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Notícias / Política

02/03/2020 às 09:37

Silval: 'Mensalinho não parou até hoje, só formataram como lei e não precisa prestar conta'; acompanhe

A CPI investiga o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, flagrado recebendo suposta propina

Kamila Arruda e Alline Marques

Silval: 'Mensalinho não parou até hoje, só formataram como lei e não precisa prestar conta'; acompanhe

Foto: Francinei Marans

O ex-governador Silval Barbosa presta depoimento nesta segunda-feira (02) na CPI do Paletó, que investiga o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) flagrado em um vídeo recebendo dinheiro na época em que era deputado estadual. Esta é a segunda vez que ele comparece para falar sobre o caso que já consta também em sua delação.

Silval alega que o recurso pago a Emanuel foi referente à propina para aprovação de projetos favoráveis ao governo. O depoimento de hoje foi marcado por polêmica, isto porque o ex-governador solicitou que a sessão fosse secreta para evitar mais exposição na mídia, porém, o presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki, recorreu e conseguiu que a oitiva fosse aberta.

O ex-governador já está na Câmara de Cuiabá e para evitar perguntas redundantes, Bussiki solicitou que Silval relatasse tudo que ele tem conhecimento sobre a situação. Além de Bussiki, participam da CPI, Toninho de Souza (PSD) e sargento Joelson (PSC). Acompanham a reunião, os vereadores Dilemário Alencar (Pros), Felipe Wellaton (PV), Diego Guimarães (PP), Abílio Brunini (PSC).


9h32 – Silval iniciou o depoimento explicando que solicitou a dispensa porque entendeu que não seria necessário voltar a depor na CPI. “Porque na minha vinda aqui fiquei mais de três horas sendo inquerido por todos e ratificando tudo que já havia falado. Peço desculpa a todos por ter causado esse transtorno. Venho aqui agora sem problema nenhum, sem qualquer constrangimento, com o compromisso de dizer a verdade e ratificar tudo que eu disse na oitiva anterior e também na delação”.

9h33 – O ex-governador entregou ainda o anexo da delação que trata do Emanuel Pinheiro como integrante da lista dos mensalistas da Assembleia que recebiam propina para votar favorável aos projetos do governo. Ele entrou para colaborara com a investigação da CPI.

9h38 – Silval contou que participou de todos os acordos, inclusive, quando ele foi presidente e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa. Ele afirmou ainda que o ex-deputado José Riva pode colaborar também, já que como presidente do Legislativo estadual encabeçou vários acordos, além de ter relatado o esquema em delação também, poderá colaborar com a investigação. 


9h39 – Iniciam as perguntas. O vereador Toninho de Souza pediu para Silval detalhar a extorsão sofrido pelos deputados e explicar sobre o pagamento.

9h42 – “O meu governo foi atípico dos demais, pois assumi com a responsabilidade de executar as obras da Copa do Mundo. Além disso, tinha uma boa relação em Brasília”, relatou Silval. Ele disse ter definido com a equipe de governo o programa de obras para todo o estado, mas em especial na região metropolitana. “Além dessas obras idealizamos mais de 50 obras para região metropolitana. Não teve governo que deixou tantas melhorias para região metropolitana quanto o meu”.

9h45 – Silval ressalta ainda muitos reclamam do trânsito em Cuiabá ainda hoje, mas se não houvessem as obras seria ainda pior.


9h48 – Após conseguir os recursos em Brasília, Silval disse que começou o inferno na administração e extorsão de todo lado: Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas. Ele relatou ainda ter pedido ajuda ao Ministério Público, mas foi ignorado e acabou cedendo.

9h49 – Silval disse que o ex-deputado Daltinho chegou a gravar uma reunião do colégio de líderes, na qual os deputados estavam se organizando para fazer a extorsão. Ele gravou para chantagear a Mesa Diretora para permanecer como deputado. Na época ele era suplente e precisa que os parlamentares adotassem o rodízio para ele permanecer no cargo.

9h50 – “Depois disso formaram uma comissão e foram ao Palácio pedir o retorno dessas obras em forma de recurso por conta da campanha eleitoral que se aproximava. Pediram um milhão para cada deputado. Fizeram muita pressão. As obras paralisaram. Pedi socorro ao Ministério Público que não deu bola e fui obrigada a ceder”. Silval disse ter feito um acordo de R$ 600 mil pagos em R$ 50 mil por mês e destacou que o pagamento da propina não tinha a ver com o ‘mensalinho’. O pagamento mensal ia dentro do orçamento regularmente de 50 mil por mês.

9h52 - “Isso acontece desde quando assumi na Assembleia em 1998”.

9h53 – Para fazer os pagamentos, Silval disse ter recorrido aos empresários alegando que precisa de recursos para campanha. Valdisio e Silvio faziam o controle dos pagamentos. “Quando atrasava o pagamento eles tornavam o Palácio um inferno. Por isso dos vídeos. O dinheiro era propina de 700 milhões em banco, folha de pagamento com RGA e tudo pago quando entreguei o governo”.

9h53 – Silval afirmou ainda que não foi o responsável por paralisar as obras do VLT e ainda deixou R$ 4 bilhões em obras a serem executadas. “Lamento muito de chegar onde chegamos. Mas esse sistema acontece na maioria das instituições públicas”.

