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Notícias / Polícia

18/09/2020 às 20:43

Mãe de Isabele fala sobre privilégios de atiradora, faz acusações e pede pena máxima; VÍDEO

Ainda muito transtornada com a perda da filha, a empresária comenta sobre como tem sido sem Isabele na filha, sobre a dor do filho e ainda fez questão de responder Marcelo Cestari

Alline Marques e Bruno Pinheiro

Esta semana o caso Isabele ganhou novos episódios com a apreensão da adolescente atiradora e a entrevista de Marcelo Cestari, pai da acusada. E agora, pouco mais de dois meses após o homicídio da filha, a empresária Patrícia Guimarães Ramos falou com o Playagora sobre os privilégios dados à jovem que responde por ato infracional análogo ao homicídio doloso, e ainda diz que o dinheiro do pai está financiando os benefícios da menor.

Patrícia defendeu ainda a pena máxima para a adolescente, que é de 3 anos de internação, e espera que ela cumpra a pena internada no centro do socioeducativo. Ainda muito transtornada com a perda da filha, a empresária comenta sobre como tem sido sem Isabele na filha, sobre a dor do filho e ainda fez questão de responder Marcelo Cestari que declarou que pretendia procura-la “quando a dor passasse”.

Tratamento diferenciado

“Eu não tenho dúvidas. Ela está sendo privilegiada e cercada de tamanho cuidado desde quando ela assassinou minha filha, desde o primeiro momento, ninguém soube me dizer como e porque minha filha tinha sido morta. (...) O dinheiro sendo usado, é este recurso que tá bancando tudo para proporcionar para ela tudo que ela tem vivido, para beneficiar ela, favorecendo para que isso pareça um acidente”, afirmou em entrevista exclusiva ao repórter Bruno Pinheiro do Playagora.

A empresária faz questionamentos ainda relacionados à mensagem que este caso passa para os jovens e sobre um plano arquitetado pela família Cestari para esconder a verdade dos fatos.

“Todo o tempo que venho acompanhando isso vejo essa garota regada de regalias. Que recado posso passar para os jovens? É normal você dar um tiro num amigo? (...) Eu não tenho dúvidas de que foi arquitetado. E não só eu, como todas as pessoas que estão acompanhando este caso, de que não foi um acidente de maneira alguma”, afirmou.

Patricia lembra que a adolescente era atiradora, sabia manusear a arma. “Ela acuou minha filha, ela não deu chance da minha filha se defender. Ela sabia manusear arma, ela era perita em arma. Não estou falando de qualquer pessoa, ela municiou a arma, ela estava de frente à minha filha e atirou para matar, ela teve intenção. Isto foi comprovado. Total frieza”.  

E a mãe ainda questiona o por quê de a adolescente não está internada até hoje, mais de dois meses depois do crime. “Na cena do crime eu presenciei que o estojo não estava na cena, que a bala não estava mais lá. Até o fato de ela trocar de roupa e se livrar da roupa. As provas são muito evidentes e me pergunto diariamente por que que essa menina vive com todos os benefícios e regalias e direitos de uma pessoa normal?”, indaga.

A apreensão

A adolescente atiradora chegou a ser apreendida na terça-feira (15) após ter faltado em uma audiência, porém, após passar a noite entre a Delegacia e o complexo do Centro Socioeducativo, cerca de 12 horas após, ela já estava solta. A decisão inclusive disse que a apreensão foi excessiva e Patricia comentou sobre a internação e a soltura da acusada.   

“Eu esperava isso, eu aguardava isso. É o que tinha que ocorrer desde o início, quando minha filha foi assassinada. Esta menina ficou solta todo este tempo, gozando benefícios e privilégios como uma pessoa normal e ela cometeu um ato grave, um homicídio. Esperava que ela ficasse, depois que li a fundamentação da juíza eu fiquei me perguntando o que mais seria necessário para que ela pudesse, de fato estar naquele lugar, onde ela deveria estar desde o acontecido”, disparou Patricia.

Entrevista do Marcelo

Esta semana, Leiagora publicou também uma entrevista de Marcelo Cestari em frente ao Centro Socioeducativo, momento em que foi buscar a filha, e ele comentou que pretende procurar Patricia para conversar “no momento oportuno e que essa dor passar”. A mãe de Isabele então pediu para responder.

“Eu vi a entrevista do Marcelo falando que iria me procurar quando a dor passasse e eu venho em resposta a esta reportagem fazer uma pergunta a ele: ele sabe a data de quando isso vai acontecer? Porque para mim, como mãe é o pior momento que estou passando na minha vida, ter perdido minha filha, da maneira que ela morreu, circunstância, isto causa de tremenda aflição, dor e tristeza, não vai passar nunca, independente de quanto tempo ela (atiradora) ficar la (internada)”, respondeu.

Patricia pede ainda que a responsável por tirar a vida de sua filha fique internada e cumprir a pena máxima. “Eu acho que é justo que ela esteja internada. Porque muitos jovens que estão ali, por muito menos, foram recolhidos. E ela, por que não? Por que ela tem recursos financeiros?  Por que ela tem privilégios que outras famílias?”.

