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20/05/2019 às 12:17

BR 163, do sonho à realidade – primeira parte

Sou um usuário assíduo da BR 163 desde novembro de 1983. Estrada que tem significado para o estado, para o Brasil e para o mundo. É um corredor de alimento que mata fome de gente de todos os continentes, mas também é uma estrada que mata muitas pessoas.
 
A BR 163 pode ser dividida em dois momentos: antes do governo Júlio Campos (1982/1986), e depois dele. Período que foi asfaltado o trecho que liga Cuiabá a Nova Santa Helena (600 km de Cuiabá), na época um mero entroncamento da BR 163 com a MT-320 e 208, que também recebeu asfalto até Alta Floresta (790 km da capital).
 
A parte mato-grossense da BR 163 entre Nova Santa Helena e o Pará só foi concluída no governo Blairo Maggi, uma década e meia depois. Fato que acabou por atrasar sobremaneira o desenvolvimento nos municípios de Terra Nova do Norte, Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo e Nova Guarita. Mesmo hoje a ausência de sua conclusão dentro do estado paraense ainda é razão de reportagens e atraso nos municípios as suas margens e circunvizinhanças.
 
A BR 163, só dentro trecho mato-grossense, de uma forma direta ou indireta, tem mais de 2 milhões de pessoas que dependem dela para transitar, vender e comprar mercadorias. Sem falar que é o trecho mais rico, que concentra o maior PIB do estado, e via estratégica para a balança comercial brasileira.
 
Com toda esta explosão da produção e crescimentos das cidades ao seu entorno, somado as dificuldades de manutenção fizeram com que parte dela fosse repassada a inicia privada a partir de março de 2014 (programa do Governo Federal que tinha iniciado em 2012). A vencedora foi a   Concessionária Rota do Oeste, empresa da Odebrecht TransPort, que assumiu com o compromisso de duplicar parte e manter por 30 anos condições adequadas de trafegabilidade.
 
O modelo de concessão do governo federal previa que a BR-163 em Mato Grosso teria que ter parte das obras de duplicação no trecho de 850,9 quilômetros compartilhada da seguinte forma: a Rota do Oeste, com 453 quilômetros, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), com 400 quilômetros. Investimentos na ordem de R$ 6 bilhões.
 
A parte que cabia a Rota Oeste era duplicar e manter um trecho de 117,6 quilômetros da divisa do Mato Grosso do Sul a Rondonópolis (está pronto). E ainda duplicar, em cinco anos, o segmento da rodovia dos Imigrantes (BR-070), na região de Cuiabá e Várzea Grande; e o trecho que vai do Posto Gil (Diamantino) a Sinop. Com direito de construção de 9 praças de pedágio, que também já estão prontas e em atividade.
 
Acontece que nem tudo saiu como o planejado nestes cinco anos, uma vez que o capital para investimento viria até 49% do capital social das SPEs ou Holdings (bancos públicos e fundos de pensão). A presidente Dilma depois de reeleita sofreu impeachment, a Operação Lava Jato mandou para a cadeia políticos e empresários, inclusive donos de empreiteiras e dentre eles vários membros da própria Odebrecht.  E os investimentos sumiram e parte das obras não foram feitas.
 
Volto ao assunto na próxima semana para falar da atual realidade, da falta de investimento e do futuro incerto da BR 163, e os prejuízos para o estado e o Brasil.
 

João Edisom

João Edisom
João Edisom de Souza, Doutor em Teologia pela PUC/RS, Mestre ciências da Educação e Politica pela UNiC, Especialista em Psicanalise e Neuropsicologia PUC/RS, Especialista em ciências politica e sociais pela PUC/GO, Especialista em Psicologia Infantil e Gestão de Pessoas e Negócios pela UFMT, Graduado em Filosofia e teologia pelo CDB Campo Grande MS, Pedagogia pela UFMT, Articulista Político, escreve semanalmente para 26 sites do estado e dois jornais impressos em MT e Um de Santos SP, comentarista politico no programa mtmaisnoticias na Radio Jovem Pan, Consultor Educacional e Consultor Politico, Proprietário das empresas Posgrado e Mtpolitica
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