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09/05/2021 às 14:01

Atriz canta, dança e manipula formas animadas em obra autobiográfica

Protagonizada por Edilaine Duarte e dirigida por Caio Ribeiro, peçavídeo será apresentada pelo coletivo Coma a Fronteira

Entretê

Atriz canta, dança e manipula formas animadas em obra autobiográfica

A atriz Edilaine Duarte

Foto: Foto: Lucas Lemos

O desejo de transformar a própria realidade e se libertar de traumas familiares. Os aprendizados do fim de um relacionamento e o despertar para a espiritualidade. Essas são algumas chaves no amadurecimento de Edilaine-mulher, que a Edilaine-atriz vem transformando em peça de teatro junto a seu parceiro de trabalho e amigo de longa data, Caio Augusto Ribeiro. O processo será apresentado ao público em formato de peçavídeo, virtualmente, nos dias 12 e 13 de maio, quarta e quinta-feira.

‘Vida Provisória – In Process’ começou a ser concebida pelo coletivo Coma a Fronteira em 2019, durante participação no projeto de residência artística Arvinte – Artes em Residência, realizado pelo CALM – Centro Audiovisual Luiz Marchetti. Foram três semanas de ensaios no Clube Feminino, espaço transformado em lar da atriz, pouco antes da covid-19 chegar à Cuiabá. Na nova etapa, também atravessada por mais um pico da pandemia, o projeto foi contemplado pelo Edital MT Nascentes, da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

Com os recursos da Lei Aldir Blanc, Edilaine Duarte “se mudou” para a Casa Cuiabana, que abrigou os novos ensaios. O resultado foi filmado para o público na sala Anderson Flores do Cine Teatro Cuiabá e estreia no canal do Youtube do Coma a Fronteira, sempre às 20h, garantindo, assim, a segurança do público e da equipe na etapa de apresentações. Apesar da peça ser gravada, a exibição é realizada “ao vivo”, ou seja, de forma síncrona. Na quinta-feira (13), a transmissão será seguida de um bate-papo com a equipe de Vida Provisória.

Para a construção do espetáculo, que tem dramaturgia e direção de Caio Ribeiro, Edilaine precisou mergulhar num emaranhado de memórias em seu processo de pesquisa. “São relatos da minha vida, desde a infância, passando pela adolescência, até a vida adulta. Lembranças que ativaram sentimentos que estavam ali guardados dentro de mim, e que eu nem sabia”, relata a atriz.

Por isso, a peçavídeo será lançada junto a um Diário de Lembranças. Um material digital, que reúne poemas escritos pela atriz durante a quarentena e todo o processo de criação da peça. Textos da direção também contam sobre a construção da dramaturgia. “É um complemento da experiência, um extra. São registros, que não necessariamente precisam ser lidos para assistir a peça. É também um momento em que toda a equipe aparece”, explica o diretor Caio Ribeiro.

Edilaine explica que a ideia que envolve a poética do trabalho foi olhar para o passado como um processo de aceitação e cura. Assim, o enredo parte do que ela chama de consciência do presente. “O que eu quero viver hoje? O que eu quero ser hoje? E por que não viver o que eu quero, agora? De alguma forma, vou levando a minha vida assim. É como se eu sempre criasse e vivesse os meus personagens, em uma espécie de vida provisoria”, reflete a atriz.

Hibridismos

Edilaine Duarte, que é premiada no cinema pelo curta-metragem ‘A gente nasce só de mãe (2017)’, volta “aos palcos” – ainda que nas telas – pela primeira vez como protagonista de uma peça teatral. Em um único trabalho, a atriz canta, dança, declama poesias e ainda manipula formas animadas, explorando diversas técnicas de expressão cênica. Para isso, ela recebe preparação corporal de Elka Victorino e preparação vocal de Rô Leão.

