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Notícias / Agro e Economia

12/01/2021 às 08:53

Carne vermelha: preços subiram em 2020 e podem ficar ainda mais caros

Conforme presidente do Sindifrigo, preço médio do quilo não deve mais baixar aos patamares antes da pandemia

Edyeverson Hilario

Carne vermelha: preços subiram em 2020 e podem ficar ainda mais caros

Foto: Reprodução

Em 2020, você sentiu no bolso o aumento no preço da carne, sobretudo na segunda parte do ano, quando o preço médio do quilo da proteína saiu de R$29,38, para R$ 35,48. Durante os 12 meses, o alimento ficou 12,6% mais caro. O problema é que essa valorização não foi pontual, isso é, vai permanecer e ainda há chances de ficar além do que foi visto no último ano. Além disso, ela nunca mais voltará a ter o preço de anos atrás. É o que relata o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo), Tadeu Bellincanta.
 
O representante das indústrias frigoríficas explica que “dois fatores com bastante peso” determinaram a alta da proteína bovina no último ano e que esses fatores também devem influenciar o custo da carne durante o ano. O primeiro fator observado por ele é a baixa oferta de gado no mercado, o que aumentou o preço pedido pelos animais terminados.
 
Ele conta que nos últimos anos houve um grande volume abate de fêmeas, algo comum, já que a “pecuária é cíclica. Por isso, tem período em que se investe muito nas fêmeas e na criação do bezerro, consequentemente, há uma oferta maior de boi magro. Só lá na ponta, há uma oferta de boi gordo”.
 
Junto com esse movimento, comum na pecuária, Bellincanta também pontua que nos últimos anos houve um avanço da soja sobre a pecuária. O que também contribuiu para o cenário. “São alterações normais de mercado. Para cada alteração tem um fator que influencia. Nesse momento nós temos uma alta valorização dos grãos, que faz com que muitas áreas que eram ocupados por pastos, hoje estão com soja. Consequência disso são os preços mais altos na pecuária”, comenta.


Mais exportações, preços sobem ao consumidor brasileiro 

Outro fator que, segundo ele, contribuiu diretamente para o cenário, foi o aumento das exportações. Vale ressaltar que no último ano o Brasil quebrou recordes nas vendas internacionais de diversas commodities, sobre tudo do mercado de proteínas animais. Mas, “ainda que ela tenha batido recorde, o recorde das vendas de carne bovina teria sido maior, se não fosse a Covid-19”, relata o presidente.
 
Por esse motivo, Tadeu assegura que “uma solução para o Covid, na visão do que a gente espera para este ano, teremos um aumento nas exportações e não uma redução, nem mesmo apenas uma continuidade dos atuais volumes. A tendência é muito mais para que ela seja maior do que igual ou menor”, prospecta.
 
Diante dessa conjuntura de fatores, Bellincanta relata que a tendência é que nessa “economia globalizada”, o preço da proteína bovina se nivele aos demais mercados. Por isso, “a carne do brasileiro custará mais. Ficará mais cara, não há dúvidas disso. Como era antes ela não ficará mais, ponto”.
 
Ele explica que “a carne no brasil sempre foi um produto relativamente barato. Se comparada com outros mercados internacionais, você percebe que o produto é bem mais barato no Brasil”, finaliza.
 
Justifica que a permanência do preço está atrelada ao aumento do custo dos insumos. “Não teremos mais o milho de R$25 para tratar o boi. Eu posso te falar que isso é válido para todas as proteínas. As proteínas custarão mais caras”, finaliza.
 
Tadeu sustenta que o custo da alimentação subiu para “patamares muito grandes. O milho é o maior custo de ração de todas as proteínas. O maior componente de custo está no milho”. Situação que também vale para a ração do frango e do porco.
 
Ele recorda que o milho “era comercializado abaixo de R$30 até o ano passado. Hoje ultrapassa a R$70. Então, você teve um custo de produção bastante elevado e isso vai automaticamente deixar os produtos mais altos”, argumenta.
 

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