José Antonio Pinto, proprietário das terras do Contorno Leste, afirmou que não houve acordo com a Prefeitura de Cuiabá no caso de desapropriação do terreno. Segundo José, a família está disposta a acolher as famílias vulneráveis que estão ocupando a região e há também um acordo na justiça para doação de parte das terras.
“Eu só vim aqui porque a gente percebe que na mídia estão dizendo que há um acordo, não é um acordo, é uma imposição”, relatou José Antônio Pinto. Ele é filho de João Pinto, idoso que foi assassinado ainda em 2023, logo depois da invasão na área.
A Prefeitura anunciou no fim de semana que irá realizar a regulamentação fundiária da área. Ocorre que os proprietários da terra já tinham destinado parte do local às famílias em situação de vulnerabilidade, porém o Município recusou, segundo José.
O proprietário reiterou que ele não busca dificultar o processo e que é de interesse dele também dar assistência às famílias. “A gente não está criando dificuldade, a gente quer ajudar as pessoas, mas com critérios, critérios que o Estado nos orientou a tomar, são 200 famílias vulneráveis e nós estamos dispostos a ajudar essas pessoas”, constatou José.
O proprietário usou a tribuna da Câmara também para comentar o assunto e teve apoio de alguns vereadores contrários à medida tomada por Abilio, que anunciou a regularização da área no fim de semana, aparentemente, sem dialogar com os parlamentares.
José Antônio afirmou que, desde 2022, a família busca uma solução definitiva para as famílias que ocupam a área do Contorno Leste e chegou a doar 5,7 hectares da parte alta da fazenda — local seguro, sem risco de enchentes — para abrigar as 172 pessoas identificadas pela Setasc. Segundo ele, a proposta foi recusada pela Prefeitura, sem explicação. “Queremos restabelecer a verdade. Isso nunca foi divulgado”, disse.
Outro ponto ressaltado pelo proprietário da área é de que não há interesse financeiro, ao contrário, a fazenda faz parte da história da família desde 1967. Ele relembrou que o pai, João Antônio Pinto, morreu aguardando uma solução para a disputa fundiária e que parte da fazenda foi utilizada para a construção do Contorno Leste com autorização da família, o que paralisou atividades rurais. Após a obra, afirma, começaram as invasões e o desmatamento irregular, denunciados por ele à Sema e à Dema.
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