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Notícias / Judiciário

16/07/2019 às 09:12

Paulo Taques é denunciado pela PGJ por envolvimento no esquema de grampos ilegais

Ele teria acionado a Justiça com falsas informações para interceptar telefones para evitar que sua intimidade fosse exposta e que fatos ocorridos na Casa Civil viessem a público

Luana Valentim

Paulo Taques é denunciado pela PGJ por envolvimento no esquema de grampos ilegais

Foto: Reprodução da internet

O ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, foi denunciado pela Procuradoria-Geral de Justiça no processo que investiga as interceptações telefônicas ilegais, que ficou nacionalmente conhecida como Grampolândia Pantaneira.

Segundo a PGJ, Paulo pediu para que fossem realizadas as interceptações sem autorização legal, ainda pediu para investigar Tatiane Sangalli Padilha e Caroline Mariano levadas no efeito do bojo das operações Forti/Pequi e Querubim, imputando-lhes crime dos quais eram inocentes.

Tatiane era assistente de gabinete e amante de Paulo entre 2009 e 2015, quando ele assumiu o cargo de secretário-chefe da Casa Civil.

As interceptações iniciaram em 2014, durante a campanha para o governo em que Pedro Taques (PSDB) foi eleito. Para isso, foi montado um escritório para realizar os grampos ilegais na modalidade ‘barriga de aluguel’.

Tatiane foi uma das grampeadas na época. Ela perdeu o cargo no início da gestão Pedro Taques e passou a cobrar outro cargo de seu amante, com a negativa, houve o rompimento do relacionamento.

“Todavia, mesmo diante do fim do caso, Tatiane continuava procurando Paulo Taques cobrando o pagamento da parcela de um veículo Renault Duster, no valor de R$1.000,00 (mil reais), que o acusado havia se comprometido a arcar; aparecia em eventos oficiais; enfim, incomodava o então Secretário da Casa Civil”, diz trecho da denúncia.

Consta ainda que durante o relacionamento com Paulo Taques, Tatiane desenvolveu um vínculo de amizade com Caroline que era funcionária do como advogado, em 2015 ela passou a trabalhar com ele na Casa Civil.

“O Acusado, preocupado com o término de seu relacionamento, já que Tatiane estava magoada e poderia atingi-lo expondo sua intimidade e, ainda, desconfiado que Caroline vazava informações de seu gabinete para o jornalista Muvuca, cujas matérias prejudicavam a imagem do Governo, resolveu, então, monitorar os três”.

Então Paulo Taques aproveitou da amizade que sua amante tinha com Kelly Arcanjo – filha de João Arcanjo – e inventou uma ‘história cobertura’ afirmando que o Comendador obteria, por meio de Caroline e Tatiane, informações suficientes para planejar um atentado contra sua vida e do então governador Pedro Taques, seu primo.

Foi quando comunicou ao então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, que o então governador corria risco de morte. Para comprovar suas alegações, Paulo apresentou um papel com supostas conversas telefônicas interceptadas – fora do padrão costumeiramente utilizado pelos órgãos de investigação oficiais – denotando que duas mulheres tramariam algo contra si e seu primo.

“Questionado por Mauro Zaque sobre a origem do documento, o Acusado alegou ser proveniente de órgãos federais. Todavia, há fortes indícios de que as conversas contidas na folha A4 eram provenientes do escritório clandestino da “Grampolândia Pantaneira”, fato este não sabido pelo secretário.

Zaque então acionou o secretário-executivo de Segurança Pública à época, Fábio Galindo Silvestre que também foi comunicado pessoalmente por Paulo sobre as ameaças. O ex-secretário ainda disse que Arcanjo tramava casar-se com Tatiane com o objetivo de se transferir para Mato Grosso e, ao mesmo tempo, tentar algo contra sua vida e do governador.

Diante da gravidade, Fábio chamou a delegada de Polícia Civil, Alessandra Saturnino, que ocupava, à época, a Secretaria-Adjunta de Inteligência, para uma reunião na sede da SESP, onde Paulo novamente apresentou o documento alegando ter obtido de órgão federal.

No entanto, a delegada se negou a interceptar o telefone do jornalista José Marcondes Muvuca, por entender que não estava claro o seu papel nas supostas ameaças às vidas do ex-governador e do, à época, secretário. No dia seguinte, Alessandra entrou em contato com a então diretora de Inteligência da Polícia Civil, Alana Darlene Cardoso,  e repassou as informações que havia recebido de Paulo .

Alana comandava à época a Operação Forti, que tramitava perante a 7ª Vara Criminal e visava combater as organizações criminosas instaladas nos presídios de Mato Grosso, em especial, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

As delegadas, com o intuito de investigar a suposta ameaça, inseriram os telefones de Tatiane e Caroline junto a alguns numerais da Operação Forti, dando a elas os codinomes “Dama Loura” e “Amiguinha”, respectivamente, apelidos estes informados por Paulo.

“Aqui é bom ressaltar que não foi esclarecido por Alana em sua representação encaminhada ao Poder Judiciário quem seriam, de fato, “Dama Loura” e “Amiguinha”, e nem o real motivo de pleitear a interceptação de seus numerais. Em outras palavras, a Delegada de Polícia Alana Darlene, com a aquiescência de sua colega Alessandra Saturnino, de forma desleal induziu a erro o Poder Judiciário e o Ministério Público”.

Os áudios referentes a “Dama Loura” e “Amiguinha” foram destacados dos demais alvos da Operação Forti, dando início a uma outra operação que ficou circunscrita apenas ao âmbito interno da SESP, denominada “Operação Pequi”. Durante os 15 dias em que foram grampeadas, não foram constatadas as ameaças.

Em março de 2015, a Gerência de Combate ao Crime Organizado, sob o comando do delegado Flávio Stringueta, deflagrou a “Operação Querubim” declinando de maneira clara os nomes de Tatiane e Caroline, bem como o porquê de pleitear a quebra de suas comunicações telefônicas. No entanto, mais uma vez nada foi apurado o envolvimento delas com ameaças à vida de Paulo e Pedro Taques.

“Isto demonstra que a suposta ameaça contra a vida do Chefe da Casa Civil e do Governador nunca existiu, não passando de uma “história cobertura” inventada pelo Acusado para monitorar, ilegalmente, sua ex-amante e sua secretária. Com efeito, o intento de Paulo Taques nunca foi realizar uma investigação criminal, mas sim evitar que sua intimidade fosse exposta e que fatos ocorridos na Casa Civil viessem a público”.
 
 
 

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