O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirmou que o plantio no estado deve ganhar ritmo nesta semana com a chegada das chuvas. No entanto, ele destacou que as operações estão atrasadas, o que pode gerar impactos no calendário agrícola, principalmente na plantação de milho.
“As chuvas chegam agora e o plantio deve deslanchar essa semana, porém temos que considerar que, historicamente, o plantio está bem atrasado no Estado. Inclusive, tanto na semana anterior como no final dessa semana, os últimos 15 dias, nós tínhamos uma média, o ano passado, já que seria como na última sexta-feira, 35% do Estado plantado. E, nessa última sexta aí, tínhamos em torno de 9%, ou seja, está bem atrasado”, explicou o presidente da Aprosoja nesta quinta-feira (17).
Sobre a safra de soja, Beber disse que ainda é cedo para determinar impactos, mas o milho pode sofrer prejuízos devido ao atraso no plantio.
“A soja ainda é cedo de falar se vai comprometer ou não, mas, agronomicamente, pode ser comprometido, já por ter deslocamento de época de plantio e fotoperíodo. O milho, se se você olhar historicamente, tem grande chance de perdas maiores, já pelo atraso do plantio da soja. A única coisa que pode melhorar o cenário do milho é se for um ano muito quente, que daí a soja adianta o ciclo e aí o milho pode ser plantado na época certa, como foi o ano anterior”, pontuou.
Beber também destacou que o cenário da safra de 2024 é mais preocupante que o das últimas duas, mesmo com a previsão de boas chuvas.
“O cenário dessa safra, mesmo chovendo bem agora, está pior que das últimas duas safras por conta do atraso de plantio, ou seja, nos últimos 15 dias, nas duas últimas semanas que passaram, no fechamento delas, em ambas, nós tínhamos atraso maior que a média dos últimos cinco anos e maior que o ano anterior, que já foi um ano que atrasou um pouco mais. Então, o cenário para mim é pior que os últimos dois anos, considerando mesmo que haja regularidade das chuvas agora”, disse.
Em relação à safra de arroz e à quebra no Rio Grande do Sul causada por enchentes, Beber se mostrou otimista quanto ao abastecimento nacional.
“Na verdade, o arroz, esse ano, mesmo tendo sido um ano ruim de catástrofe climática, principalmente no Sul do país, ainda é esperado que a produção seja equiparada ao consumo, ou seja, mesmo num ano de baixo, o Brasil vai conseguir suprir o seu consumo”, concluiu Beber.