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Notícias / Judiciário

10/08/2020 às 09:00

MP aponta que Cestari comprou R$ 45 mil em armas durante pandemia e quer aumento da fiança

"Nem é preciso mais elucubrações para se chegar à triste conclusão que a tragédia era anunciada", argumentou o Ministério Público

Camilla Zeni

O promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes, do Ministério Público de Mato Grosso (MP), apresentou um recurso estrito na Justiça com o objetivo de aumentar o valor fixado para fiança do empresário Marcelo Martins Cestari para 100 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 100 mil. Atualmente o valor fixado é de R$ 52,2 mil.

Marcelo Cestari é pai da adolescente de 14 anos que teria matado a melhor amiga com um tiro no rosto, no dia 12 de julho, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá. Naquele dia, Marcelo foi preso por posse irregular de arma de fogo, depois que a Polícia Civil encontrou sete armas em sua casa, sendo duas sem documentação. Depois ele pagou uma fiança de R$ 1 mil e acabou liberado.

No documento apresentado ao Tribunal de Justiça, assinado em 7 de agosto, o promotor apontou que, apesar da alegação de que a pandemia da covid-19 trouxe prejuízos financeiros ao empresário, Cestari fez a aquisição de três das suas cinco armas já durante a pandemia. Os produtos foram comprados nos Estados Unidos e, ao todo, tiveram custo de R$ 45,3 mil, incluindo o valor de importação e frete.

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"Ou seja, nobres desembargadores, ao que parece, a situação alardeada de dificuldade financeira do investigado não o impediu de gastar vultosa quantia com objetos bélicos absolutamente supérfluos, já que não essenciais a manutenção de suas necessidades", pontuou Regenold.

O promotor ainda destacou que o valor da fiança não precisa ser pago apenas em dinheiro, de forma que Cestari poderia se desfazer de bens para quitar a dívida com a Justiça. Disse que, apesar disso, não há informação dos advogados do empresário de que ele teria se desfeito de algum de seus bens, que são avaliados em grande valor.

Ao Tribunal de Justiça, o promotor também observou que foi a conduta do empresário que resultou na morte de Isabele, segundo indiciamento da própria Polícia Civil, e que esse fato teria sido desconsiderado pelo juízo ao decidir o valor de fiança.

"O fato é que restou desnudado a conduta de total desprezo do indiciado Marcelo Cestari para com as regras mínimas de segurança que se exige dos detentores de arma de fogo", afirmou ao final. Ele apresentou trechos de depoimentos colhidos após a morte de Isabele, que apontam que houve negligência da família Cestari e afirmou: "Nem é preciso mais elucubrações para se chegar à triste conclusão que a tragédia era anunciada".

Fiança polêmica
Poucos dias após a morte de Isabele, a família da adolescente entrou com pedido de aumento do valor da fiança, que foi inicialmente fixada em R$ 1 mil. Os advogados apontaram as condições financeiras da família Cestari, que além de morar em condomínio de luxo também possui carros importados, uma empresa de capital inicial de R$ 10 milhões e até uma aeronave. 

Diante dos primeiros apontados e da manifestação do Ministério Público, que concordou com o pedido da família, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, havia arbitrado a fiança em R$ 209 mil. No entanto, os advogados recorreram no Tribunal de Justiça e, depois, conseguiram que o juiz reduzisse o valor para os R$ 52,2 mil. 

Cestari alegou que a pandemia da covid-19 provocou dificuldades financeiras em sua empresa, de forma que ele não poderia arcar com o valor anterior. Ele também alegou que a aeronave que é apontada na ação está inutilizada, por conter avarias. No entanto, o juiz ponderou que, ainda assim, R$ 1 mil era um valor muito irrisório perto das condições do empresário e citou, por exemplo, o tipo de armamento encontrado em sua casa, que têm alto valor de mercado. 

No dia 3 de agosto, a Justiça ainda autorizou Cestari a pagar os R$ 52 mil em duas parcelas, sendo que a primeira vence nesta segunda-feira (10) e a segunda no dia 17. Ainda não há resultado sobre o novo pedido do Ministério Público.

Saiba tudo sobre o caso Isabele aqui.

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