Para o deputado estadual Júlio Campos (União), a direita já está rachada há muito tempo e a crise entre o governador Mauro Mendes (União) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que trocaram ataques públicos nos últimos dias, é apenas o reflexo do cenário de embates que deve se intensificar até as eleições de 2026. “A direita já está dividida, tanto no âmbito nacional quanto local”, disse nessa segunda-feira (10).
Em âmbito nacional, boa parte das lideranças da direita, entre elas o governador Mauro Mendes, tem apostado no nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal alternativa para disputar as eleições presidenciais de 2026, diante da impossibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concorrer em razão de sua condenação.
No entanto, os bolsonaristas mais radicais mantêm a esperança de que seja aprovada uma anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelo 8 de Janeiro, o que permitiria a Bolsonaro voltar à disputa. Entre eles está Eduardo Bolsonaro, que vem tentando desgastar a credibilidade de Tarcísio junto ao eleitorado bolsonarista ao associar a imagem do governador à do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator da ação penal que resultou na condenação do ex-presidente.
Mauro saiu em defesa de Tarcísio, de quem afirma ser amigo, e criticou as declarações de Eduardo, chegando a relembrar o episódio do “tarifaço” e a suposta influência do filho 03 do ex-presidente na articulação de uma crise econômica para o Brasil. Eduardo reagiu no mesmo tom, cobrando de Mauro mais empenho na articulação da anistia.
Na avaliação de Júlio, a troca de farpas pública pode comprometer o apoio que Mauro vinha recebendo de Bolsonaro. O governador chegou a ser cogitado para compor a chapa do PL ao Senado Federal ao lado do deputado José Medeiros (PL), também pré-candidato.
“Com esse imbróglio com o principal filho do Bolsonaro, o mais querido e próximo, pode haver um enfraquecimento da relação [...]. É lamentável, porque o nível que chegou a discussão foi um pouco baixo. Em política tudo é possível, mas a gente vê com preocupação”, disse.
Em âmbito regional, a disputa pela vaga ao governo estadual também tem revelado a falta de sintonia dentro do próprio espectro político da direita. Embora o senador Wellington Fagundes seja apontado como o pré-candidato do PL, sua pré-candidatura vem sendo colocada à prova por lideranças da sigla que demonstram preferência pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
“A maioria dos militantes do PL recomendam a candidatura própria do cidadão Wellington Fagundes. Uma minoria, alguns prefeitos que querem tirar algum proveito da estrutura econômica e financeira do governo, não querem ter o seu candidato próprio”, avaliou Júlio.
Para Júlio Campos, a disputa revela não apenas um conflito de personalidades, mas um choque entre grupos: o bolsonarismo mais radical e a direita que ele chama de “autêntica”. Na avaliação dele, a fragmentação enfraquece o campo conservador e pode dificultar a articulação nacional em torno do nome de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, apontado por setores da direita como alternativa para disputar a Presidência em 2026.
Clique aqui, entre na comunidade de WhatsApp do Leiagora e receba notícias em tempo real.
Siga-nos no Twitter e acompanhe as notícias em primeira mão.
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nosso site, você concorda com tal monitoramento. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.