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Notícias / Região Araguaia

09/07/2019 às 10:50

Empresário diz que fechar BR-158 trará prejuízo enorme à região Araguaia, secretário contradiz

O MPF ingressou com uma ação civil pública pedindo o fechamento da BR-158 no prazo de um ano, alegando que o traçado passa dentro da comunidade indígena Xavante Marãiwatsédé

Luana Valentim

Empresário diz que fechar BR-158 trará prejuízo enorme à região Araguaia, secretário contradiz

Foto: Facebook

O secretário Administrativo de Água Boa, Luiz Pichetti, disse nesta terça-feira (09), para o Leiagora, que a decisão do Ministério Público Federal de ingressar com uma ação civil pública, pedindo o fechamento da BR-158 no prazo de um ano, não trará prejuízo para a região Araguaia.

A ação é contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a União Federal. O MPF alega que o traçado passa dentro da comunidade indígena Xavante Marãiwatsédé.


Saiba Mais: MPF pede fechamento da BR-158 no prazo de um ano

Pichetti relatou que, no mês passado, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), esteve em Barra do Garças para o lançamento do programa de recuperação do Rio Araguaia.

Na ocasião, ele falou da possibilidade de ampliação e privatização da BR-158. Ainda prometeu asfaltar o trecho alternativo que inicia no Posto Araúna na BR-158, passa pelos municípios de Bom Jesus, Serra Nova Dourada e Alto da Boa Vista e retoma ao traçado original.

 
“O presidente Bolsonaro disse que irá asfaltar esse trecho. Então, se houver o fechamento da BR-158, há esse trecho alternativo”, informou.

Pichetti relatou que, caso esse traçado alternativo seja realmente asfaltado, não haverá prejuízo algum para a região. Pelo contrário, pois as cidades que estão isoladas da BR-158, como Bom Jesus, Serra Nova Dourada e Alto da Boa Vista, ficariam integradas.
 
“Vejo até como uma certa vantagem, apesar de o traçado ser acidentado e com mais curvas do que o original. Então talvez o impacto talvez seria na obra de engenharia em si. Mas para a região não teria prejuízo adicional para a economia regional. Precisamos é que esse trecho alternativo seja trabalhado e asfaltado”, pontuou.

O empresário Wanderlei Carneiro, que é dono de restaurantes e de uma casa agropecuária para pets em Água Boa, disse que, caso o MPF feche o traçado, essa ampliação e privatização teriam que ser feitas em um outro traçado.
 
“O governo tem o projeto de asfaltamento nos 108 km da BR-158 que faltam para ligar Confresa. Ele deverá tomar a decisão para tal obra na área indígena ou não”, explicou.

Ele avaliou que a decisão do MPF irá trazer um prejuízo enorme para a região Araguaia, pois este ato não ajuda em nada os indígenas que estão no local sem assistência e o mínimo para sobrevivência.
 
Wanderlei informou que, há anos, existe uma discussão sobre este traçado, mas até hoje nada foi resolvido. A BR-158 tem um fluxo muito grande para o escoamento da safra agrícola e pecuária da região, o que movimenta a economia dos municípios.
 
“Provavelmente ainda tem algum PT dentro do MPF. A BR-158 nunca cortou terras indígenas, quero que prove!”, disparou.
 
Em 2013, foi realizada uma operação retirando as famílias que moravam no vilarejo de Posto da Mata, no município Alto da Boa Vista. Acontece que o governo Dilma Rousseff (PT) decidiu transformar a área dos 165 mil hectares da Suiá Missu em reserva Indígena Xavante, denominada Marawatsede.
 
De acordo com a Funai, o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé desde a década de 1960. Nesta época, a Agropecuária Suiá Missu instalou-se na região. Em 1967, os índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, onde permaneceram por cerca de 40 anos.
 
“Dilma desapropriou os moradores e acabou com o vilarejo de Posto da Mata, devolvendo, segundo ela, aos índios o traçado da BR-158. Isso teria que ser mudado, passando pelas cidades de Bom Jesus, Serra Nova Dourada e Alto da Boa Vista. O que aconteceu no Posto da Mata foi coisa do PT”, afirmou.
 

 


 
 

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