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01/11/2019 às 14:55

"Fracasso te dá boas lições", diz Léo sobre carreira sem o irmão Victor

O cantor falou com a RS Country Brasil também sobre a nova turnê "Identidades"

Leiagora

Foto: Divulgação

Aos 43 anos, Léo Chaves se reinventou como cantor solo após se separar artisticamente do irmão, Victor, com quem cantou junto por mais de 20 anos. E a primeira mudança foi deixar de lado o sobrenome. Agora, ele quer ser conhecido apenas por Léo.

Em entrevista à Rolling Stone Country Brasil, o cantor, que também está se aventurando como escritor e palestrante, falou sobre as mudanças da vida e sobre seu novo livro, "A Grande Arte de Se Reinventar".

"Reinventar-se é jogar-se num oceano no qual você não enxerga a terra firme. Você tem que aliar o medo e a coragem. Não existe a história de ser bem sucedido ou não. O fracasso te dá boas lições. Quer dizer, sempre vai dar certo", disse.

É a partir desse discurso que Léo batizou a nova turnê: "Identidades" e também tem escolhido as parcerias com quem vai cantar, como Ludmilla, na música "Sol das Seis", lançada em julho.

"Escolhi Identidades como nome da turnê porque vou mostrar meus diversos lados. Cantei em barzinho por 15 anos e sempre interpretei outras vozes", contou Léo, que estreia em São Paulo a nova turnê, que terá mais de 3h de duração, em 20 de dezembro, no Unimed Hall.

Brigas com o irmão
Em 2017, quando a dupla Victor & Leo era jurada do The Voice Kids, na Globo, a mulher de Victor, Poliana Chaves, registrou um boletim de ocorrência onde afirmava ter sido agredida por Victor. A denúncia fez com que o cantor se afastasse do programa e Léo se viu envolvido no meio de um fogo cruzado entre defender ou não o irmão.

Depois daquele episódio, no entanto, eles seguiram juntos por mais dois anos até que a dupla foi desfeita. Agora, Léo voltou para a TV como jurado, desta vez do programa The Four, da Record onde desabafou que brigava muito com o irmão nos bastidores do The Voice Brasil.

Confira a entrevista:
RS Country BR: Você precisou se reinventar para a carreira solo?

Léo: Estou me sentindo um aventureiro. Estou me reinventando artisticamente falando. Não quero ser um "novo" Victor & Leo. Quero construir a minha história artística com novos arranjos. Quero ter uma identidade própria e isso acontece aos poucos.

No meu livro "A grande arte de se reinventar", que sai neste mês, eu conto que para você se reinventar, você tem que abrir mão da terra firme e de onde você está pisando, para se jogar no oceano da descoberta. Você não sabe quantas braçadas terá que dar para chegar em outro lugar, porque você não está enxergando a terra. Se reinventar é se jogar num lugar que você não enxerga. Você tem que construir. O fracasso te dá boas lições. O novo é sinônimo de vida. E reinventar é sinônimo de viver intensamente.

Quais são os riscos de se reinventar?

Não há segurança nessa história. O ontem é aquela terra firme que não tem o mesmo sabor mais. O ontem tem prazo de validade. Toda conquista tem prazo de validade e muitas vezes você já venceu e não sabe. Vencer é mais seguro e confortável mas não é tão divertido quanto se jogar no mar. Temos medo de arriscar e se reinventar e viver as aventuras da vida. As pessoas querem a segurança, mesmo que paguem mais caro com a felicidade.

Você não sente falta do irmão ao seu lado no palco?

A saudade é um ingrediente fundamental na vida. Eu sinto saudade, sinto falta. E olho pro lado e busco aquele som do violão do meu irmão tão ímpar. Eu sinto falta da segunda voz. A saudade está no pacote da vida. Viver com a saudade é saber adocicar o café.

Na Record, você disse que estava brigando muito com o Victor...

Fui muito honesto. Eu disse uma coisa que acontece com qualquer ser humano. Irmão propõe acertos e derrotas. Ou seja, nós temos nessa relação de irmãos rosas e espinhos. Nem por isso, o espinho precisa ser ruim. Aprende-se com as brigas. Mas nossa relação era temperada com muitos conflitos, com muitas brigas intensas, desde criança. Hoje, a nossa relação é bastante ativa, bem mais ativa do que antes.

A acusação de que seu irmão agrediu a mulher foi um divisor de águas na sua carreira?

Não teve absolutamente nenhuma relação para eu seguir solo. A gente continuou dois anos depois, fazendo show e lançando projetos. Depois daquele episódio fizemos mais duas turnês anuais. Não teve nada a ver.

Então, o que motivou a separação da dupla?

O divisor de águas foi entender que havia um desgaste societário. O projeto de 27 anos que tínhamos estava enfrentando um momento difícil e gerando conflitos em objetivos e metas. Entendemos que era mais inteligente preservar a relação de irmãos e de amigos e encerrar nosso projeto societário.

O show da sua nova turnê, Identidades, terá também músicas do Victor & Leo?

Eu sempre vou cantar e tocar Victor & Leo. É claro que, aos poucos, eu vou colocando a minha digital. Estou lançando aos poucos as minhas músicas da carreira solo. A tendência é que fique cada vez mais com a minha cara. Dei o nome da turnê de Identidade porque são varias identidades que eu mostro. Já cantei em barzinho por 15 anos e interpretava outras vozes. Gosto disso. Do Victor & Leo, não podem faltar nos shows: "Meu Eu em Você", "O Granfino e o Caipira", "Lembranças de Amor", "Borboletas", "Vida Boa" "Deus e eu no sertão".

Como foi gravar com a Ludmilla “Sol das Seis”?

Foi parte dessa mentalidade de reinvenção. Ela é uma cantora de funk e cantou comigo uma música romântica de piano. A Ludmilla tem recursos vocais como Alicia Keys, Beyoncé e Lady Gaga. Eu queria aquela voz comigo.

Você acha que está se afastando do sertanejo?

Pelo contrário, eu não estou afastado do sertanejo, mesmo se eu quisesse. Eu cresci ouvindo sertanejo e ouço até hoje. Estou incorporando outras referências. Entendo que as pessoas estão misturando.

Por que o sertanejo faz tanto sucesso hoje?

O sertanejo é o ritmo que mais bomba porque é o que mais se reinventa. As pessoas levantam a questão de que o sertanejo não é mais sertanejo. É bom que não seja mesmo, porque se continuasse como 20 e 30 anos atrás, já teria caído no esquecimento como outros ritmos que não se reinventaram. O Milionário & Zé Rico que funciona veio daquela época, mas se surgisse hoje, seria diferente.

Quem mais se reinventa hoje na música sertaneja?

Eu cito o Gusttavo Lima. Ele é o cara que se reinventou. Começou com uma influência pop e passou por mutações. Hoje tem uma linguagem que funcionou e está batendo todos os recordes. É fácil criticar e difícil fazer igual.
Fonte: Felipe Branco Cruz - Rolling Stones 

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