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Notícias / Entrevista da Semana

29/11/2020 às 08:20

Diego diz que será independente e fala sobre Mesa Diretora

O vereador também entende que a Câmara tem muito que avançar no quesito transparência e defende a ocupação de cargos públicos por pessoas capacitadas.

Eduarda Fernandes

Diego diz que será independente e fala sobre Mesa Diretora

Foto: Thayson Cláudio / montagem Leiagora

Neste domingo (29), Cuiabá elegerá o próximo prefeito que irá governar a Capital mato-grossense pelos próximos quatro anos. Reeleito o vereador com maior número de votos, Diego Guimarães (Cidadania) é conhecido pelo perfil combativo e promete mantê-lo independente do nome que for escolhido nas urnas.

Em entrevista ao Leiagora, ele procura se colocar como o parlamentar da situação do povo, não de um ou outro político, e fiscalizar as ações do Executivo municipal. O vereador também entende que a Câmara tem muito que avançar no quesito transparência e defende a ocupação de cargos públicos por pessoas capacitadas.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:
 
 
Leiagora - Com relação à Mesa Diretora, como estão as articulações sobre a próxima gestão? O senhor, que tem o nome mais ventilado nos bastidores para assumir a presidência, tem interesse? E caso eleito, está preparado?

Diego Guimarães:
Primeiro que a Mesa Diretora pode ser composta por qualquer um dos 25 vereadores. Independente do número de votação, independente do partido político, do grupo político que ele está inserido. Todos os 25 são vereadores, podem se candidatar e fazer parte da Mesa Diretora. Até o momento não há nenhuma articulação, nada foi feito, nada foi discutido. Eu, particularmente, também não participei de nenhuma discussão sobre Mesa Diretora e nem conversa. Até porque meu foco tem sido na eleição do Abílio e Wellaton, que ocorre neste domingo.

‘Ah, Diego, você se sente preparado?’. Obviamente que me sinto. Pela minha formação, pela experiência que já tenho dentro do Parlamento. Se necessário for e os vereadores entenderem que o meu nome pode ser escolhido para dirigir a Câmara ou participar na Mesa Diretora em outra função, que não apenas presidente, vou estar pronto, vou receber a responsabilidade e dar o meu melhor para a Câmara Municipal.
 
Leiagora - O senhor evita o tema e foca na eleição do Abílio, mas, de fato, existe o interesse?

Diego Guimarães:
Olha, da minha parte, nesse momento não. Neste momento, hoje não. Absolutamente. Meu foco tem sido a eleição do Abílio e Wellaton. Neste momento, como eu disse, eu não fiz nenhuma ligação. Encontro, como há pouco encontrei alguns vereadores, não toco no assunto. Não sei se eles estão conversando, se eles estiverem, acho que não é o momento.
 
Leiagora - O senhor foi o vereador mais votado nesta eleição. Se Emanuel Pinheiro for reeleito, qual será sua postura?

Diego Guimarães:
O Diego que foi eleito em 2016 é o mesmo Diego que foi eleito em 2020. Os ideais, as crenças, a vontade e o desejo de dar o melhor por Cuiabá. Os sonhos, os projetos, o brilho no olho que todo político acredito que deveria ter, continuam os mesmos, não se apagaram. Eles apenas fortaleceram, mas continuam os mesmos. Em alguns pontos talvez beire a ingenuidade a gente acreditar que podemos transformar a política da nossa sociedade, mas eu prefiro ser um ingênuo honesto e sincero, do que ser um desacreditado e mala como muitos que têm por aí, que já fazem da política uma forma de viver como se a política fosse o fim. A política não é o fim, o fim é o cidadão, o fim é quem está lá na ponta.

Então, independente de ser Abílio ou Emanuel, acredito eu que será Abílio o futuro prefeito, o Diego vai ser o mesmo, um combatente. Feroz defensor da coisa pública, do combate à corrupção, que vai tentar legislar em favor da população e preservar o erário por meio daS nossas fiscalizações, independente de quem for prefeito.
 
Leiagora - Na atual gestão, o senhor e Abílio atuaram do mesmo lado fazendo oposição a Emanuel. Isso faz com que o senhor seja situação caso ele seja eleito?

