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18/03/2019 às 09:26

Se o mal não venceu, o bem não está sendo muito permissivo...?

No texto anterior, começamos dizendo que 2019 estava turbulento, em vários sentidos...

E mal conseguimos respirar de algum fato de tirar o fôlego, e já surge outro para nos fazer perder a respiração.

Naquele texto, mencionamos a falta de dinheiro do Governo de Mato Grosso até mesmo para honrar com o salário do funcionalismo público. Parece não haver nada de novo neste front. Falamos dos incêndios no Governo Federal, que continuam a queimar numa fogueira que, aparentemente, não tem controle, incluindo novos capítulos com ministros provavelmente envolvidos em esquemas de candidatas-laranjas ? um deles inclusive já caiu.

Ainda tem a China decidindo comprar soja americana, as reclamações da até então apoiadora e fiel bancada evangélica, o vídeo pornô tentando indicar o que teriam se tornado certos aspectos do carnaval, a ministra dizendo que meninos precisam aprender a abrir portas e presentear com flores mulheres que, no seu Dia Internacional, precisam sobreviver em um país com graves índices de violência nos mais amplos aspectos. Isso tudo, fora os capítulos ainda não encerrados, como o ?caso Queiróz?.

Naqueles meados de fevereiro, mencionamos as perdas do jornalista Ricardo Boechat e da atriz Bibi Ferreira. Neste meio-tempo tivemos a morte de uma criança de sete anos, neto de um ex-presidente da República, que causou certa comemoração em alguns segmentos políticos e sociais. No último sábado, um avião caiu causando a morte de mais de 150 pessoas na Etiópia. E um homem, aparentemente com transtornos mentais, foi morto em uma ação abrupta e absolutamente descontrolada de um segurança em um supermercado no Rio de Janeiro, segurança este que legalmente não poderia exercer esta profissão dada sua ?capivara?, ou seja, sua ficha corrida na polícia.

Tem sido até doloroso acompanhar as chuvas torrenciais nesta época no Brasil inteiro, que causam os transtornos e as tragédias de sempre sem ações específicas do poder público no sentido de acabar com isso, ano após ano. E, pela semelhança no descuido, lembramos das barragens rompidas e do pouco que já foi feito nos dois casos ocorrido em Minas Gerais, tanto em Mariana quanto em Brumadinho.

E, para jamais nos esquecermos, o ?caso Marielle? está a poucos dias de completar um ano. Há muitas investigações em andamento, incluindo de ações que visam a atrapalhar os trabalhos para elucidação do crime. Mas, efetivamente, pouco resultado foi mostrado até o momento.

Durante o carnaval, a escola paulistana Gaviões da Fiel mostrou em sua comissão de frente uma encenação na qual por alguns instantes a figura do diabo venceria a figura messiânica em uma batalha. Segundo a escola, é apenas um recorte na narrativa que, em seu final, mostraria o triunfo do bem sobre o mal. Houve quem protestasse com veemência.

E poucos dias depois circulou um texto pelas redes sociais indicando razões pelas quais essa ideia não seria tão descabida. Atribuído a um teólogo, o texto questiona como poderia o diabo não ter vencido se igrejas fizeram sinal de arminha com a mão, quando alguns de seus líderes apoiam a retirada de direitos dos mais pobres, quando alguns de seus fiéis comemoram a morte de uma criança, o assassinato de uma líder social, o exílio de um líder político, a expectativa de uma guerra com um país vizinho, a proliferação de notícias falsas em redes sociais, a falta de foco na desigualdade social, o silêncio frente ao ódio, ao preconceito e à violência, a busca pela paz por meio do armamento, o extermínio dos índios pelo aumento dos já imensos latifúndios. Segundo o teólogo, por tudo isso o diabo tem vencido.

O autor que vos escreve não tem como principal característica a espiritualidade, e até pelo fato de ser ?um homem de pouca fé?, se pergunta: caso o mal não esteja vencendo, o bem não está sendo muito permissivo...?

E qual o papel de cada um de nós no meio disso tudo?

 

Gabriel Oliveira - Crônicas do Cotidiano

Gabriel Oliveira - Crônicas do Cotidiano
As Crônicas do Cotidiano se dedicam a vislumbrar o quão surpreendente pode ser aquilo que aparentemente é corriqueiro, e que depende de cada um tornar grandioso e significativo para si mesmo o que naturalmente parece trivial e insignificante. Este é um espaço dedicado à reflexão de que todas as ações possuem reações que afetam a nós e ao mundo em nosso redor, à ideia de que somos seres políticos e que exercemos esta característica nas escolhas que fazemos no cotidiano. 

Gabriel Oliveira, professor do Instituto Federal de Mato Grosso - IFMT, é Doutorando em Linguística pela UNICAMP, Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Graduado em Letras pela Federal do Rio Grande - FURG. Concentra suas pesquisas na área de Análise do Discurso. É membro da diretoria da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura - ABEH e possui larga experiência com docência superior em instituições de MT e de SP, além de trabalhos e projetos em Comunicação no mundo corporativo.
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