Supremo Tribunal Federal, o “famoso” STF, tornou-se mais uma peça do crescente sentimento de que o Brasil vive sob a força de um único poder dominante, capaz de agir acima de qualquer controle externo. O episódio de hoje apenas reforça a percepção de que o tribunal deixou de ser guardião da Constituição, para assumir um protagonismo político agressivo, seletivo e cada vez mais absoluto, adotando o comportamento de verdadeiras “divas” do mundo artístico.

A ordem de prisão, assinada monocraticamente, mais uma vez, veio acompanhada de justificativas que alguns veem como frágeis, mas que abriram caminho para uma ação fulminante da Polícia Federal, que, para muitos críticos, já não parece uma instituição de Estado, mas sim, um braço operacional da vontade de certos ministros, e por “certos ministros”, leia-se “Alexandre de Moraes”. A velocidade da operação e o momento escolhido, alimentam a suspeita/certeza, de que o tribunal age com rigor extremo quando o alvo é um adversário político, enquanto outros personagens desfrutam de benevolência ou silêncio conveniente.

A narrativa oficial diz que a medida é necessária para “proteger a democracia”. Mas essa justificativa, repetida em cada ação controversa, começa a soar como um mantra pronto, usado para blindar qualquer abuso e transformar questionamento em crime. Uma democracia que precisa prender críticos para se manter de pé não é democracia, é medo disfarçado de virtude.

A seletividade está tão escancarada que nem é mais contestada. Quando a lei muda de intensidade conforme a identidade do investigado, ela deixa de ser lei para se tornar arma. E a arma, neste momento, está concentrada nas mãos de quem julga, investiga e pune com liberdade quase absoluta. Para os críticos, não existe mais equilíbrio, existe uma hierarquia de poder em que a toga reina sozinha, e o resto do país apenas obedece.

O episódio de hoje deixou o ambiente político ainda mais sufocado, mais oprimido. Parlamentares temem retaliação. Cidadãos têm medo de opinar.  E agora, com a prisão de Jair Bolsonaro, antes mesmo do trânsito final de todas as discussões judiciais, o recado fica ainda mais claro: ninguém está a salvo da interpretação expansiva e livre de um único poder que não admite contestação.

Nada ameaça mais a democracia do que um tribunal que age como soberano. A prisão de Bolsonaro, para uns é justa, para outros arbitrária, expõe algo maior que a figura dele, expõe o desequilíbrio institucional que cresce dia após dia, sem resistência, sem freios e sem transparência. O problema não é “quem foi preso”, mas sim, “como foi preso”, e quem pode ser o próximo. Se o país não recuperar o equilíbrio entre os Poderes, a história cobrará caro essa omissão. Hoje foi Bolsonaro. Amanhã, ninguém sabe.

Paulinho do Hipismo

Paulinho do Hipismo
é empresário em Mato Grosso 
ver artigos
 
Sitevip Internet