Diego Guimarães:
Olha, eu continuarei sendo situação do povo cuiabano. Porque assim, os atos de fiscalização se tornam maiores ou menores nas suas dimensões de acontecimento devido à postura do Executivo. Porque o Legislativo tem essa função. Se eu souber de algum desvio ético de alguém que está no governo do Abílio Júnior, eu vou ter a obrigação, não é querer. Não é porque o Abílio militou comigo aqui na Câmara Municipal que eu vou ter que passar a mão na cabeça de eventual erro que aconteça na sua futura gestão. Eu vou ter que levar ao conhecimento dele, levar ao conhecimento das autoridades competentes e ele eu tenho certeza que, pelo conhecimento que eu tenho do Abílio, ele vai corrigir o erro. Ele não vai tentar encobrir como aconteceu com Emanuel Pinheiro, porque o Abílio não vai compactuar com essas coisas.

Então o que aconteceu com Emanuel Pinheiro quando nós denunciamos o secretário Huark, ao invés de ir lá, punir, tirar o Huark da secretaria, ele acobertou, ele defendeu, o que não vai acontecer. Acredito que o bom prefeito quando perceber que o trem está saindo do trilho e que algum vereador denunciou, ele volta o trem para o trilho para que a prefeitura siga seu rumo.
 
Leiagora - Qual será seu primeiro projeto em 2021? Que bandeiras irá defender?

Diego Guimarães:
A primeira grande bandeira que nós vamos tentar estabelecer aqui na Câmara Municipal, como projeto de lei nesse caso, vai ser a emenda da moralidade, que é um projeto de lei que nós encabeçamos junto com Marcelo Bussiki em 2017, que tem como função melhorar a entrega dos serviços públicos por meio da colocação de pessoas em cargos de direção com aptidões técnicas suficientes para bem exercer essa função. Não estou falando apenas de formação de curso superior ou qualificação técnica, mas de experiência. Não dá mais de gente ocupar cargos de chefia por critérios meramente políticos, porque é amigo do prefeito, amigo do vereador, é primo de não sei quem, ele vai ocupar os espaços. Não é isso, isso não pode acontecer, chega, não dá mais.

O que nós precisamos é modernizar a coisa pública, ocupar os espaços com pessoas com competência, especialmente com servidores de carreira que já tem experiência, já tem o traquejo, já conhecem a máquina pública e estão prontos e preparados para dar sequência no bom serviço. Então esse é o principal projeto que eu quero já no início do mandato retomar.
 
Leiagora - Além dessa, quais outras bandeiras?

Diego Guimarães:
Outras bandeiras são pessoas com deficiências, a educação inclusiva para crianças com deficiência e a pauta concernente às doenças raras, que nós iniciamos esse ano com a aprovação do projeto de lei que cria o cadastro municipal das pessoas acometidas por lúpus. Fizemos a audiência pública que tratava sobre a pessoa com doença rara.

Então acho que as políticas públicas ainda estão muito distantes dessas famílias, dessas pessoas, desses munícipes. Então são bandeiras que eu quero continuar e sem abandonar outras que também nós levantamos ao longo do mandato, como defender a melhoria da prestação de serviço da coleta de lixo na nossa cidade com qualidade no ambiente de trabalho para os garis. Agiremos com a mesma coerência nas pautas, independente de quem seja o autor do projeto, evitando que projetos inconstitucionais existam no nosso município.

A principal bandeira nesses últimos quatro anos foi a coerência e pretendo dar sequência, agindo com coerência em todas as pautas, todas as matérias que eu apresentar ou for votar aqui na Câmara.
 
Leiagora - O Cidadania cresceu após a sua entrada, tanto que terá uma bancada com três vereadores na próxima gestão. Como estão as conversas dentro do partido, quais os planos para 2021?

Diego Guimarães:
Eu já sou o presidente municipal do Cidadania, assumi a presidência e poucas pessoas têm conhecimento porque assumi a presidência meses antes da eleição. Justamente para auxiliar o processo burocrático de formação da chapa, registro de candidatura, administração do fundo partidário, do qual eu abri mão. Mesmo sendo presidente do partido não me vali do fundo partidário, mas a gente sabe que muitos colegas do partido precisaram do fundo partidário para poder ter condições mínimas de fazer sua campanha.

E vejo, sim, o partido cresceu graças ao trabalho sério desenvolvido pelo presidente estadual Marco Marrafon, muito sério também desenvolvido pelo Felipe Wellaton que ajudou na formação dessa chapa vitoriosa que é a maior bancada da Câmara Municipal juntamente com o partido verde. Então é, sim, um partido vitorioso. Eu não tinha dúvida de que nossa chapa faria história em Cuiabá como foi feito. Poucos partidos tem essa honra de falar que construiu a maior chapa de um parlamento de uma Capital como Cuiabá.

