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Notícias / Literatura

21/05/2020 às 14:01

Do espaço físico ao virtual, Slam se reinventa e poesia continua nas redes

Documentário que conta história do primeiro movimento literário de rua em Cuiabá é atração desta quinta-feira (21)

Maria Clara Cabral

Do espaço físico ao virtual, Slam se reinventa e poesia continua nas redes

A poetisa Ananá, campeã da primeira edição online do Slam do Capim Xeroso

Já tem três anos que o primeiro slam de rua cuiabano causa alvoroço no Centro Histórico da capital com batalhas de poesia. Nos encontros de poesia falada e performática, um júri popular, escolhido espontaneamente entre o público, dá nota aos slammers (os poetas), levando em consideração critérios como a poesia e o desempenho.

Da “curva do capim xeroso” – conhecida pelos frequentadores da “rua do meio” da Praça da Mandioca – o Slam do Capim Xeroso passou a ocupar, no último ano, a praça do Beco do Candeeiro, levando cultura para o local que já foi palco de chacina e hoje reúne pessoas em situação de rua.

Agora, o movimento acontece no espaço virtual, seguindo a tendência diante das medidas de distanciamento social. A primeira experiência online foi em março. Entre os dias 30 de maio e 1º de abril, uma nova edição acontece a partir das 19h, na página do Instagram.


Em três edições consecutivas, o Slam do Capim Xeroso já levou a mato-grossense Pacha Ana para a final da competição nacional, o Slam BR, que acontece anualmente em São Paulo (SP). O documentário ‘Slam: rua e resistência’, com direção de Ana Carolina Mello – hoje uma das realizadoras do Slam do Capim Xeroso – conta mais sobre a história do movimento, em exibição que integra a programação do Festival Cultura em Casa.

“Assim como os poetas desse documentário fizeram em 2017, hoje, podemos utilizar a poesia para compreender a quarentena e seus desdobramentos sociais”, diz sinopse da exibição. Será nesta quarta-feira (21), às 17h, no canal do Youtube da Salve Filmes, onde a produção fica disponível.   

Como funciona

Para participar do Slam do Capim Xeroso Online, os poetas devem se inscrever pelo direct do Instagram, enviando nome completo, foto e mini bio. “Vamos entrar em contato até o dia 29 para que os participantes enviem suas poesias em vídeo”, explica Ana Mello.

Os trabalhos serão publicados no IGTV e ficarão disponíveis para votação do público em três rounds, que acontecem nos dias 30, 31 de maio e 1º de abril, respectivamente. O poeta mais votado em cada etapa segue na competição.

Ao fim da edição, também vai rolar uma live com Ananás (@ananas) sobre a poesia Firula com Noia, às 21h30.

Conexão interestadual

À ocasião da estreia do Slam do Capim Xeroso Online, o novo formato consagrou a poetisa Ananás para uma disputa interestadual, também virtual – o Slam Viral. Na primeira batalha, a mato-grossense foi classificada para a fase seguinte da competição.

Essa organização a nível nacional foi inclusive uma das principais motivações do Slam do Capim Xeroso para recorrer ao espaço virtual. Ana Mello conta que há um tempo slammers de diferentes estados do país organizam um movimento interestadual por meio do WhatsApp.

"Quando começou a pandemia, a galera começou a fazer slam online e por meio do grupo de whatsapp interestadual que ja existia,  surgiu o Slam Viral, que seria um campeonato com vencedores online de vários estados”, conta poetisa. “Outra coisa legal é que estamos fazendo uma antologia [coleção de trabalhos literários] com a galera que faz desse movimento”, complementa.

Slam: rua e resistencia

O documentário é a primeira realização da produtora Salve Filmes, iniciativa independente de Ana Carolina Mello com o coletivo. Com o projeto, os realizadores vêm promovendo experimentações audiovisuais para dar visibilidade às suas inquietações.

Em “Slam: Rua e Resistência”, a poesia e a arte permeiam a narrativa e o depoimento das personagens como parte de um processo de ocupação cultural e urbana. Conforme Ana, o filme surge da compreensão de que o slam vai além de um rolêzinho e se transforma em uma ferramenta de retomada dos espaços públicos.

“Ali, as pessoas se reúnem na rua para falar sobre racismo, machismo, exploração e tudo as que a afeta, como um movimento de resistência ao processo de elitização como a Praça da Mandioca”, explica.

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