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Notícias / Geral

10/07/2020 às 07:04

Em 14 dias, números de casos de covid-19 em Cuiabá e VG aumentam entre 80% e 90%

Nessa quinta-feira a Justiça determinou a prorrogação da quarentena por mais uma semana, podendo ser estendida por mais 7 dias

Alline Marques

Em 14 dias, números de casos de covid-19 em Cuiabá e VG aumentam entre 80% e 90%

Foto: FLAVIO LO SCALZO / Reuters / Direitos Reservados ABR

Nestes últimos 14 dias o crescimento dos casos de coronavírus em Cuiabá e Várzea Grande, que, em tese estão em quarentena obrigatória, tiveram aumentos assustadores. Enquanto a capital acumulava desde março até o dia 25 de junho, data em que iniciou o 'lockdown', 3132 casos, nessa quarta (8), ou seja em duas semanas, o total era de 5681, um crescimento de 81%. Já o número de óbitos mais que dobrou, de 136 passou para 278, o que representa um aumento de 104%. 

Já em Várzea Grande, o número de casos acumulados de março a 25 de junho era de 968, e na quarta chegou a 1883, um aumento de 94%. Com relação ao número de mortes, saltou de 97 para 165, o que representa 70% a mais. 

No entanto, parte deste aumento ainda é referente ao período anterior ao da quarentena. Isto porque, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, o período de incubação do coronavírus, tempo entre a infecção do ser humano e o início dos sintomas da doença, é de 1 a 14 dias, geralmente ficando em torno de 5 dias. 

O secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Antonio Possas de Carvalho, garante que estes números já eram esperados e estão dentro do planejamento da capital. Para ele, também não adiantou fechar o comércio, porque não este não é o vilão da pandemia, mas sim as festinhas em casas e bairros, e nos bares, que haviam sido liberados pela Prefeitura de Cuiabá. 

"Nada fugiu do planejamento. Também não adiantou muito ter fechado, porque chegamos hoje nos mesmos níveis que a gente estava 14 dias atrás. Isso quer dizer que - e não estou falando que isso é ideia do prefeito, isso é ideia dos técnicos, dos epidemiologistas que chegaram a essa conclusão – quem está infectando não são os comércios que estão com a biossegurança, os shoppings centers que vinham cumprindo direitinho. Quem estava transmitindo são quem estavam nos bares onde as pessoas bebem e tiram a máscara. Talvez em alguns restaurantes e nos bairros onde fazem as festas todos os dias à noite. Não adianta a gente fazer todo esse sacrifício e quebrar metade da economia da cidade. Isso não vai chegar em lugar nenhum”, declarou o secretário.

Mesmo com a quarentena sendo decretada nas duas maiores cidades do estado, o isolamento no estado ainda está abaixo do esperado, que seria de 60% para a fase que Mato Grosso vive, estando no epicentro da doença no atual momento no país. Isto também já era previsto ainda no início da pandemia, devido às sazonalidades das regiões, o vírus agiria de forma diferente em determinados estados. 

Além do crescimento assustador da doença, outro fator que preocupa é a falta de leitos e o colapso na rede de saúde. Os hospitais privados de Cuiabá já não possuem leitos, enquanto a rede pública saltou de uma taxa de ocupação de UTIs em Mato Grosso de 87% em 25 de junho para 93% até o dia 8. 

Ainda quando foi decretada a quarentena pelo juiz da Vara de Saúde Pública, José Luiz Lindotte, governo e prefeituras dos dois municípios deveriam apresentar um plano de ação para a saúde mas, duas semanas depois, nenhum leito foi inaugurado para covid. A Prefeitura de Várzea Grande anunciou a entrega de 10 leitos não-covid, isto porque no planejamento do governo o município está responsável pela retaguarda no atendimento para outras doenças. 

Já Cuiabá havia prometido 40 novos leitos para esta semana, mas ainda aguarda a chegada da bomba de infusão para funcionamento das UTIs. O Estado prevê 20 leitos nesta sexta na Santa Casa. Há previsão de mais 30 para o Metropolitano, mas não foi anunciado quando estará apto a receber pacientes. Esta semana a gestão estadual recebeu 50 respiradores.  

Nessa quinta-feira a Justiça determinou a prorrogação da quarentena por mais uma semana, podendo ser estendida por mais 7 dias, dependendo da evolução no número de casos. Só que dada a falta de conscientização da população é possível que tenha ainda mais aumento não só em infectados, mas também em internados e mortos. 

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