Uma eleição muito difícil, normalmente apertada, muitos candidatos, um cenário ainda de pandemia, muitos títulos cancelados. Acredito que o Cidadania foi um grande vitorioso nessas eleições.
 
Leiagora - Em quatro anos no Legislativo, qual é o saldo? Quantos projetos seus se tornaram lei? Quais os principais? Quantos foram apresentados?

Diego Guimarães:
O Diego Guimarães tem mais de 50 projetos de lei apresentados, mais de 3 mil proposituras. Fizemos mais de 50 audiências públicas. Participei de todos os debates orçamentários, tenho 14 leis aprovadas. Considerando que muitas das nossas boas leis não foram aprovadas pelo fato de eu ser oposição.

Temos um gabinete virtual, que é o nosso aplicativo Eu Participo. Sou o único vereador que durante os quatro anos mantive um site institucional no ar com informações atualizadas acerca do mandato. Participei e fui presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a meu ver a principal comissão da Câmara Municipal, que faz o controle de constitucionalidade e regimentalidade dos projetos de lei em trâmite na Câmara Municipal. Tive a oportunidade de estar na Mesa Diretora, ser segundo vice-presidente no primeiro biênio.

Enfrentei duras batalhas junto com Abílio e Wellaton em CPIs e fiscalizações, sofremos duros e maldosos ataques durante o mandato na tentativa de desconstruir a nossa narrativa, o nosso perfil político, tentando nos jogar num mar de corrupção que normalmente os velhos políticos já estão inseridos, como é o caso do senhor Emanuel Pinheiro.

E a sensação que tenho é que terminamos esse mandato de cabeça erguida, em pé. Muitos não acreditaram que sequer conseguiríamos encerrar esse mandato, ou se encerrássemos nós estaríamos deitados, caídos e derrotados.

Vejo que é um novo perfil que um cidadão quer de um político. Um cidadão que não fala fino ou manso apenas para agradar a orelha do eleitor. Até nesse processo eleitoral algumas pessoas chegaram para mim: ‘Diego, você tem que agora ser o Dieguinho paz e amor’. Eu não vou ser o Dieguinho paz e amor para ganhar uma eleição. O Diego é o Diego. O Abílio é o Abílio. Wellaton é o Wellaton. Nosso perfil, nossa forma de pensar não pode mudar só para ganhar uma eleição, o que infelizmente aconteceu e acontece em alguns grupos políticos. Tenta-se aí amenizar, falar o que o povo quer ouvir, num verdadeiro estelionato eleitoral. Nós não fazemos estelionato eleitoral, tem que fazer a política com a verdade.

Então o saldo que a gente tem acredito que é extremamente positivo. Nós conseguimos não foi apenas tangenciar, nos inserimos em grandes debates ao longo desses anos. Foi o combate à corrupção, a pauta da pessoa com deficiência, a pauta do autismo, da dislexia, das doenças raras, do gari, a pauta concernente aos advogados, aos médicos oftalmologistas, ao vendedor de comida de rua, dos bares e restaurantes da nossa cidade, alguns bairros a gente esteve muito próximo.

Tivemos um mandato muito participativo e intenso, então o saldo é extremamente positivo ao meu ver.

Leiagora - Desses 14 projetos que se tornaram lei, quais o senhor destaca?

Diego Guimarães:
Um deles é o que contempla a liberdade religiosa. Eu sou sabatista, sou adventista do sétimo dia e para quem não sabe, o adventista do sétimo dia tem o sábado como dia sagrado, do pôr do sol da sexta ao pôr do sol do sábado, como um dia de guardo, um dia separado para que nós pudéssemos devotar nosso culto e também fazer dele memorial da criação.

E quando fui eleito, no primeiro ano de mandato ocorreu um processo seletivo da prefeitura, da secretaria Educação, e uma das fases caía no sábado e alguns sabatistas se viram impedidos de participar desse processo seletivo. Nós aprovamos uma lei de minha autoria que proíbe, no município de Cuiabá, a realização de concurso, processo seletivo e até provas de vestibulares aos sábados.

Posteriormente aprovamos outra lei que também impede a realização de provas e coloca como uma alternativa que o professor da rede pública municipal de ensino disponibilize uma data alternativa para que alunos que eventualmente tenham prova no sábado ou sexta-feira a noite possa fazer essa prova em dia alternativo. Então pra mim e para a comunidade onde estou inserido isso é muito significativo.

