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Notícias / Música

30/06/2020 às 16:20

O Mormaço Severino lança single e videoclipe feitos no celular

‘Minha Pólvora. Um coração vazio’ fala sobre vícios representados de forma fantasiosa no audiovisual de estética psicodélica

Maria Clara Cabral

Banda aclamada na cena autoral de Cáceres, O Mormaço Severino segue ativa superando as barreiras técnicas que se aprofundam em tempos de pandemia. Além das participações em festivais online – à frente, inclusive, do Ixpia O Festival – os mato-grossenses lançaram nas redes sociais e no Youtube uma nova música que ganhou videoclipe.

A inédita canção ‘Minha Pólvora. Um coração vazio’ foi feita em apenas três horas de uma madrugada de Rauni Vilasboas, que é compositor e guitarrista da banda. Os instrumentais foram feitos digitalmente por emulação, em um aplicativo de celular. 

“Fiz a música inteira no GarageBand através de instrumentos virtuais, simuladores que oferecem a mesma sonoridade quando eu toco a melodia. Construí ela brincando e depois escrevi a letra”, conta o músico. O vocal inconfundível de Jheine Lima foi captado pelo microfone de um fone de ouvido. 

Assim como o video, a música foi lançada sem alarde no programa Ixpia na Rádio, da Capital FM, comandado por Raul Fortes no domingo (28). 

O clipe, com performance e atuação da vocalista Jheine, que pensou figurino e maquiagem para compor o cenário, foi filmado no quintal de Rauni, que também aparece no vídeo. A maioria das imagens são dele e algumas de Leonardo Oliveira e do percursionista Wellington Fernandes. A edição é de Rauni, que também montou o clipe inteiro com editores de celular.


Conforme o músico, ‘Minha Pólvora. Um coração vazio’ é uma alegoria de seus vícios em álcool e nicotina, representados de forma fantasiosa e que ganham forma física através de sua aparição no videoclipe. Uma declaração ao seu “amor bandido” e uma confissão da falta dele, sentimentos interpretados por Jheine com suas expressivas caras e bocas.

Tentei levar para o clipe um pouco da angústia e agonia dessa luta constante, mesmo nunca tendo vivido ela. É uma música muito forte e eu tentei dar o meu melhor, usar das minhas próprias dores para interpretar as dele, porque dor a gente canaliza. Fora que é um clipe muito especial por seu o nosso primeiro clipe”, destaca Jheine.

A música fala sobre o desafio de me manter sóbrio nesses dias de quarentena, em que tento produzir mais, criar mais. Qualquer coisa que mantenha a mente ativa e me ajude a esquivar das tentações”, conta Rauni, que marcou 100 dias sem beber e fumar na data de criação da música.

Os vícios, o cotidiano da cidade e a marginalidade marcam a poética mundana d’O Mormaço Severino, que eterniza Cáceres e suas personagens em canções como ‘Epopéia de Infortúnio Cacerense’ e Eu quero ver o pôr-do-sol da sete de setembro’. A produção caseira e sem recursos também já é característica da banda. 

Velha conhecida de todo artista independente, que tem que se virar na falta de recursos, se reinventar e se adaptar todos os dias”, conta Rauni, que, no ano passado, também lançou um EP solo feito inteiramente no celular. Na nova produção, o formato lo-fi ainda preserva ao máximo o distanciamento social entre os integrantes. 


O Mormaço Severino

Com pegada rock’n roll e influencias do blues, baião e regionalismos, O Mormaço Severino se destaca pela inventividade. A mistura que resulta no som da banda também é feita com instrumentos de percussão com materiais reutilizados.

Voltada para músicas autorais e experimentações sonoras, a banda foi idealizada por Ronaldo Gonçalves e Rauni Vilasboas no ano de 2009, em Cáceres/MT. O nome carrega conceitos que descrevem a agonia e o marasmo de poesias escritas e cantadas em uma cidade quente e pesada. 

Um grito de dor nas margens de nossa princesinha do Pantanal. Uma (re)leitura de nossa cidade ribeirinha”, descrevem os músicos.

O Mormaço esteve presente em festivais como Fipe, Cerrado Fuzz Festival, Mato Rock, Cáceres Rock Festival, Ixpia O Festival, Sarau da Figueira, Sarau das artes Free. 

A banda é composta por seis integrantes: Jheine Lima no vocal, Rauni Vilasboas na guitarra e voz, Ronaldo Gonçalves no baixo, Diego Vicente no teclado, Luis Guilherme bateria e voz, e Welington Fernandes (Mc Fernandes) na percussão e voz.

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Com assessoria

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