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Notícias / Judiciário

05/03/2020 às 09:38

Associação do MP diz que Silval quer enfraquecer o combate à corrupção

Silval alegou que Paulo Prado sabia de extorsões por parte de deputados

Camilla Zeni

Associação do MP diz que Silval quer enfraquecer o combate à corrupção

Foto: AMMP

A menção do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) ao procurador de Justiça Paulo Prado não foi bem vista pela Associação Mato-Grossense dos Membros do Ministério Público (AMMP). Para o presidente da entidade, o promotor de Justiça Rodrigo Fonseca Costa, o empresário quis "embaralhar os fatos" para diminuir a gravidade da sua própria conduta.

Na segunda-feira (2), Silval prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Paletó da Câmara de Cuiabá. Lá, questionado, ele contou que era "vítima" de extorsão por parte de deputados, que cobravam propina para aprovar projetos relacionados a Copa do Mundo de 2014.

Ainda em seu depoimento, Silval alegou que chegou a comunicar o caso para o procurador-geral da época, Paulo Prado, em uma conversa no Palácio Paiaguás. Contudo, o Ministério Público não teria agido. 

Depois do caso, a AMMP lançou uma nota lembrando o histórico de trabalho do procurador Paulo Prado. A nota alega ainda que a intenção do ex-governador seria ainda a de "enfraquecer o combate à corrupção promovido pelo Ministério Público".

A AMMP lembrou que foi ele quem fez investimentos revelantes para o aparelhamento do Gaeco, e que isso resultou em operações que levaram à prisão autoridades de diferentes poderes. 

"Essas operações consubstanciaram um verdadeiro marco no enfrentamento à corrupção no Estado de Mato Grosso", escreveu o promotor. Ao fim, ele destacou que a associação repudia as "agressões perpetradas contra um dos seus mais ilustres e dedicados profissionais".

A nota também foi assinada pelo diretor de Defesa Institucional da AMMP, o promotor Márcio Florestan.

O que diz Paulo Prado
Em nota encaminhada ao portal Leiagora, o procurador Paulo Prado confirmou que Silval mencionou sobre a extorsão praticada pelos deputados da época, mas alegou que o Ministério Público não pode agir sem a formalização de uma denúncia. 

Paulo Prado ainda informou que sugeriu que Silval gravasse as extorsões e encaminhasse aos provas ao Ministério Público.

Apesar das alegações do procurador de Justiça, o vereador Diego Guimarães (PV) pediu que a Corregedoria Geral do MPE e o Conselho Nacional do Ministério Público investiguem a omissão do então procurador geral.

Provas
Como sugerido por Paulo Prado, as gravações foram feitas pelo ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Corrêa. Amplamente divulgada na mídia, os vídeos flagraram, entre outros parlamentares, o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). 

Foi devido à imagem, que se tornou prova entregue na delação do ex-governador, que a Câmara de Cuiabá abriu investigação para apurar possível quebra de decoro do prefeito. 

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