Agora Pod | Avallone reconhece encolhimento do PSDB: 'não ter candidatura nacional foi fatal
Apesar da crise na legenda, o parlamentar, filiado desde 1996, não pretende deixar o partido e defende que o PSDB se reencontre dentro do novo cenário político
O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) reconheceu que o Partido da Social Democracia Brasileira vive uma das maiores crises da história da legenda, mas afirmou que não pretende deixar a sigla. Em entrevista ao Agora Pod, o parlamentar fez uma 'mea-culpa' sobre os erros internos do partido, atribuiu o enfraquecimento nacional à falta de candidatura à Presidência da República em 2022 e relembrou, com tom saudosista, as transformações promovidas pelo PSDB no Brasil e em Mato Grosso.
“Eu acho que nesse momento nós temos que fazer uma mea-culpa. Não termos tido um candidato à Presidência da República foi fatal para nós. Fizemos uma belíssima pré-campanha, uma disputa interna importante. Eu, como militante do PSDB, nunca fui tão valorizado como fui naquela prévia”, afirmou.
Avallone recordou o processo de escolha interna que envolveu João Doria e Eduardo Leite, quando ambos percorreram o país disputando as prévias tucanas. “Trouxe os dois aqui. Eles falaram com o governador, com lideranças do interior. O PSDB trouxe a democracia para o processo de escolha da candidatura. Mas depois o Doria ganha e desiste. Aquilo foi fatal. Ele sai do partido, abandona a política. Depois o Eduardo Leite também sai e vai para o PSD. Isso foi muito ruim, foi uma culpa interna do PSDB. Nós não soubemos administrar isso”, avaliou.
Para o parlamentar, se o PSDB tivesse mantido uma candidatura própria, ainda que derrotada, teria garantido palanque, fortalecido sua base e elegido mais deputados federais e estaduais. “Se o candidato tivesse perdido, não teria problema. Nós teríamos defendido nossas teses e mantido o protagonismo”, ponderou.
Avallone reconheceu que o partido passa por um período de encolhimento natural, comum às legendas que saem do poder, mas afirmou que continua tucano por convicção e lealdade.
“O partido, quando está no poder, incha. Quando perde o poder, encolhe. E nós estamos nessa fase. Mas eu sou um PSDBista convicto. Eu entrei no PSDB em 1996 e estou no PSDB até hoje. A imprensa me pergunta se vou mudar de partido, e eu sempre respondo: posso até não conseguir montar a chapa, mas sair do PSDB eu espero não sair”, disse.
Segundo o parlamentar, muitos políticos brasileiros deixaram de compreender o significado da vida partidária e da importância de uma legenda com ideologia. “O sistema é que está errado. As pessoas não entendem o que é um partido. Eu conheço o estatuto do meu partido, sei a política do PSDB e acredito nela. Tem gente que erra em qualquer lugar, mas o PSDB tem uma regra interna, e eu concordo com ela”, afirmou.
Avallone também fez questão de destacar o legado histórico do PSDB no país. “O PSDB foi responsável pelas grandes transformações do Brasil e de Mato Grosso. Nenhum outro partido fez o que nós fizemos. Fizemos a Lei de Responsabilidade Fiscal, acabamos com a inflação, fizemos a privatização da telefonia e do setor elétrico. Só temos celular hoje porque o PSDB abriu o mercado e modernizou o país”, lembrou.
Ao citar a importância do partido em Mato Grosso, Avallone exaltou o legado do ex-governador Dante de Oliveira, ícone tucano no Estado. “Quando o Dante assumiu, o Estado era inviável. Ele pegou salários atrasados, empresas inchadas e sem energia em 40 municípios. Enxugou a máquina, fez parcerias, implantou o gasoduto e a termoelétrica. Quando entrou, Mato Grosso importava energia; quando saiu, já era exportador. O PSDB mudou a história do Estado”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades, Avallone afirmou que o PSDB tem um papel a cumprir e deve reconstruir seu espaço político com base na moderação, na eficiência de gestão e no respeito ao eleitor. “O PSDB precisa se reencontrar. Já passou por momentos difíceis, mas sempre se reinventou. Eu acredito que ainda temos muito a contribuir com o Brasil e com Mato Grosso”, concluiu.
Assista à entrevista
Clique aqui, entre na comunidade de WhatsApp do Leiagora e receba notícias em tempo real.
Siga-nos no Twitter e acompanhe as notícias em primeira mão.
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nosso site, você concorda com tal monitoramento. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.