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29/06/2020 às 08:10

Ampliação de mais de 100 leitos de UTI em MT esbarra na falta de mão de obra

Secretário de Saúde destacou que não apenas faltam profissionais para trabalharem em hospitais como insumos e equipamentos

Camilla Zeni

Ampliação de mais de 100 leitos de UTI em MT esbarra na falta de mão de obra

Foto: Assessoria

Mato Grosso atingiu, nessa sexta-feira (26), a marca de 91,1% das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ocupadas em razão da covid-19. Para tentar amenizar a situação, o Estado se lançou na proposta de construir mais 100 leitos hospitalares. O problema é que faltam equipamentos e mão de obra para colocar as unidades em funcionamento.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, ao contrário do que se poderia alegar, dinheiro não é o principal desafio do governo. Até o momento, conforme o Portal da Transparência do estado, foram empregados pouco mais de R$ 87 milhões nas ações já realizadas até esse mês de junho para combater o vírus. 

“Recursos suficientes quero crer que temos, sim. Tenho enfatizado que o nosso maior problema não é a falta de recursos, mas a falta de insumos necessários para ampliar nossa capacidade. Mesmo onde temos instalações físicas e com a possibilidade de termos tempo para edificar, não temos equipamentos disponíveis e abundância de profissionais especializados para isso”, chegou a comentar o secretário.

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A situação da ocupação dos leitos de UTI vem piorando desde a reabertura das atividades econômicas no Estado, sendo que a entrada do mês de junho foi um divisor de águas no fluxo de casos diagnosticados e atendimentos hospitalares. 

No dia 30 de maio, por exemplo, quando Mato Grosso se via com 2.413 casos de covid-19 e 58 mortos, a taxa de ocupação das UTIs era de 17,2%, de acordo com o governo. Já nessa quinta-feira (25), menos de um mês depois, o Estado amargava 12.601 casos diagnosticados da doença, 476 mortes e 88% dos leitos de UTI ocupados. Um aumento de 466% no número de casos e de 722% no número de óbitos. 

“O colapso vem num momento em que mesmo tendo soluções financeiras, o mercado não oferece as soluções que nós precisamos. Ta aí o Ministério da Saúde com dificuldade”, avaliou Gilberto. Em Várzea Grande, segundo a prefeitura, esse colapso já chegou. Na manhã de sexta-feira a rede pública de saúde do município estava funcionando com 100% de lotação, restando em uma fila de espera ainda 41 pacientes, que no fim do dia foi reduzido para 33.

Mais UTIs
Segundo o governo do Estado, na região metropolitana de Cuiabá, pelo menos 70 novas UTIs devem ser instaladas no início de julho. Dessas, 30 serão no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, 20 no Hospital Estadual Santa Casa, e 20 no antigo Pronto-Socorro de Cuiabá. 

O governo também anunciou 40 UTIs na região sul do Estado, sendo 10 novos leitos em Primavera do Leste e 30 em Rondonópolis. Ainda, em parceria com o Consórcio de Saúde Vale do Teles Pires, 39 unidades devem ser entregues na região. Serão 20 em Nova Mutum, 10 em Sorriso e 9 em Sinop.

Além disso, outros 100 leitos podem ser anunciados na próxima semana. O secretário de Saúde informou que o governo está em tratativas com as prefeituras, analisando as estruturas físicas e se será possível garantir o funcionamento das unidades. Elas estarão em municípios como Barra do Garças, Campo Verde, Confresa, Alta Floresta, Peixoto de Azevedo, Lucas do Rio Verde, Cáceres, Pontes e Lacerda, Água Boa e Alto Araguaia. 

Uma das estratégias adotadas pelo Estado é o “empréstimo” de equipamentos e o aumento no valor do custeio e do plantão médico. No caso do funcionamento das unidades, o governo vai aportar R$ 600 mil por mês, para cada 10 leitos de UTI em funcionamento. Já para os plantões o Estado deve aumentar a remuneração dos profissionais, para tentar atrair mão de obra.

Conforme Gilberto, a dificuldade se dá porque as unidades privadas de Saúde também estão demandando profissionais. Assim, “ganha” quem dar os melhores benefícios. O governo chegou a lançar portarias para contratação dos profissionais, mas poucos teriam se inscrito. A estimativa é de que seriam necessários pelo menos 800 deles para suprir a demanda que será criada.

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