Sobre o contato feito pelo advogado da família Cestari ao tio de Isabele para perguntar se poderia enviar uma coroa de flores, Patricia relembra que não aceitou. “Não, porque minha filha foi morta na casa dele e em nenhum momento as pessoas que estavam ali, que presenciaram esse crime, souberam me dizer porque minha filha tinha sido baleada, assassinada. Não achei justo. Mesmo não sabendo, não tendo esclarecimento de tudo que ocorreu naquele dia, não aceitei essa coroa de flores. Mas em momento nenhum, ele ou qualquer pessoa da família me procurou”, declarou.

A mãe diz ainda que tinha certeza que não se tratou de um acidente e já imaginava que não seria procurada pela família. “E isto tem se tornado cada vez mais evidente porque ele insiste em dizer que foi acidente, quando a polícia já fez todo o trabalho, documentado como a minha filha foi morta ali dentro. Então, eles estão sustentando algo falso, não só isso, os depoimentos também, o fato de a garota alegar que estava na porta o tiro não seria possível naquele ângulo”.

Ainda sobre as declarações de Marcelo, Patricia se mostra indignada. “Eu fico me perguntando o por quê dessa palhaçada, esse teatro, desde o início? Sabia que minha filha estava morta, simulou massagem cardíaca, o tempo todo fazendo isso, então para mim isto não passa de uma encenação”.

Celular

Patricia suspeita que a senha de Isabele tenha sido alterada pela própria adolescente. Isto porque, segundo ela, havia dado uma condição para que a filha pudesse ter um celular: ela ter a senha do aparelho. “Quando o delegado pediu que eu destravasse já não era a mesma”. E além disso, o celular não foi encontrado na cena do crime e teria sido entregue pela acusada.  

O motivo

A polícia concluiu que a adolescente assumiu o risco de matar a amiga, mas até o momento ainda não se sabe o que motivou o homicídio. “O que eu acho de fato, sim, existe algo muito grave. Eu não sei dizer, mas algo que as pessoas ali sabem, a garota não atirou sozinha e de alguma maneira todos contribuíram”.

Os 15 anos

Patricia contou como a morte de Isabele afetou sua família e a dor pela qual tem passado. “Mudou tudo. Mudou minha visão de futuro. Meus planos mudaram. Marcelo pôde comemorar os 15 anos dos filhos, enquanto eu não vou poder, o quarto da minha filha está pronto, mas falta ela. Meu filho, que acredito que foi mais prejudicado nisso tudo, perdeu única irmã, companheira e amiga. Perdeu o pai também, então, ele só tem a mim. Eu fico sem palavras para falar o quanto estamos sofrendo com a ausência da Isabele”.

O quarto de Isabele estava em obra quando ela foi morta e todos os detalhes do cômodo foram planejados pela jovem que teve a vida interrompida de uma maneira trágica. Inclusive recentemente a atiradora comemorou 15 anos, mas Patricia conta que Isabele não queria uma festa, mas a família organizava uma recepção e seria uma surpresa.

Patricia faz questão de lembrar do jeito da filha. “Era uma menina doce, muito querida. Foi muito injusto e desumano. O fato dessa garota estar solta me causa revolta. Todo o tempo estou chocada com a crueldade deste crime. E o que me causa indignação, essa garota está vivendo como se nada tivesse acontecendo”, comentou.

E para Patricia uma noite de internação não basta para que ela tenha justiça. “Esta noite não encerrou, não vai encerrar este capítulo até que eu veja que eles vão pagar pelos crimes que eles cometeram. A garota, o pai, o pai do namorado e todas as pessoas que estão indiciados”.

Depressão da atiradora

Sobre a depressão da adolescente, Patricia disse não acreditar. “Uma garota que fez o que ela fez, na velocidade que ela fez, de forma impensada ou pensada, não sei, ela não está arrependida de maneira alguma. Ela vinha aqui, tratava como uma filha, sempre foram bem recebidas. E eu sempre garanti aos pais que elas estavam segura aqui.

Espera o que agora?

“Eu espero justiça, que ela pegue a pena máxima, que um dia ela chegue à conclusão que ter assassinado minha filha não valeu a pena e isto vai servir de exemplo para todos os jovens. Exemplo de que o crime não compensa, independente da condição social, a pessoa vai ser punida e pagar pelo que fez”.

A despedida

No fim de semana que antecedeu a tragédia que tirou a vida de Isabele, a família de Patricia havia se reunido em casa e para ela tratou-se inclusive de uma despedida. “Um momento nosso, de despedida. É triste isso, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Ela estava muito feliz. Numa fase maravilhosa, em plena juventude, cheia de energia”.

E o relacionamento mãe e filha?  

“Uma relação excelente. Ela era adolescente, vinha passando por alguns problemas depois da morte do pai, mas eu fui muito presente e minha família também, todo tempo ela teve suporte para enfrentar esses problemas que todos os adolescentes enfrentam. A gente ficava vigiando para saber se existiam más companhias e os estudos estavam em dia, coisa que mãe faz sempre”.

Relacionamento com as amigas

Isabele frequentava quase diariamente a casa da família Cestari, assim como as outras duas amigas iam muito à casa de Patricia. Nos últimos tempo, a amizade entre Isabele e a acusada já não era a mesma, devido ao namoro da jovem, mas a irmã ainda ia muito lá. “A princípio a garota que atirou na minha filha se afastou, mas ela tinha outra irmã. O que eu sei é pouco, não sabia o que acontecia lá dentro, mas eu confiava na família e volto a dizer: se as armas não tivessem ali, não teria acontecido”.

Veja a reportagem completa do Playagora


 

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