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08/07/2024 às 13:14

10 DIAS ANTES DA MORTE

Renato Nery acusou advogado de ser proprietário de 'escritório do crime' em representação na OAB-MT

Além do Antônio João de Carvalho Júnior, Nery citou um posseiro, um médico, desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e um jornalista.

Vanessa Araujo

Renato Nery acusou advogado de ser proprietário de 'escritório do crime' em representação na OAB-MT

Foto: Reprodução

O advogado Roberto Nery, que foi executado em frente ao seu escritório na última sexta-feira (5), havia ingressado com uma representação disciplinar junto a Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB-MT), 18 dias antes de sua morte.

O jurista denunciou o seu colega de profissão, o também
 advogado Antônio João de Carvalho Júnior, por supostamente agir irregularmente em uma disputa judicial de terras com interferência de desembargadores.

No documento, além do Antônio João de Carvalho Júnior, Nery citou um posseiro, um médico, desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e um jornalista. 

O documento foi protocolado por Nery em 26 de junho e era endereçado para a presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso. De acordo com ele, a celeuma se deu em decorrência de disputas de terras em Novo São Joaquim (a 465 km de Cuiabá) que já durava 36 anos. 

A disputa teria começado em 1988, quando Nery foi contratado para reaver terras de Manoel Cruz Fernandes. Como forma de pagamento de seus honorários, Nery recebeu alguns hectares das terras. 

De acordo com o documento, a viúva de
Manoel Cruz Fernandes, havia renunciado a herança do marido junto as filhas, beneficiando o irmão do proprietário e outro filho. No entanto, a mulher voltou atrás da decisão anos depois, requerendo a posse das terras. 

“Há um verdadeiro formigueiro humano preparado para usurpar direito do Representante [Renato Nery] receber seus honorários duramente obtidos no longo processo de reintegração de posse”, escreveu o advogado. 

No documento, Nery acusou o advogado Antônio João de Carvalho Júnior de supostamente ser proprietário de um escritório do crime. 

“O escritório profissional do advogado ANTONIO JOÃO DE CARVALHO JUNIOR é denominado como 'escritório do CRIME' em Cuiabá, onde sempre aparece o envolvimento de vários famosos como GAYLUSSAC DANTAS DE ARAUJO, que é advogado e sócio/parceiro do Filho do Desembargador SEBASTIÃO DE MORAES FILHO, MAURO THADEU PRADO DE MORAES. Veja que na petição do advogado ANTONIO JOÃO DE CARVALHO JUNIOR juntado no Juízo de Balneário Camboriú/SC tem o mesmo endereço e telefone do advogado GAYLUSSAC DANTAS DE ARAUJO, que é o sócio de MAURO THADEU PRADO DE MORAES, filho do Desembargador SEBASTIÃO DE MORAES FILHO, senão veja: (…)”, citou Nery.

Conforme o jurista, ele teria sido assediado por meio de outro advogado, que atuou como intermediário para que ele aceitasse um acordo interposto por Antônio João de Carvalho Júnior. 

“O Representado (Antônio João de Carvalho Júnior) passou a assediar o Representante (o advogado Renato) por meio do Dr. Agnelo Bezerra Bomfim, seu intermediário. Nessa conduta pusilânime o emissário apanhou o advogado Renato acometido de covid-19; e com ele sobre efeitos da doença do século, isolado em seu gabinete, passou a assediá-lo para aceitar uma possível conciliação para solver a questão entre as partes. E assim o emissário agia, reiteradamente, sempre lhe advertia sobre a atuação do Des. Sebastião de Moraes, Relator dos Embargos que tinha rumo à Câmara Estendida, usando os seguintes termos: ‘ou faz acordo ou perde tudo’”, diz trecho da representação.

Na peça, Nery cita a morte do colega de profissão, Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023 em frente seu escritório, tendo uma morte parecida com a de Renato Nery. 

“O Representado [Antônio João de Carvalho Júnior] tem antecedentes nesse tipo se coação (concluiu com o mesmo Des. Sebastião) que amedrontam seus adversários. E esse membro do tribunal faz questão de se autoelogiar, passando imagem surrealista sobre sua honestidade. No entanto, está em apuração pelo CNJ sua atuação em processo que importa em elevada disputa possessória onde houve rumoroso caso de assassinato de um advogado. Ele teria considerado pelo próprio órgão o autor de uma decisão que causou a morte do Dr. Roberto Zampieri em Cuiabá-MT”, diz outro trecho da representação. 

Por último, Nery requereu a instauração de um processo administrativo disciplinar contra o advogado Antônio João de Carvalho Júnior. 

“Em se tratando a matéria que prescinde de provas, após instruindo os autos, sejam eles julgados com a aplicação das sanções cabíveis, a exemplo das citadas no artigo 34 do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil”, concluiu Nery.

A morte


O advogado Renato Gomes Nery, morreu na manhã do último sábado (6) no Complexo Hospitalar de Cuiabá, localizado no bairro Jardim Cuiabá. O jurista foi baleado com diversos tiros na manhã de sexta-feira (5) no momento em que chegava no escritório na Avenida Fernando Correa. Câmeras de segurança flagraram o atentado.

Outro lado


A reportagem do Leiagora, procurou a OAB-MT que se posicionou por meio de uma nota sobre o caso, na qual afirma que Renato Nery não protocolou nenhum pedido de proteção institucional devido as possíveis ameaças. Confira abaixo na íntegra a nota enviada. 

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