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12/06/2021 às 16:00

Pandemia muda a forma de como os casais se relacionam

O jeito agora é seguir o “novo normal” e se adaptar aos novos tempos

Paulo Henrique Fanaia

Pandemia muda a forma de como os casais se relacionam

Foto: I Stock

A pandemia mudou a forma como as pessoas se conectam. As relações interpessoais sofreram impacto profundo com o advento do distanciamento social, mudando até mesmo a maneira de paquerar. Se antes os encontros aconteciam em baladas ou barzinhos, agora o “novo normal” é ficar em casa e conhecer o amor da sua vida pela internet e redes sociais, como é caso do Rafael*, 21 anos, e da Julia*, 20 anos.
 
Eles se conheceram durante a pandemia, mais precisamente no mês de julho, e mesmo, com todas as regras de distanciamento social, deram um jeito de manter contato e acabaram se apaixonando.
 
O casal conta que o primeiro contato foi pelas redes sociais de amigos em comum e logo depois trocaram telefone. Ficaram conversando por mais de um mês à distância e, mesmo com vontade de se encontrar, tinham medo de contrair a covid-19. Somente depois de dois meses é que decidiram se encontrar pessoalmente.
 
“Marcamos o encontro em um local aberto para evitar aglomeração e procuramos ir de máscara e cheio de álcool em gel. Estávamos com receio porque nós dois moramos com os pais e eu tenho até meus avós que moram perto, então o medo de pegar covid era grande” conta Rafael, em entrevista ao Leiagora.
 
Depois de alguns encontros com toda a segurança, o casal começou a namorar e, de acordo com eles, o namoro é bem diferente dos que eles conheciam antes da pandemia.
 
“Evitamos sair por segurança mesmo, sabe?! E mesmo querendo, não dá né?! Nós gostamos muito de cinema, mas os cinemas estão fechados. Barzinho então, nem se fala! Mas estamos aproveitando bem, assistimos muito filme em casa, fazemos programa de casal mesmo. O legal é que estamos ensinando coisas um para o outro. A Julia me ensinou a cozinhar, o que está sendo ótimo porque direto fazemos janta aqui em casa, já eu ensinei ela a jogar vídeo game, assim ficamos jogando juntos. Teve uma vez que furamos a quarentena e fomos jantar em um restaurante para comemorar mês de namoro, mas ficamos sempre de olho para ver se estamos cumprindo o distanciamento.”

O que dizem os especialistas

Histórias como a de Rafael e Julia têm se tornado mais comum nos dias de hoje. De acordo com o psicólogo especialista em relacionamentos, Douglas Amorim, a pandemia revelou coisas que antes eram ignoradas, como por exemplo, se olhar no espelho e conhecer a si mesmo.
 
“Antes da pandemia tínhamos questões que nos distraía de olhar para si mesmo, como trabalho, viagem, interações sociais, barzinhos e tudo mais. Isso impedia que ficássemos à disposição do nada. A pandemia nos jogou nessa situação, revelou características que não conhecíamos. Algumas pessoas se descobriram fortes quanto à solidão, já outras se descobriram extremamente frágeis emocionalmente, carentes, mas não necessariamente aquela carência de tristeza, mas como alguém que não dá conta de ser sozinha. Isso impactou nas relações. As pessoas que já tinham relacionamento tiveram que olhar para o outro, tiveram que olhar para o incômodo que elas tinham com o outro. Se antes eu podia me distrair do outro com todas as atividades que eu tinha, agora eu preciso olhar para o parceiro e, de alguma forma, estabelecer uma intimidade que vai muito além de encontros no dia da semana” diz Douglas ao Leiagora.
 
Agora as pessoas precisam se comunicar. Os relacionamentos vão além da conexão física, de uma foto bonita. Exigem um processo de conhecer o parceiro e gostar da sua companhia, o que, devido ao isolamento, nem sempre acontece. A distância faz com que os casais se comuniquem mais e essa comunicação vai além do bom dia, boa tarde e boa noite.
 
Em números
 
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Forbes, os aplicativos de namoro tiveram um salto no número de usuários durante a pandemia. As medidas de isolamento social fizeram com que as pessoas ficassem mais em casa e procurassem esses aplicativos para se conhecerem e até mesmo começar a namorar.
 
Um relatório divulgado pelo Match Group, grupo proprietário de aplicativos como Tinder, OkCupid e Hinge, revela que somente no terceiro semestre de 2020, as empresas registraram 10,8 milhões de usuários pagantes em seus aplicativos. Com esse resultado, os lucros cresceram cerca de 18%, mostrando que esses sites e aplicativos de namoro se tornaram plataformas acessíveis para as pessoas que realmente cumprem as regras de distanciamento.
 
Com a necessidade do momento, as pessoas passaram a compreender que existem outras ferramentas que podem ser usadas para se relacionar. O chamado “novo normal” veio para ficar.

Histórias de pessoas que se relacionam pelas redes sociais ou que tiveram as redes sociais como um pontapé inicial no relacionamento estão se tornando cada vez mais comuns, mas o importante mesmo é sempre manter o amor no ar e aproveitar todos os dias como se fosse o dia dos namorados.

 
*Rafael e Júlia tiveram seus nomes alterados a pedido do próprio casal

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