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Artigos / Colunas / Vinícius de Carvalho

09/12/2020 às 10:58

Como os partidos políticos saíram da eleição em Mato Grosso

Após o término da eleição municipal e suplementar para senador é hora fazer as contas. Os partidos por todo o Brasil estão analisando os resultados para fundamentar suas próximas decisões. Para 2022 será imprescindível avaliar se permanecem separados ou se fundem com outros, já que acabará a coligação na eleição para deputado estadual/federal e a cláusula de barreira será ampliada.

Em Mato Grosso não é diferente. Comecemos pelos resultados nas prefeituras.  O grande vitorioso foi o MDB, com 23 prefeitos eleitos que representam 38% do eleitorado do Estado. Houve um salto importante em relação a 2016. Este resultado foi puxado por Cuiabá e Várzea Grande, os dois maiores colégios eleitorais do Estado e que elegeram Emanuel Pinheiro e Kalil Baracat, pela ordem.

Mas é preciso problematizar esses números. Emanuel está muito distante do MDB e este teve pouca participação na sua vitória. Especula-se em relação a uma troca de partido, para o PTB, PP ou mesmo até o Democratas.  Portanto, esse resultado não deve ser atribuído com tanta força para o partido, já que a máquina da Prefeitura de Cuiabá estará direcionada em 2022 para reeleger o deputado federal Emanuelzinho ou até o próprio Emanuel. Os candidatos a deputado estadual a serem apoiados serão aqueles alinhados com este projeto, não necessariamente do MDB.

O caso de Várzea Grande também se encaixa em perfil semelhante. É uma vitória a ser partilhada com o Democratas da prefeita Lucimar Campos e do Senador Jayme Campos. O MDB terá seu espaço na administração e receberá apoio aos seus candidatos em 2022, mas será sempre o sócio minoritário desta empreitada. A vitória de Baracat derivou do peso da máquina e do capital político da família Campos no município, transferido para ele. Estes dois municípios somam cerca de 30% do eleitorado mato-grossense. Sem eles o eleitorado conquistado pelo MDB se aproxima dos demais. Não larga em grande vantagem.

O Democratas, por sua vez, também teve uma evolução importante. Em Mato Grosso, como em todo o país o Dem soube capitalizar o controle da presidência das duas casas do Congresso Nacional e também de vários Governos estaduais e Assembleias Legislativas, de modo a ampliar o número de prefeituras. Triplicaram de tamanho, saindo de 8 para 24. Mas, quando o assunto é eleitorado os números são menos animadores. Ficaram com 9% apenas. Isto se explica pelo fato de terem ganho prefeituras de municípios pequenos. É mais uma prova da tradição dos municípios menores se alinharem com o partido do Governador.

Este é um outro ponto importante. Especula-se também sobre uma eventual saída do Governador Mauro Mendes do Democratas. Suas relações com a família Campos sempre foram tensas. A eleição suplementar para Senador e algumas municipais explicitaram isto. Mauro se engajou na campanha de Carlos Fávaro (PSD), enquanto seu partido apoiou Nilson Leitão, com Júlio Campos na 1ª suplência.  No segundo turno em Cuiabá Mauro orientou voto em Abílio Brunini, enquanto Jayme Campos e Eduardo Botelho ficaram neutros. O destino de Mauro também é uma incógnita. Fala-se no Podemos, Patriotas, PP, PSD ou até mesmo o MDB. O convite foi feito pelo deputado Carlos Bezerra em evento público na semana passada. Quer dizer, Mauro e Emanuel podem até trocar de partido entre si. Cogita-se que Mauro e a família Campos podem estar em palanques opostos na próxima eleição.

De resto houve uma grande pulverização partidária. Destaque para o PSB, presidido pelo deputado estadual Max Russi, que chegou a 13 prefeituras. É uma boa base para projetos futuros. Acompanhemos.  

Vinícius de Carvalho

Vinícius de Carvalho
* é gestor governamental, analista político e professor universitário.   
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