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Notícias / Política

26/03/2020 às 18:16

Figueiredo menospreza MPs e avisa: 'escolhemos uma estratégia e apostamos nela'

Secretário disse que repassou novas medidas com ministro da Pasta e que vai manter orientações

Camilla Zeni

Figueiredo menospreza MPs e avisa: 'escolhemos uma estratégia e apostamos nela'

Foto: Assessoria

"Escolhemos uma estratégia e estamos apostando nela. Isso é igual jogo de futebol, todo mundo tem um palpite. Alguém precisa tomar a decisão agora e estamos tomando enquanto estivermos à frente". Foi como reagiu o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, a respeito das últimas medidas adotadas para prevenção do novo coronavírus no Estado.

Pela manhã, o governador Mauro Mendes (DEM) flexibilizou as normas vigentes no Estado, liberando aberturas de shoppings, por exemplo. Na parte da tarde, foi notificado pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho quanto ao novo decreto. Em ofício conjunto, os órgãos pediram a suspensão da nova medida, que liberou diversos setores econômicos de volta à rotina.

Segundo os MPs, se a população voltar a circular em Mato Grosso, o Estado pode ter que carregar a culpa de pelo menos oito mil mortes pela infecção da doença, ao fim da pandemia. No entanto, para o secretário de Saúde, a projeção das entidades é apenas mais uma que veio para "gerar pânico". E ele garante: o número de mortes vai ser muito inferior. Mas não citou a possibilidade de que não venham a ocorrer.

"Tem várias projeções. Eu preciso fazer a opção por uma e eu faço por aquela que temos no nosso setor de inteligência, com as orientações do Ministério da Saúde. Fazer publicação desse tipo de projeção não ajuda, só gera pânico. Temos que fazer uma opção e estamos fazendo por aquilo que temos a convicção que é o melhor nesse momento", comentou o secretário.

Figueiredo também revelou à imprensa que esteve reunido, virtualmente, com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta tarde, junto com o governador Mauro Mendes. Ainda segundo o secretário, eles repassaram o novo protocolo adotado em Mato Grosso. Figueiredo garantiu que as mudanças têm aval do ministro e que o Estado não deve recuar da decisão.

"Acabei de conversar com o ministro, eu e o governador. Estamos estabelecendo a estratégia que o ministro acha que é a melhor. Agora, o melhor de todos não existe, o melhor de todos seria não ter epidemia ou todos os recursos necessários para enfrentar ela, e não temos. Então, temos que adotar uma estratégia com aquilo que temos de capacidade na mão para abreviar e suavizar o estrago que essa epidemia vai fazer em nosso estado", disse. 

Não ia mudar, mas mudou

A mudança de postura no governo mato-grossense chamou a atenção por ter sido de forma repentina e, curiosamente, após pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Em rede nacional na noite de terça-feira (24), Bolsonaro minimizou a gravidade do coronavírus e alegou que alguns governadores estavam adotando medidas restritivas de forma desnecessária.

Depois das falas do chefe da República, o próprio Gilberto Figueiredo assinou carta com outros secretários repudiando as falas de Bolsonaro. Em seguida, na quarta-feira (25), em coletiva de imprensa, garantiu que não seria o discurso do presidente que mudaria as medidas da noite para o dia. Mas foi o que aconteceu. 

Mauro Mendes também tentou alegar que não estava seguindo os passos de Bolsonaro, mas fez discurso semelhante em coletiva na manhã desta quinta-feira. Não deixou de falar sobre a importância da higienização dos locais, mas pontuou que a economia não pode parar. Por isso, liberou novos setores do comércio - como shoppings centers - para voltarem ao trabalho.

Sobre isso, Figueiredo esclareceu nesta noite: "São opiniões divergentes. Tem alguém que acha que tem que parar tudo, tem quem acha que tem que parar de forma vertical ou horizontal. Enfim, escolhemos uma estratégia e estamos apostando nela. Isso é igual jogo de futebol, todo mundo tem um palpite. Alguém precisa tomar a decisão agora e estamos tomando enquanto estivermos à frente".

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