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10/08/2020 às 14:52

Velório de Pedro Casaldáliga em MT terá dois dias de despedidas e ritual Xavante

Corpo do bispo chega hoje a Ribeirão Castanheira onde ficará em vigília, orações e segue em cortejo para sepultamento em São Félix do Araguaia na terça

Maria Clara Cabral

Velório de Pedro Casaldáliga em MT terá dois dias de despedidas e ritual Xavante

Foto: Gov. MT

Em um dos tantos episódios marcantes de sua luta em vida, Pedro Casaldáliga foi um dos principais apoiadores do povo Xavante no processo na Justiça pela desocupação da terra indígena de Marãiwatsédé, invadida por ruralistas em 2012. Por causa disso, ele teve que deixar a casa onde vivia no município de São Félix do Araguaia, sob proteção da Polícia Federal, após ameaças de morte.

Nesta segunda-feira (10), o bispo do povo, como era conhecido, será velado pelos indígenas, às 16h, em um ritual de passagem do povo A'uwẽ Uptabi. Em Ribeirão Castanheira (883 km de Cuiabá) onde o corpo chega às 14h, serão dois dias de despedidas do católico, símbolo da luta pelos direitos humanos, meio ambiente, povos originários e sem-terras, em Mato Grosso.

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Pedro Casaldáliga faleceu neste sábado (8), em Batatais (SP), onde esteve internado com problemas respiratórios agravados pelo Mal de Parkinson. Lá, ele chegou a ser velado na capela do Claretiano - Centro Universitário de Batatais.

Na sequência do ritual indígena, terá reza popular dos posseiros, às 18h30, e caminhada e vigília, das 21h à meia-noite. Na madrugada de terça-feira (11), a programação segue com mística com agentes da Pastoral da Prelazia e orações, até a missa campal de despedida, que está marcada para as 9h.

Às 12h, o corpo segue em cortejo até São Félix do Araguaia, onde ele desejou ser sepultado. 

Nascido na província de Barcelona, na Espanha, em 16 de fevereiro de 1928, ingressou na congregação dos missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria em 1943, sendo ordenado sacerdote em maio de 1952.

Em 1968, mudou-se para o Brasil fundando uma Missão Claretiana, no norte de Mato Grosso, região marcada na época pelos conflitos agrários.

Na década de 1970 foi nomeado bispo pelo Papa Paulo VI e ajudou na Fundação do Conselho Indigenista Missionário e da Pastoral da Terra. Se tornou referência na defesa dos povos tradicionais e por causa disso, foi alvo de processos de expulsão do Brasil durante a ditadura militar.

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