Em entrevista ao Agora Pod, o presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, elevou o tom contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e acusou o pré-candidato de fabricar uma aproximação política com Jair Bolsonaro (PL). Para o dirigente, não houve qualquer “bênção” do ex-presidente à estratégia de múltiplas candidaturas da direita em 2026, narrativa sustentada por Zema nas últimas semanas para defender sua entrada na disputa presidencial.
Ananias classificou a conduta do mineiro como calculada e oportunista. Na visão do dirigente, Zema tenta construir para si uma imagem palatável ao eleitorado bolsonarista ao mesmo tempo em que evita assumir publicamente o desgaste de se associar integralmente ao ex-presidente.
“O Zema é um mineirinho que quer ir na cabeça das pessoas com aquela ideiazinha do pão de queijo, de comer banana com casca... Ele quer é agradar parte do bolsonarismo se colocando como amiguinho de Bolsonaro. Não tem isso”, afirmou, acrescentando que, caso Bolsonaro realmente tivesse endossado o projeto, o gesto teria sido publicizado em vídeo, algo que, segundo ele, nunca ocorreu.
O presidente do PL foi ainda mais incisivo ao acusar Zema de contribuir para a fragmentação do campo conservador, justamente enquanto tenta vender a narrativa de que sua candidatura representa uma estratégia conjunta da direita. Para Ananias, o discurso do mineiro é uma tentativa de suavizar a divisão que, na prática, sua pré-campanha provoca. “Ele está dividindo a direita, mas quer parecer o cara. Quer dizer que não divide, mas divide”, garantiu.
O dirigente também criticou o que chama de uso oportunista do capital político de Bolsonaro. Em sua avaliação, há uma disputa velada dentro da direita por parcelas simbólicas do “feudo bolsonarista”, protagonizada por figuras que, segundo ele, tentam herdar a força eleitoral do ex-presidente sem assumir plenamente sua defesa. “Todo mundo quer ser ungido pelo Bolsonaro, mas ninguém quer ir para a rua defender o Bolsonaro.”
Ao ser questionado se lideranças regionais, como o governador Mauro Mendes (União Brasil) e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) — pré-candidatos ao Senado e governo de Mato Grosso, respectivamente —, se enquadrariam nesse perfil, Ananias respondeu de forma indireta, mas contundente, sugerindo que a postura de ambos revela pragmatismo eleitoral e conveniência política.
“É o que uma pessoa sábia e inteligente sabe interpretar. Não adianta a gente pensar que não, é só ter um pouquinho de massa cinzenta, não precisa ter muito. A gente sabe que tem muitos aproveitadores usando o nome Bolsonaro onde lhe convém”, disparou.
Ananias ainda declarou ter mais respeito pelos candidatos do espectro da esquerda, pois estes “pelo menos têm a dignidade de ficar contra nós, do outro lado”, enquanto aqueles que tentam se aproveitar do nome Bolsonaro agem com “descaramento”.
As declarações expõem a crescente disputa interna pela liderança da direita no país, às vésperas de uma eleição que promete forte competição entre nomes que buscam, cada um a seu modo, ocupar o vácuo político deixado pela inelegibilidade de Bolsonaro.
Assista à entrevista completa:
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