Cuiabá, sexta-feira, 30/10/2020
15:31:20
informe o texto

Notícias / Política

21/09/2020 às 07:26

Com devastação e queimada no Pantanal, BID Pantanal volta à pauta de debate

O pantanal perdeu um investimento de US$ 400 milhões por má vontade política

Da Redação - Alline Marques / Reportagem Local - Camilla Zeni

Com devastação e queimada no Pantanal, BID Pantanal volta à pauta de debate

Foto: Mayke Toscano/Secom

Há exatos 15 anos foi assinado o Programa Pantanal, mais conhecido com BID Pantanal, que previa ações nas áreas de águas, solos, agrotóxicos, conservação da fauna, saneamento, economia, além da criação de estradas parques e de reservas. Para isto, estavam previstos um investimento de US$ 400 milhões.

Porém, 15 anos depois, o que se vê é um Pantanal cada vez mais devastado e numa crise nunca antes vista, com cerca de 30% da fauna e flora perdida com a queimada deste ano e mais de 2.2 milhões de hectares da região, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, devastados pelo fogo. Um cenário de filme apocalíptico numa área chamada de patrimônio mundial. E nenhum real do programa, sequer, foi investido.

O Pantanal perdeu um investimento milionário por má vontade política, e precisou de uma tragédia para que o programa voltasse a ser assunto. Foi o deputado Wilson Santos (PSDB) quem levantou o tema, durante visita ao Pantanal nesse sábado (19), junto com a comitiva de políticos que foram verificar, in loco, a situação da região que arde em chamas há mais de dois meses.

“Vou trazer à tona o BID Pantanal, que foi criado lá na década de 90, no governo Dante de Oliveira, um programa que previa o manejo sustentável do Pantanal e que infelizmente foi engavetado. Vamos resgatar essa discussão. Vou convidar o ex-secretário Frederico Muller para ir à Assembleia Legislativa, para que ele possa falar sobre o que sabe e ver se podemos resgatar na totalidade ou em partes o BID Pantanal, que tinha preocupação da preservação do Pantanal”, comentou.

Entenda o BID Pantanal

O BID Pantanal foi criado em 1995 atendendo pedido dos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os 400 milhões de dólares viriam do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), governo japonês, governo federal e dos estados. Entre 1996 e o ano de 2001 o projeto foi discutido com a sociedade e elaborado para ser apresentado aos financiadores.

Após as discussões, o Ministério do Meio Ambiente foi definido como coordenador do programa, responsável pela gestão ambiental e também pela construção de estradas e obras de saneamento, algo fora das atribuições da pasta. O acordo com o BID previa ainda a contratação de uma empresa gestora para o programa, porém falhas no processo licitatório acabaram atrasando o andamento da ação.

Já em 2003, o governo Federal cortou as verbas do programa, o que levou uma reação em cadeia por parte dos governos estaduais. Desde então, o BID Pantanal ficou parado.

Na época, iniciou-se uma discussão sobre o projeto, sobre quem deveria coordenar de fato as obras, e isso fez com que ele fosse engavetado. Contudo, quando há alguma crise no Pantanal, o assunto é retomado. Em 2018, o governo estadual chegou a discutir o assunto novamente, mas sem sucesso.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Em parceria com Engaje Sitevip Internet