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Artigos / Colunas / Bruno de Jesus Andrade

17/07/2020 às 14:58

Bem-estar animal está no dia-a-dia da produção de carne

É preciso termos uma conversa mais séria sobre bem-estar animal. Não basta garantirmos nutrição e sanidade aos animais, mas disseminarmos a ideia de que se trata de um protocolo real de ações, que envolvem os proprietários rurais, seus colaboradores, transportadores e a indústria frigorífica, subsidiadas por pesquisas e estudos sobre o tema.

Temos, sim, avançado na conscientização de que o bem-estar animal vai além de questões como realizar suplementação correta ou manter vacinas em dia. Já avaliamos uso de sombreamento, seleção de animais por temperamento e condições das estruturas físicas na propriedade por onde circulam os animais, para que sejam bem manejados e protegidos de ambientes inadequados e extremos em temperatura, sujeira, umidade e estresse.

Sabemos, por exemplo, que a própria presença humana, em alguns casos, pode intensificar situações deletérias ao estado de bem-estar do bovino. O que requer muita sensibilidade por parte dos profissionais envolvidos e torna fundamental garantir a devida qualificação dos funcionários responsáveis pelo manejo diário. Profissionais bem treinados, cientes do comportamento dos animais, terão maior cuidado ao trabalhar com as diferentes categorias.

O domínio de técnicas de manejo racional assegura uma boa qualidade de vida aos animais durante todo o período de criação. Além disso, melhora indicadores zootécnicos e confere maior rendimento ao trabalho rotineiro dos colaboradores.

Existem inúmeras formas de avaliarmos se um bovino está em bem-estar ou não, seja por indicadores fisiológicos, clínicos (dor, doenças e injúrias) ou comportamentais. Garantir que os animais não tenham fome ou sede, que estejam livres de desconforto, que tenham liberdade para expressar seus comportamentos naturais, além de estarem livres de sentirem medo ou estresse, são condições básicas para que tenham uma boa vida e performance produtiva.

O Brasil – bem como Mato Grosso, detentor do maior rebanho de bovinos do País – é signatário da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e segue as orientações da entidade para empregar as boas práticas para o bem-estar animal. A produção de bovinos no Brasil segue protocolos e guias nacionais e internacionais que asseguram o bem-estar animal em todo o período de produção – da fazenda ao frigorífico. Todo esse processo é acompanhado de perto pelo Sistema de Inspeção Federal (SIF) e por profissionais do setor privado que seguem premissas em vigência no País e no exterior. Além disso, já existem inúmeras empresas e consultores que já trabalham com o tema, capacitando e orientando diversos profissionais em fazendas pelo Brasil e em MT.

Aplicar os conceitos de bem-estar animal em toda a cadeia produtiva a torna mais sustentável. Nas propriedades rurais, por exemplo, o uso da técnica de manejo “nada nas mãos”, que utiliza recursos de linguagem corporal e comunicação “olho a olho”, torna o trabalho diário da equipe de colaboradores mais agradável e proporciona uma relação bem mais tranquila entre homem e animal. Isso garante uma pecuária mais produtiva, impactando direta e indiretamente nos demais pilares da sustentabilidade. O manejo adequado no transporte de animais e no pré-abate também proporciona maior produtividade, reduzindo perdas por contusões ou produção de carne DFD (de baixa qualidade).

O mercado da Carne de Mato Grosso, que inclui a produção de bovinos, processamento, exportação e varejo de carne bovina, já aplica esses conceitos relacionados ao bem-estar animal de forma efetiva. A missão daqui por diante é expandir esse tema para algumas microrregiões e municípios que ainda não detém o pleno conhecimento das técnicas para um bom manejo. O Imac, por meio de seu sistema de inteligência, implementará novas ações para melhorar a capacitação de todos os envolvidos com a produção de animais, para que, no futuro, nosso estado possa ser reconhecido também como detentor de reponsabilidade em bem-estar animal. É nosso papel como instituição voltada para a promoção da carne mato-grossense disseminar o empenho que pecuaristas, industriais, varejistas e órgãos de controle em prol de uma cadeia produtiva em que o cuidado com os animais é peça-chave.

Bruno de Jesus Andrade

Bruno de Jesus Andrade
Zootecnista e diretor de Operações do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac)
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