O governador Mauro Mendes (União) criticou duramente as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que classificou traficantes como “vítimas dos usuários de drogas”. Mendes afirmou que o posicionamento do presidente demonstra falta de compromisso do governo federal com o combate às facções criminosas e reforçou seu apoio à proposta que busca enquadrar esses grupos como organizações terroristas.
“Me entristeceu muito ouvir que os traficantes são vítimas dos usuários de drogas. Me desculpa, senhor presidente, evito criticar, mas eu e mais de 90% dos brasileiros não concordamos com isso. Então, não dá para acreditar que um governo que tem este tipo de pensamento, que faz este tipo de declaração, vai conduzir corretamente a Segurança Pública e o combate às facções”, afirmou o governador.
O posicionamento de Mendes ocorre em meio à intensificação do debate sobre segurança pública no país, impulsionado pela PEC da Segurança, que prevê medidas mais duras contra o crime organizado, e pela megaoperação no Rio de Janeiro que terminou com mais de 120 mortos.
Para o governador, é urgente avançar na aprovação da proposta que equipara as facções criminosas a grupos terroristas, permitindo punições mais severas e maior poder de atuação aos estados.
“Terrorista é quem espalha terror, quem usa da força e da intimidação para impor sua ideologia e sua vontade. As facções fazem isso: arrancam corações, cortam cabeças e exigem fuzis nas ruas, subjugando comunidades. Se isso não for terror, o que será?”, questionou.
Mauro também defendeu autonomia legislativa para os estados no combate ao crime organizado, argumentando que a legislação atual, baseada em um Código Penal de 1940, já não reflete a realidade da criminalidade contemporânea. “Precisamos aprofundar esse debate. Existem alternativas que passam necessariamente por revisitar o nosso Código Penal e o Código de Processo Penal. Se eu tivesse autonomia em Mato Grosso, pode ter certeza que bandido não faria o que faz hoje aqui”, completou.
O governador tem se posicionado de forma firme nas discussões nacionais sobre segurança pública e reforçado a necessidade de leis mais rígidas e de uma postura coerente por parte do governo federal no enfrentamento às facções criminosas.
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