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12/07/2020 às 14:00

Sabe o que é bruxismo? Casos aumentaram com a pandemia - entenda

O Leiagora falou com cirurgião bucomaxilo de Cuiabá sobre o assunto e como aliviar o transtorno neste período

Eduarda Fernandes

Sabe o que é bruxismo? Casos aumentaram com a pandemia - entenda

Judson Lopes

Foto: Arquivo Pessoal

Em tempos de pandemia e isolamento social, o estresse, que já era frequente na rotina pré-pandêmica, se tornou companheiro habitual dos lares de muitas pessoas. Uma das consequências disso tem sido o aumento dos casos de bruxismo, que é o ato de pressionar ou ranger os dentes.

Um dos principais sinais dessa condição, que afeta adultos e crianças, é ranger os dentes durante o sono, o que gera um ruído desagradável. Além disso, são frequentes os relatos de acordar com dor de cabeça, dor no maxilar, dor de dente ou apresentar problemas dentários.

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Para esclarecer todas as dúvidas sobre esse assunto, o Leiagora convidou o cirurgião e traumatologista
bucomaxilofacial de Cuiabá, Judson Guimarães, que atua na área há 15 anos, para falar um pouco sobre bruxismo na pandemia.

Leiagora: O que é o bruxismo?
Judson Guimarães: “Algumas pessoas acham que é só o fato de, durante à noite, fazer barulho rangendo os dentes. Mas só o fato de fazer o apertamento dos dentes, tanto à noite quanto de dia, isso também é o bruxismo. Normalmente, nas 24 horas do dia, teoricamente, só ficam em toque por aproximadamente 17 a 18 minutos. Então, se passa esse tempo de toque dos dentes, a pessoa pode desenvolver esse bruxismo”.

Leiagora: Então só de ficar algum tempo apertando os dentes durante o dia já pode ser bruxismo?
Judson Guimarães: “Isso. Os dentes têm que ter uma certa folga, um espaço de mais ou menos um milímetro. Eles não podem ficar fazendo toque”.

Leiagora: Qual a causa?
Judson Guimarães: “A causa é multifatorial. Vai desde o estresse, uso de medicamento, uso de alguma substância tipo cigarro e cafeína. Algumas drogas antidepressivas aumentam bastante o bruxismo. Falta de atividade física”.

Leiagora: O estresse aumenta muito isso?
Judson Guimarães: “Aumenta bastante. Agora nesse período de pandemia, as pessoas estão dormindo mau, ou deixaram de exercer atividades rotineiras como, por exemplo, gastar energia durante o dia para poder dormir bem à noite. Então isso tem feito aumentar muito os casos de bruxismo. No meu consultório aumentou de três a quatro vezes o número de pacientes que me procuram por causa de dor em face”.

Leiagora: E os pacientes costumam relatar estresse por conta da pandemia?
Judson Guimarães: “Muito. A maioria desses pacientes, em torno de 80%, relatam que estão dormindo mau, que têm crise de ansiedade, que têm crise de choro. E quando isso acontece nós até orientamos o paciente a procurar um especialista, psiquiatra, psicólogo, para poder fazer esse tratamento em conjunto. Porque notamos que, emocionalmente, a pessoa não está bem. Ou por mudança abrupta da rotina por conta da pandemia, ou por medo de morte, por medo da doença (covid-19)”.

Leiagora: E o que o bruxismo pode causar?
Judson Guimarães: “Pode causar desgaste do dente, pode quebrar dente, quebrar restauração e, às vezes, levar até à perda do dente. Pode desenvolver algum tipo de cefaleia, pode desenvolver dor na articulação temporomandibular”.

Leiagora: Em casos mais graves pode chegar a que ponto?
Judson Guimarães: “Se não for tratado aí a pessoa pode desenvolver uma degeneração na articulação, mas isso levaria anos e anos se não for procurar tratamento".

Leiagora: Tem tratamento? Como funciona?
Judson Guimarães:  “Tem tratamento e o primeiro passo é identificar o tipo do problema que a pessoa está tendo. Então, por exemplo, se for um antidepressivo, vamos tentar identificar e entrar em contato com quem prescreveu para verificar se há possibilidade de mudança. Nós também passamos alguns relaxantes musculares, alguns medicamentos que melhorem a qualidade do sono, orientamos o paciente a praticar exercício físico, pelo menos em casa. E para minimizar os danos às estruturas, o paciente acaba usando uma placa que chama placa miorrelaxante”.

Leiagora: Uma vez que a pessoa desenvolve bruxismo, é para sempre ou tem cura?
Judson Guimarães: “Não necessariamente é para sempre. Pode ser por um período apenas. Por exemplo, pode ser que o paciente desenvolva bruxismo num período de estresse, depois, quando o estresse passa, o bruxismo também para. Mas, qualquer pessoa está sujeita a isso”.

Leiagora: É fácil identificar?
Judson Guimarães: “Na maioria dos casos é fácil identificar, principalmente as pessoas que podem ter alguém que faça a vigília dessa pessoa durante o sono. Agora, as pessoas que moram sozinha, não têm ninguém para olhar, não têm apertamento diurno e reclamam de dor no rosto, geralmente essa dor aparece mais no período da manhã, porque passa a noite toda trabalhando a musculatura e de manhã acaba tendo essa dor, mas é fácil identificar”.

Leiagora: Quais são as dicas para evitar ou minimizar?
Judson Guimarães:  “Exercício físico, exercícios de relaxamento, alongamento, o que puder ser feito agora durante a pandemia. É interessante que a pessoa tenha alguma válvula de escape, qualquer coisa que a faça se sentir bem, que dê prazer a ela. Isso já ajuda bastante. É importante evitar hábitos de colocar objetos na boca”

Leiagora: Em que momento a pessoa deve procurar um médico? 
Judson Guimarães: "Qualquer tipo de dor no rosto que permaneça por mais de três dias é interessante procurar um profissional para fazer esse diagnostico e prevenir esses danos, seja um bucomaxilo facial ou um especialista da área”


 

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