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03/08/2020 às 09:00

Fantástico aborda divergência sobre arma e modificação da cena do crime no caso Isabele

Enfermeiro do Samu afirmou em depoimento que dona da casa mexia em equipamentos de arma quando ele chegou

Camilla Zeni

Fantástico aborda divergência sobre arma e modificação da cena do crime no caso Isabele

Foto: Reprodução

A morte da adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, vítima de um disparo na casa da melhor amiga, ainda deixa muitos questionamentos. O que aconteceu naquele dia? A que horas ela foi morta? Quem carregou a munição na câmara da arma? 

Os questionamentos envolvendo o crime, registrado no dia 12 de julho, no condomínio de luxo Alphaville I, em Cuiabá, foram tema de reportagem do Fantástico, exibido pela Rede Globo na noite desse domingo (3).

Para a reportagem, o advogado Ulisses Rabaneda, que atua na defesa da família Cestari - acusada pelo crime -, disse acreditar que o namorado da adolescente que atirou contra a amiga - o que teria sido acidental - se enganou ao afirmar para a Polícia Civil que não deixou a arma pronta para disparo. 

Leia também - Mãe de Isabele questiona ‘atirador que não reconhece tiro’ e defesa nega omissão de empresário

O rapaz prestou depoimento no dia 20 de julho, junto com seu pai, o empresário Glauco Fernando Mesquita Correa da Costa. Ao delegado Wagner Bassi, que conduz as investigações, ele confirmou que levou duas armas para a casa da família Cestari no dia do crime, e que teria saído de uma delas o tiro que matou Isabele. Afirmou, no entanto, que não estava presente quando o acidente aconteceu e que não deixou a arma pronta para disparo.

"O que tem incontroverso é que ela [a arma] chega carregada e na hora que ele vai embora ela estava com o pente com balas. O ponto de divergência é: como a bala foi parar na câmara? Ele alega que não deixou bala na câmara. Posso dizer que essa impressão dele pode estar equivocada”, afirmou Rabaneda.

Já o advogado da família de Isabele, Hélio Nishiyama, não acredita na linha da defesa. À reportagem, ele supôs: "Se o jovem que deixou a arma não alimentou, só uma pessoa poderia ter alimentado: a jovem que efetuou o disparo".

Hora do crime
A reportagem também apontou que a Polícia Civil ainda não conseguiu desvendar o horário exato do crime. Imagens do circuito interno de segurança do condomínio dão subsídio às investigações, assim como áudios com a ligação da família para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Conforme as câmeras de segurança, o crime aconteceu em menos de dois minutos depois que o namorado da adolescente deixou a casa da família Cestari. As imagens apontam que o rapaz teria saído às 21h59 e passado pela portaria do condomínio às 22h01. Nesse mesmo horário, 22h01, a porta da casa da família se abriu, já com gritos de desespero, para a mãe da adolescente chamar a mãe de Isabele. 

A ligação para o Samu foi registrada às 22h02. Os áudios foram divulgados ao longo dos últimos dias, em primeira mão, pelos sites locais HiperNotícias e MídiaNews. Marcelo Cestari, chefe da família, afirmou ao médico do Samu que se tratava de queda no banheiro, enquanto sua filha mais velha telefonaria um minuto depois afirmando se tratar de disparo acidental de arma de fogo.

A reportagem do Fantástico também chegou a veicular trecho da ligação. Nela, o médico do Samu tenta confirmar qual das situações realmente ocorreu.

Samu: Senhor, é queda no Jardim Itália?
Marcelo: É queda, no Alphaville 1.
Samu: É tiro ou queda, senhor? 
Marcelo: É queda, queda.
Samu: Tudo bem, senhor. Porque tem outra ocorrência dizendo que é tiro, senhor
Marcelo: Não tem tiro nenhum.


Apenas minutos depois Marcelo Cestari confirma que a adolescente teria sido vítima de um disparo acidental. Com a informação, o médico informa que uma equipe vai acionar a polícia, enquanto o orienta a fazer compressões para tentar manter sangue circulando no corpo de Isabele até o Samu chegar.

A ambulância chega ao condomínio 12 minutos depois, mas, segundo depoimento de um enfermeiro do Samu, a equipe teve dificuldade para entrar porque a portaria não sabia da ocorrência. 

Cena modificada
Até o momento a Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas para tentar elucidar o que aconteceu na noite do crime. Dessas, sete estavam na casa. 


Entre as testemunhas, um enfermeiro do Samu. Ele revelou que presenciou quando a mãe da adolescente que fez o disparo modificava a cena do crime. Segundo ele, "uma senhora que trajava vestido vermelho, possivelmente a dona da casa, a estava retirando o material de manutenção de arma de fogo que estava sobre uma mesa". Ele afirmou que, então, a orientou a não mexer no local, pois se tratava de cena de crime.

A mãe de Isabele, Patrícia Hellen Guimarães Ramos, também revelou à reportagem que o banheiro onde a filha foi morta estava limpo quando ela chegou. Ela afirmou ainda q
ue não viu no local a arma do crime.

"Um detalhe importante é que a arma não estava na cena do crime. Eu me recordo que o banheiro estava bem limpinho. Só havia sangue embaixo da cabeça da minha filha, e havia bastante sangue. Essa arma só apareceu com a chegada do delegado", contou.

O advogado Hélio Nishiyama ponderou que pode ter acontecido falha dos investigadores no dia do crime. "Houve uma grave falha no isolamento do local do crime. Diligências que poderiam ter sido feitas imediatamente não foram feitas", avaliou.

A reportagem também apontou o depoimento de uma vizinha, que teria entregue à polícia roupas da adolescente que fez o disparo. A menina teria tomado banho na casa dessa vizinha momentos após o crime.

Aflita, Patrícia questionou como duas adolescentes tiveram a ideia de tomar banho e trocar de roupa após um crime, considerando que ela, ao ver a filha morta, não teria conseguido sequer trocar o roupão que usava. "Eu estava realmente em choque com tudo que havia acontecido. Parecia um teatro", finalizou.

Caso Isabele
Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morreu na noite do dia 12 de julho, quando estava na casa de sua amiga, no condomínio onde moram. Segundo a Polícia Civil, ela foi atingida por um tiro na cabeça, que teria entrado por suas narinas. A autora do disparo seria a melhor amiga e dona da casa. O caso é tratado como homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).

Durante as investigações, a polícia encontrou sete armas na casa da família onde o crime aconteceu. Nem todas tinham registro. Isso fez com que o pai da família, o empresário Marcelo Cestari, fosse preso por posse irregular de armas. No entanto, após pagar fiança de R$ 1 mil, ele foi solto. O valor ainda é questionado judicialmente.

O caso envolvendo a família Cestari e a família Guimarães é acompanhado por duas delegacias da Polícia Civil. 

Confira a reportagem do Fantástico aqui.

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