Posso citar também a lei que criou o cadastro municipal da pessoa acometida por lúpus. Ainda não é uma lei que está em prática porque o prefeito atual pouco fez, fez pouco caso da nossa lei. Mas acredito muito que com a vitória do Abílio a gente vai criar esse cadastro, facilitando e melhorando a qualidade de vida das pessoas que têm lúpus, que é uma doença rara, uma doença crônica, que não tem cura e a intenção do cadastro é justamente facilitar o acesso à medicação e tratamentos concernentes ao lúpus.
 
Leiagora - Sobre o funcionamento do Legislativo, como o senhor avalia a tramitação dos projetos?

Diego Guimarães:
Tem que melhorar muito. O Parlamento municipal ainda está na década de 80. Processos físicos, andamentos extremamente morosos, comissões que funcionam, mas que poderiam produzir muito mais. Acho que o parlamento tem que evoluir mais na transparência, a população tem que ter acesso aos projetos de lei. Eu e Felipe Wellaton que temos aplicativos, temos gabinete virtual, temos que nos desdobrar junto com a nossa assessoria para conseguir ter acesso aos projetos de lei que estão na pauta, para poder escanear e lançá-los no nosso aplicativo para que o cidadão tenha conhecimento do que a Câmara esta votando.

Acho que a Câmara administrativamente melhorou de quando nós entramos para hoje, mas acredito que na parte legislativa e de transparência precisamos avançar bastante.
 
Leiagora - Que avaliação o senhor faz da campanha desta eleição municipal como um todo? Crê que esse aumento do uso das redes sociais será tendência?

Diego Guimarães:
Acho que a população hoje, pelas redes sociais, está muito mais antenada à verdade. Hoje a verdade não é dominada por um ou dois grupos de comunicação, como acontecia no passado. A verdade hoje é dominada por cada cidadão, cada cidadão constrói a sua verdade diante dos fatos que ele consegue ter acesso. E hoje, pelas redes sociais, todo fato político se torna um fato acessível ao cidadão. ‘Aconteceu alguma coisa com o Diego e quero saber a versão dele’. Entra na rede social dele que vai ter o posicionamento.

A 10 anos atrás a gente não tinha essa facilidade dessa velocidade da informação, eram os grandes grupos de comunicação que detinham esse monopólio da informação. Essa população mais crítica e com a informação mais acessível, se tornou muito mais politizada e começou a fazer suas escolhas de maneira independente. Hoje ninguém consegue falar que consegue direcionar todos os votos, por exemplo, da sua família. Porque muitas vezes teu filho, filha, teu pai já estão com uma informação que eles colheram e formaram o convencimento deles e dificilmente isso vai mudar, porque estão convictos daquilo. E isso é muito bom, isso é muito saudável para a democracia.

Por outro lado, nós vimos um processo de pulverização das fakenews. Cuiabá hoje está invadida de uma forma nojenta e maldosa pelo grupo do prefeito do paletó, está invadida por fakenews numa tentativa desesperada de perpetuação do poder, de manipulação das informações, de manipulação da cabeça do eleitor. O risco muito grande que eles sabem que, perdendo o poder, eles devem ir pra cadeia.

O prefeito do paletó, não tenho dúvida, pelos desmandos que ele cometeu durante esses quatro anos, pelos inúmeros escândalos de corrupção. Esses escândalos chegarão até ele e ele responderá de maneira severa pelos erros que cometeu. Então é uma tentativa quase que cega de manutenção do poder com compartilhamento exagerado de fakenews. E aí eu registro a minha crítica ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral que tanto pregam o fim do fakenews e tudo o que está acontecendo em Cuiabá, a cidade sendo invadida, sendo bombardeada e as pessoas não sabem de onde vem as mensagens que estão chegando. Se as denúncias que eles apresentam fossem verdadeiras o Abílio já responderia processo.

Mas a população hoje, ao mesmo tempo que chegam essas fakenews, eles têm onde buscar a verdade e a verdade certamente prevalecerá neste domingo com a eleição de Abílio e Wellaton.

Ao eleitor cuiabano a mensagem que eu deixo é: vá às urnas, compareça, não transfira a responsabilidade para outro. No momento em que você deixa de ir para a urna você está concedendo a aquele que for à urna a responsabilidade de escolher quem irá ter governar pelos próximos quatro anos. O que nós queremos para os próximos quatro anos para a nossa cidade?

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