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Notícias / Artes

20/06/2022 às 10:35

Conheça Claudemir Ribeiro, o pintor de rua anônimo 'mais famoso' de Cuiabá

Há 16 anos, ele pinta na rua Jules Rimet, próximo à rodoviária de Cuiabá

Paulo Henrique Fanaia

Conheça Claudemir Ribeiro, o pintor de rua anônimo 'mais famoso' de Cuiabá

Foto: Paulo Henrique Fanaia

Uma vez Milton Nascimento disse que “todo artista tem de ir aonde o povo está”. E foi seguindo esse ensinamento que Claudemir Ribeiro resolveu fazer sua arte. Há 16 anos, quem passa pela rua Jules Rimet, em Cuiabá, pode conferir o trabalho desse pintor que muita gente já viu, mas poucos sabem quem é.
 
Com 53 anos, uma esposa e um filho, Claudemir é do interior do estado de São Paulo e veio para Cuiabá em 1998, trabalhando como missionário em uma igreja. Aqui, ele resolveu seguir uma de suas paixões, o Direito. Formou-se bacharel, fez pós-graduação em Processo Penal e começou a trabalhar como auxiliar jurídico com um amigo advogado.
 
A pintura sempre foi um hobby da infância, quando ele já pintava as paredes dos armários da casa. Com o tempo, resolveu comprar revistinhas de pintura e estudou arte por conta própria. “Comecei na cara e na coragem mesmo, tentando sozinho. Eu acho que pintura é assim, é erro, erro, erro e acerto. É uma pesquisa que o próprio artista vai fazendo. Ele vai tomando conhecimento das cores, dos valores tonais, perspectiva, profundidade. Ele vai aprendendo”, conta Claudemir.
 

Em 2006, o pintor autodidata resolveu levar o hobby para a rua. Alugou um local na rua Jules Rimet e passou a pintar ali mesmo.
 
“Eu gosto mais assim, na rua. Porque as pessoas têm mais acesso à arte. Na galeria, você tem um público mais refinado. Claro que você tem a condição de você colocar um valor maior no trabalho, mas eu não tenho muito contato, eu nunca procurei ter muito contato com muitos artistas. Eu tenho amizade com outros artistas. Mas eu limito as minhas amizades”, afirma o artista.
 
As obras de Claudemir são variadas. Algumas têm temática de natureza, outras são abstratas e outras representam sua primeira paixão, o Direito e a Justiça. Ele conta que já vendeu telas para diversos países e amantes da arte de várias nacionalidades. Há menos de um mês, uma família da Alemanha comprou uma tela com imagens de Chapada dos Guimarães. Outras obras já foram vendidas para a Itália, Espanha e outros países da Europa.
 

Ele até tentou abrir uma galeria de artes na rua Joaquim Murtinho, chamada Artes e Molduras, mas a saudade da rua foi mais forte. Segundo Claudemir, ele tem déficit de atenção, então, pintar na rua com toda aquela movimentação e gente passando é um exercício para ajudar a focar nas obras.
 
“Eu tenho déficit de atenção e a pintura me centraliza, me foca. Eu não me dou muito bem nos lugares que tem muito movimento. Eu tenho que olhar pra tudo, pra todos [...]. E na pintura eu fico bem focado. Eu já pintei em um supermercado bem grande daqui da cidade. Eu ficava à beira da escada rolante e eu me localizava bem ali, me centralizava”, conta o apaixonado artista.
 
Embora seja um amante das artes, ele reconhece que é difícil viver dessa profissão no Brasil. “As pessoas não têm ideia do valor da arte. Na verdade, no Brasil, não se tem o verdadeiro valor da arte. Eu vendo telas aqui, chegam aqui pessoas que começam a negociar e, às vezes, elas extrapolam, exageram. Ela [a pessoa interessada] já começa comprando um produto que ela mesma está desvalorizando. As pessoas não dão valor, não valorizam. Aí você tem duas opções: ou você faz um trabalho menos técnico, faz um trabalho mais livre e faz preço mais em conta ou faz um trabalho mais técnico e você tem que cobrar um valor a mais. Às vezes, as pessoas pensam, porquê eu estou vendendo na rua, que não é valorizada”, lamenta Claudemir.
 
Mas e o futuro? Ele não decide sobre o futuro, mas diz que tem sonhos. O primeiro é de ser convidado para um workshop e ensinar seu trabalho para outras pessoas, como já fez no passado. O segundo é mais ambicioso, o de levar sua arte para outros países. Sentar na rua de algum país que ninguém o conhece ou fala a língua e lá apresentar o trabalho dele.
 
“A arte fala. Chego lá, fico pintando, o pessoal conversando do lado. Eu fico imaginando, sem entender nada, aí continuo pintando na rua, sempre na rua”, conta Claudemir.
 
E para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Claudemir, basta dar um pulinho ali na rua Jules Rimet, de segunda à sexta, ele sempre estará lá.
 
Para comprar a obra dele, é a mesma coisa. Ou você pode ligar para o número (65) 9 9966-6064 e falar com o próprio artista.
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