Cuiabá, terça-feira, 21/09/2021
06:49:21
informe o texto

Notícias / Cultura Popular

20/04/2021 às 16:03

Redeiras de MT são homenageadas com exposição e filme

Projeto enaltece mulheres da comunidade Limpo Grande que se dedicam há mais de cinco décadas ao fazer manual

Túlio Paniago

Redeiras de MT são homenageadas com exposição e filme

Foto: Divulgação

A arte de produzir redes, tradição entre as mulheres da Família Lemes, que vivem em Limpo Grande, em Várzea Grande, despertou o apreço e a curiosidade da cineasta Tati Mendes, proponente do projeto “Redeiras - Tecendo cultura com arte e tradição”, contemplado no Edital Conexão Mestres da Cultura – Marília Beatriz de Figueiredo Leite, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) com recursos da Lei Aldir Blanc.

Por meio de uma exposição fotográfica e de uma filme, serão homenageadas cinco mulheres que há mais de 50 anos se dedicam a esta arte manual. A exposição, com registros da própria Tati, está aberta ao público a partir desta terça-feira (20.04), Sesc Arsenal, e posteriormente seguirá para o Limpo Grande, comunidade que tem a tecelagem como uma das principais fontes de renda.

Já o filme, com estreia prevista para 20 de maio, apresenta detalhes de todo o processo de produção das redes. A produção será exibido no Sesc Arsenal e também em Limpo Grande. A expectativa é que beleza e o colorido das redes sejam reproduzidos em linguagem audiovisual.

As homenageadas

Tati Mendes conheceu a redeira Eva Lemes de França quando produziu a série “O Pantanal e Outros Bichos”, que registrou diversas artes manuais produzidas na região entre Cuiabá e o Pantanal. Na ocasião, ela encomendou duas redes para compor o cenário das gravações. “Assim conheci Eva, aos poucos fui conhecendo e me apaixonando pela história de sua família”, relata Tati.

A matriarca da família, Francisca Maria de França, conhecida como Dona Chiquinha do Limpo Grande, aprendeu a arte do tear com uma de suas tias. Eva e as irmãs Gonçalina Lemes da Silva, Dulce Lemes Moreira, Lourdes Lemes de França e Edina Lemes de França, contam que aprenderam a tecer observando atentamente o trabalho da mãe.

Elas começaram fazendo redinhas para as bonecas. Mais tarde a diversão virou um ofício e passaram a contribuir com a renda familiar vendendo redes, assim como a maioria das redeiras do Limpo Grande.

Tati revela que observar o movimento contínuo e repetitivo pode apresentar ser uma tarefa simples e até corriqueira, “mas é no convívio e na partilha de espaços, histórias e gráficos, que estas mulheres se desenham, criam filhos, casam, sustentam suas famílias. Percebe-se que elas falam por meio da arte”.

Tradição

Na comunidade Limpo Grande, as redes são feitas por mulheres há mais de quatro gerações. A produção da rede cuiabana conserva a técnica do tear vertical, herança da cultura indígena.

“Manter a tradição é a ordem dessas mulheres, por capricho ou necessidade, não importa. O que importa é o quanto essa resistência representa para a cultura de um povo, o quanto nos ensina de resiliência, o quanto valoriza sua comunidade, o quanto contribui para o fortalecimento do patrimônio cultural imaterial do Estado de Mato Grosso”, ressalta Tati.

A arte de fabricar redes é atribuída aos índios Guanás (etnia Chané-Guaná), que inicialmente usavam fibras de tucum para sua confecção. Segundo historiadores, foram as mulheres dos colonos que passaram a usar o algodão como fibra, desfiando-o e fazendo as linhas com as mãos. Mais tarde, passaram a tingi-los com tintas naturais.

Os temas que são lavrados replicam flores e animais do Pantanal, mas a contagem e a distribuição das cores remetem aos pontos usados na técnica do bordado do ponto de cruz, o que confirma uma intersecção portuguesa na arte das redes cuiabanas.

Novelar, urdir, tecer, passar o liço, lavrar, trançar. Essas são algumas das expressões que também encantaram a cineasta, que relata como as redeiras usam este vocabulário próprio para realizar cada uma das etapas do trabalho.
“É uma arte impressionante não apenas pela beleza, mas pela destreza, pela paciência e pela atenção que toma da artesã copiar os gráficos e transpô-los para o tear e uma tradição que precisa ser vista, estimulada e mantida, porque é um trabalho de valor simbólico ímpar”, conclui Tati.

 
Com informações da Assessoria - Secel/MT
Clique AQUI, entre no grupo de WhatsApp do Entretê e receba notícias de Cultura e programações artísticas.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet