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27/10/2025 às 08:36

VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Agora Pod | Avallone diz que mulheres precisam de mais direitos e lembra: 'Quem bate nas mulheres são os homens'

O parlamentar mostrou que 83% das mulheres assumem sozinhas o cuidado dos filhos ou parentes, enquanto os homens abandonam o lar

Alline Marques

Agora Pod | Avallone diz que mulheres precisam de mais direitos e lembra: 'Quem bate nas mulheres são os homens'

Foto: Agora Pod/Leiagora

O deputado Carlos Avallone (PSDB) defendeu que as mulheres precisam ter mais direitos do que os homens, em razão da violência de gênero, além da desigualdade de responsabilidades familiares e do abandono paterno que ainda marca a realidade de milhares de famílias brasileiras. Em entrevista ao Agora Pod, o parlamentar também criticou o projeto de lei apresentado pela deputada federal Júlia Zanatta (PL), que propõe incluir homens como possíveis beneficiários da Lei Maria da Penha.

“Mato Grosso lidera o ranking de feminicídios, e isso é uma vergonha para todos nós — principalmente para os homens. Porque não é mulher que bate em mulher. Quem bate nas mulheres são os homens”, afirmou Avallone. Para ele, o enfrentamento à violência doméstica e às desigualdades de gênero não será resolvido apenas com leis, mas exige mudança cultural e investimento em educação.

“Esse não é um problema só da segurança pública, é um problema de formação familiar, de sociedade, de cultura. E a única coisa que transforma é a educação. Se nós não começarmos dentro da escola, não vamos resolver. É o mesmo menino que entra na frente da mãe para defendê-la do pai violento e, anos depois, repete o mesmo comportamento com a esposa. É um processo de formação”, avaliou o deputado.

Ao citar dados que demonstram a sobrecarga feminina nos lares, Avallone destacou que 83% das mulheres acabam abrindo mão da própria vida para cuidar dos filhos ou parentes, muitas vezes com deficiência, enquanto os homens “seguem suas vidas”. “Em 83% das famílias em que há uma criança com deficiência, é a mulher que cuida e o homem abandona. Onde está escrito que é a mulher quem tem que cuidar? Isso é uma vergonha. Se é a mulher que cuida, ela tem que ter mais cuidado, mais proteção e mais direitos do que o homem”, reforçou.

O parlamentar mencionou ainda um levantamento que mostra a disparidade entre mulheres e homens cuidadores em Mato Grosso: cerca de 230 mil mulheres vivem em casa cuidando de alguém, contra apenas 5 mil homens nessa condição. “Que salário elas recebem? Quem paga isso a elas? Elas têm que parar a vida. Muitas têm dois ou três filhos com algum tipo de necessidade especial e estão sozinhas. Estamos olhando para as crianças e esquecendo de olhar para as mães”, criticou.

Sobre o projeto de lei de Júlia Zanatta, que busca incluir homens na Lei Maria da Penha, Avallone disse não ver sentido na proposta. “Sinceramente, eu não consigo entender qual seria o motivo de colocar os homens na Maria da Penha. É querer mostrar que os homens também têm problema? Lógico que deve ter, mas não é esse o sentido da coisa”, afirmou. Para ele, a proposta distorce o propósito original da lei, que foi criada para proteger as mulheres da violência doméstica e de um contexto histórico de desigualdade.

“Enquanto as mulheres estão cuidando dos filhos, dos pais e dos avós, os homens, muitas vezes, montam outra família e tocam a vida. As mulheres merecem mais direitos porque são elas que seguram as pontas. Não estou falando de todos os homens, mas daqueles que acham que esse problema não é deles. Eles ajudam financeiramente, mas não com a presença, com o carinho, com o cuidado”, acrescentou.

Avallone também destacou a importância da criação do Orçamento Mulher, iniciativa que permite identificar e destinar recursos específicos para políticas voltadas à equidade de gênero. “As mulheres estão se enxergando no orçamento. Antes, ninguém se via lá. E isso é fundamental para corrigir desigualdades que vêm desde a base familiar até a representação política”, afirmou.

Para o parlamentar, a transformação dessa realidade passa por ações coordenadas entre o poder público e a sociedade civil, com foco em educação, acolhimento e políticas integradas. “O governo faz muita coisa, o Judiciário também, mas ninguém está fazendo isso em rede. A Assembleia tem capacidade de coordenar e de mudar a direção dos recursos. Esse é o caminho para mudar de verdade”, concluiu.

Assista a entrevista


 
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