O deputado estadual Júlio Campos (União) avalia que o partido pode sair enfraquecido das eleições proporcionais de 2026 caso não tenha candidatura própria ao Governo de Mato Grosso. Por isso, insiste que a legenda lance um nome ao Palácio Paiaguás, ainda que não chegue a um eventual segundo turno.
A leitura política do parlamentar, que acumula longa experiência em disputas eleitorais, parte da frustração com o resultado de 2022, quando o União Brasil elegeu apenas quatro deputados estaduais — número abaixo da expectativa de cinco ou mais. Entre os que ficaram de fora, Júlio cita o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, e o ex-deputado Xuxu Dal Molim, que ficaram na suplência.
“Se tivermos candidatura própria para governador, ao invés de eleger dois ou três deputados, podemos eleger quatro ou cinco estaduais e até quatro federais, ao invés de um ou dois. Para a militância, para ter mais votos, é necessário ter candidato próprio ao governo”, analisou.
Para Júlio, não pode haver candidatura “goela abaixo”. Ele defende que a base do partido seja ouvida e diz que, junto com o irmão, senador Jayme Campos (União), tem percorrido o interior em busca de apoio entre os filiados. O parlamentar lembra que o União Brasil tem 55 mil filiados e não se resume à figura do governador Mauro Mendes, que defende o apoio ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
O deputado também afirma que não há problema em deixar a definição para o período das convenções. “Não é inviável, porque o órgão soberano é a convenção, que deve ser realizada entre julho e 6 de agosto. Mas nós, através do diretório estadual, deputados, vereadores e prefeitos, queremos ser ouvidos. Goela abaixo, não vamos aceitar imposição de candidatura”, declarou.
Júlio disse respeitar Pivetta, mas ressaltou que o vice-governador vem trabalhando na construção de chapas próprias de candidatos a deputado estadual e federal pelo Republicanos. “Agora cabe aos membros do União Brasil construir as chapas proporcionais e também escolher um nome para governador”, afirmou.
O parlamentar considera natural que o governador Mauro Mendes concorra ao Senado, mas reforça que a base quer um nome próprio para o governo. Ele pondera que, em um eventual segundo turno, o partido pode apoiar outro candidato.
“Porque a eleição é de dois turnos. Cada partido apresenta seu candidato e seu programa de governo. Se o nosso candidato não for para o segundo turno, aí sim poderemos apoiar outro — pode ser o Pivetta, se ele for, ou o próprio Wellington Fagundes, qualquer candidato que seja simpático ao nosso partido”, concluiu Júlio.
Apesar das expectativas do parlamentar sobre a disputa em dois turnos, vale lembrar, que nunca houve uma disputa para governo com segundo turno em Mato Grosso.