9h56 - Silval citou o depoimento do cabo Gerson Corrêa na ação da Grampolândia Pantaneira e lamentou o fato de existir esse tipo de sistema em todas as esferas, não apenas no Executivo e Legislativo.

9h58 - O vereador Toninho de Souza, relator do processo na CPI, pediu para Silval especificar a participação de Emanuel e pergunta sobre a gravação.

9h59 - Silval afirma que tinha conhecimento que Silvio iria fazer as gravações, contou ainda que Emanuel recebeu propina e era seu amigo pessoal na época dos fatos, mas garantiu que não tem não tem contato com nenhum deputado. Ele relatou ainda que após ir para a prisão domiciliar recebeu várias ligações de parlamentares querendo visita-lo, mas achou melhor não receber ninguém.

10h02 – O vereador Joelson, membro da CPI, perguntou sobre a possibilidade de o dinheiro do vídeo ser para pagamento de pesquisa eleitoral, como já alegou o prefeito. Silval reafirmou que o dinheiro era um acordo com a Assembleia fruto de extorsão.

10h08 - O presidente da CPI começou a fazer as suas perguntas. Posteriormente, os demais vereadores presentes poderão participar fazendo questionamentos. Bussiki pede para que Silval especifique a questão do mensalinho e ele reafirma que ocorre desde 1998 e chegou até a ser homologado por lei. O pagamento era feito por meio do orçamento, que iria inflado de 15 milhões por ano.

10h12 – “Mensalinho não parou até hoje, só formataram como lei e não precisa prestar conta”, revela Silval. A declaração é referente à verba indenizatória que foi ampliada para R$ 65 mil, em 2015, sem que precise prestar contar. Uma ação foi movido no TJ, mas o Judiciário arquivou o processo. 

10h22 - Diego pergunta sobre o Ministério Público, com base nas declarações de Silval, se ele recorreu ao órgão a fim de evitar a extorsão. O vereador afirma que a sua pergunta se deve ao fato de Emanuel ser parente de Paulo Prado, procurador geral na época.

10h23 - Silval afirma que não negou em audiência que chegou a conversar com o procurador e relatou que estava sofrendo extorsão de diversos lados. Ele afirma que Paulo Prado sugeriu gravar as reuniões, mas não foi pra frente.

10h25 - Diego questiona Silval se a gravação de áudio apreendida na casa de Pinheiro prejudicou ele perante à justiça devido a sua delação. No áudio há uma conversa entre o prefeito e Alan Zanata sobre os fatos. O áudio também é objeto de investigação da CPI por suposta obstrução de justiça.

10h30 - Silval afirma que o áudio foi forjado E que deu transtorno para ele, mas não teve prejuízo no seu acordo de colaboração premiada. “O Emanuel tentou anular a minha delação com o áudio do Zanata com o Silvio”.

10h35 - Wellaton pergunta a Silval se tem algum outro nome que ele queira citar para colaborar com a CPI, tendo em vista que ele já citou que Daltinho e Riva podem falar sobre o assunto também.

10h38 - Silval não cita outros nomes, mas reafirma que Riva pode colocadores, tendo em vista que ele participou ativamente de todos os esquemas da Assembleia.

10h45 – Abílio perguntou sobre quais as empresas envolvidas na corrupção para que possam verificar se elas não prestam serviço para Prefeitura. Ele também pede a suspeição do Alan Zanata como testemunha, devido à ligação dele com o prefeito e ainda pelo fato de ele ter sido candidato na mesma chapa que o filho do prefeito na última eleição.

10h46 – Silval informou que as empresas estão listadas na colaboração que foi entregue à Câmara.

10h55 
– O vereador Adevair Cabral tentou alfinetar o colega Abílio, perguntando sobre a participação do deputado Sebastião Rezende no esquema de propina. Isso porque Abílio e Sebastião são do mesmo partido. No entanto, por não ser objeto da investigação, o presidente da CPI indeferiu a pergunta.

10h58 
– Adevair perguntou se houve, de fato, obstrução de justiça, e Silval afirmou que sim. Uma tentativa, mas sem sucesso, segundo ele. 

11h00
– Diego Guimarães perguntou sobre a questão das pesquisas eleitorais. O ex-governador afirmou que sempre trabalhou com dados e, para isso, usava as pesquisas de diversos institutos, incluindo o Mark, de propriedade do irmão de Emanuel. Silval Barbosa também afirmou que não se lembra de ter sido cobrado por Emanuel sobre as pesquisas. 

11h10 - Líder do prefeito na Câmara, Luís Cláudio passou a perguntar. Questionou ao ex-governador se Emanuel pediu, pessoalmente, propina. Silval disse que o pagamento "extra" foi negociado por uma comissão, em nome de todos os deputados, e que quando havia atrasos todos os citados iam fazer cobranças. Segundo o ex-governador, Emanuel não fazia parte da comissão mas pressionava quando a propina atrasava.

11h20 - Encerrado o período de perguntas, Marcelo Bussiki pediu que nomes bastante citados pelo ex-governador fossem convocados para oitivas na Câmara. São eles José Riva, Pedro Nadaf e Valdísio Viriato. No entanto, os demais membros da CPI não aprovaram o pedido. 

11h22 - O vereador Diego Guimarães pediu uma reunião extraordinária da CPI, para esta tarde. Ele também solicitou cópias das oitivas e as atas da CPI.
 

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