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11/11/2025 às 08:20

NA BRONCA

Vídeos | Mauro confronta países ricos, cobra 100 bilhões prometido: 'os gringos vêm tirar foto e voltam a poluir'

Governador denuncia hipocrisia ambiental dos países ricos que querem interferir no Brasil, mas continuam poluindo o planeta

Alline Marques

Vídeos | Mauro confronta países ricos, cobra 100 bilhões prometido: 'os gringos vêm tirar foto e voltam a poluir'

Foto: Lucas Rodrigues/Secom-MT

Em meio ao debate sobre os impactos ambientais da produção no mundo, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém (PA), o governador Mauro Mendes (União) não baixou a cabeça para os estrangeiros e adotou um tom duro contra as potências mundiais, cobrando coerência entre discurso e prática.

O gestor mato-grossense criticou o comportamento dos países ricos que, segundo ele, “continuam queimando combustíveis fósseis”, ao mesmo tempo em que apontam o dedo para o Brasil e não cumprem o compromisso de destinar US$ 100 bilhões anuais para financiar ações ambientais em países em desenvolvimento, promessa feita há mais de três décadas.

“Cadê os 100 bilhões que prometeram há décadas e nunca cumpriram? Não queremos migalhas. Queremos que cumpram o que prometeram e coloquem a mão no bolso”, cobrou Mendes.

O governador afirmou que as economias desenvolvidas mudaram muito pouco em 30 anos de conferências sobre o clima, mantendo práticas altamente poluentes. “Os Estados Unidos, a maior economia do planeta, usam xisto com alto poder de poluição. Continuam queimando carvão, continuam aumentando o consumo e ainda apontam o dedo para o Brasil. Atentado ao planeta é mentir, como eles têm mentido com esses dados e com esses números”, disparou.

Mendes ainda ironizou a postura de lideranças estrangeiras que, segundo ele, tratam as conferências como palco para boas fotos e discursos vazios. “Tem gente que vem aqui, tira uma foto com os indígenas e vai embora. Volta a fazer o que sempre fez: poluir o planeta. E querem que a gente pague a conta”, criticou.

Mato Grosso como exemplo de preservação

Em defesa da imagem do Brasil e de Mato Grosso, Mendes ressaltou que o estado tem 60% do território preservado, conciliando produção agropecuária com conservação ambiental.

“Produzimos alimentos para o Brasil e para o mundo e, ao mesmo tempo, garantimos a segurança ambiental do planeta. Veja a preservação que há na França, nos Estados Unidos, na Argentina ou na China — é muito menor que a nossa”, afirmou.

O governador destacou ainda que Mato Grosso é o maior produtor do agronegócio nacional e que isso “precisa ser reconhecido”.

“Somos grandes exportadores e garantimos a segurança alimentar do mundo e do Brasil. Queremos respeito. Se querem pagar, que cumpram as promessas, porque migalhas não resolvem o problema do nosso país e do nosso povo”, completou.

Infraestrutura e soberania

Ao falar sobre as críticas internacionais à construção da Ferrogrão, Mendes foi enfático ao defender o projeto e apontar o contrassenso das críticas. “Quanto custa transportar nossa produção com milhares de caminhões? Qual é o prejuízo ambiental disso? Aí vem o senhor Macron e algumas ONGs dizer que a Ferrogrão é um atentado ao planeta. Atentado ao planeta é mentir”, rebateu.

Metodologia e manipulação de dados

O governador também questionou mudanças nas metodologias de medição de desmatamento. Segundo ele, dados distorcidos prejudicam o reconhecimento dos esforços brasileiros.

“Toda hora sai uma estatística diferente. Ano passado, Mato Grosso foi o estado que mais reduziu o desmatamento, mas mudaram a forma de contabilizar. O produtor não quer queimar nada: a palhada é um patrimônio. É como se um comerciante queimasse o próprio estoque”, ironizou.

Autonomia nacional

Encerrando, Mendes defendeu o cumprimento rigoroso das leis ambientais brasileiras e criticou o que chamou de interferência indevida de outros países.

“Temos que preservar nossos ativos e cumprir a lei brasileira. Sempre defendi penas duras, duríssimas, para quem descumpre o Código Brasileiro. O que não aceitamos é que venham de fora querer ditar as regras”, concluiu.

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