O cenário é arte de Douglas Peron, membro fundador do coletivo Spectrolab, que utilizou o papelão como material principal da composição cenográfica de Vida Provisória. “O papelão é um material presente no cotidiano de qualquer um, para uns: apenas como embalagem ou suporte para produtos do dia-a-dia; para outros: a fonte de renda da família. Material simples, leve, versátil. Improvisado, substituível, reciclável”, destaca o artista. Toda a trilha sonora foi executada e composta exclusivamente pelo músico Augusto Krebs, que assina a direção musical da peçavídeo.

‘Vida Provisória’ marca a estreia de Caio Augusto Ribeiro na direção de teatro e reafirma sua atuação no audiovisual. É o primeiro produto do Coma Fronteira, coletivo de artes híbridas, investigação e intervenção urbana, pensado enquanto artes cênicas. Por ironia do destino, a necessidade de tradução para o ambiente virtual, acabou reforçando os hibridismos já característicos do coletivo.


“O Coma a Fronteira nunca fez nada que não fosse híbrido. E o acaso, novamente, nos obriga a ser híbrido. Enquanto peça para ser apresentada nos palcos, presencialmente, a hibridez era brincar com teatro e música. Agora, como peça-vídeo, o trabalho ficou mais híbrido ainda. E é algo que a gente gosta muito, fazer com que as linguagens se encontrem”, reforça Caio.

‘Vida Provisória’ também pode ser considerada uma peça-irmã de ‘Coió’, trabalho que retrata a violência doméstica vivida pelas famílias de Douglas e Caio: “Eu já vinha de um processo de dramaturgia que investiga a vida e o trauma. Trabalhei muito fazendo produção e a assistência de direção de outros trabalhos, mas agora é a primeira vez que dirijo uma peça de fato. E essa tradução de formato também me deu a segurança que eu não tinha para assumir um trabalho como diretor”, relata Caio.

Construção afetiva

‘Vida Provisória – In Process’ também materializa uma década de amizade e parceria entre Edilaine Duarte e Caio Ribeiro, ainda dos tempos de escola no Colégio Liceu Cuiabano. “Tiramos até DRT juntos e cá estamos. Em todo esse tempo, trabalhamos sempre em conjunto de alguma forma. Somos amigos que se gostam e se conhecem. E essa peça só foi possível por essa trajetória”, destaca Caio.
 
A intimidade e o afeto envolvidos no processo de produção refletiu em um clima de bastidor e trabalho em equipe muito satisfatórios. “Por essa peça, eu me orgulho em dizer que trabalho com a dramaturgia que acredito, e com um processo de produção que acredito dentro das artes cênicas e do audiovisual”, complementa o diretor. 
 
E foi justamente essa troca afetiva que deu segurança para Edilaine trazer à cena temas, para ela, muito pessoais. “Tem momentos em que não é muito confortável trabalhar sua própria vida. E o Caio foi super importante nesse processo. Não tinha outra pessoa para dirigir esse trabalho. Ele não viveu na minha infância, mas soube trazer para a peça tudo de uma forma muito afetuosa e sensível”, relata Edilaine.
 
Conforme Caio, toda a equipe, aliás, foi escolhida a dedo pela excelência e diversidade de “mundos”. Os bastidores, inclusive, se tornam um elemento cênico através da câmera-personagem. “Ela contracena com a Edilaine e vê toda a produção. Então a gente assume que é uma produção”, destaca.
 
Fazem ‘Vida Provisória’ mulheres, mulheres negras e pessoas LGBTs. A peça-vídeo também resulta do encontro de gerações, unindo invenções de novos talentos à experiência de veteranos. Além dos profissionais já citados, na construção de cenário está Lourival Junior com seu trabalho de iluminação. Responsável pelo audiovisual da peça, Juliana Segóvia e Ana Carolina de Mello assinam a captação e edição de imagens, respectivamente. Na  comunicação, Lucas Lemos soma com estratégia digital e Maria Clara Cabral com assessoria de imprensa. A produção executiva é de Carolina Argenta.
 
Serviço
Vida Provisória – In Process
Quando: 12 e 13 de maio de 2021, às 20h
Onde: Canal do Youtube do Coma a Fronteira 
Acesso Gratuito
Mais informações: https://www.instagram.com/comaafronteira
Com informações da Assessoria - Maria Clara Cabral
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