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10/02/2021 às 17:36

Novo laudo sobre atropelamento de verdureiro é inconclusivo sobre culpa de médica

Laudo fez dois cálculos para apontar se Letícia conseguiria ou não evitar o acidente, um considerou Francisco parado e outro em movimento

Eduarda Fernandes e Camilla Zeni

Novo laudo sobre atropelamento de verdureiro é inconclusivo sobre culpa de médica

Foto: Reprodução

Um novo laudo pericial feito sobre as provas apresentadas no caso que investiga o atropelamento do verdureiro Francisco Lúcio Maia, ocorrido em abril de 2018, é inconclusivo quanto à responsabilidade da médica Letícia Bortolini no acidente.

Concluído em 21 de dezembro passado e assinado pelos peritos criminais Lino Leite de Almeida e Henrique Praeiro Carvalho, o laudo fez dois cálculos para apontar se Letícia conseguiria ou não evitar o acidente. Um considerou Francisco parado e outro em movimento.

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Caso Francisco estivesse parado, o laudo apontou que Letícia teria condições de ver a vítima e evitar o atropelamento, mesmo na velocidade em que estava, em torno de 101 km/h, 147,8 metros antes do local da colisão.

Já com Francisco em movimento, se deslocando do meio-fio até o local do atropelamento, que resulta em 1,26 metro de travessia, Letícia não conseguiria ter evitado a colisão ainda que estivesse na velocidade permitida da via, de 60 km/h.

“Assim, dirimir essa dúvida, se o pedestre estava parado ou em movimento, um elemento circunstancial do evento, é fundamental para a resolução do caso, é o que se conclui”, aponta o documento.

O atropelamento
Francisco foi atingido às 19h34 na lateral esquerda do corpo. Após o impacto inicial, a vítima girou no sentido anti-horário e, devido a esse giro, e a continuidade de movimento do veículo, o pneu anterior esquerdo atingiu as pernas do verdureiro. Em continuidade, Francisco permaneceu em contato com a lateral esquerda do veículo até o momento em que seu corpo foi atingido pelo retrovisor esquerdo.

Francisco então foi impulsionado adiante e para a esquerda. “Na sequência, após sua trajetória no ar, o corpo da vítima atingiu a base do poste de concreto, mas ainda permaneceu em movimento sobre a calçada, e logo após atingiu a base do tronco de uma árvore, com os pés voltados para a pista oposta, momento em que se estabeleceu sua posição de repouso final”, segue o laudo.

Em condições normais, sem chuva, como estava no dia do atropelamento, o campo de visão era pleno. “Portanto, descarta-se qualquer interferência relativa à visibilidade, ou ao campo de visão dos condutores”.

O veículo de Letícia apresentava o sistema de freios, de setas e de luz de freio em pleno funcionamento, com exceção do farol esquerdo. O farol direito e a buzina também estavam em funcionamento.

Divergências
No momento do impacto, o carrinho de verduras de Francisco já estava no canteiro central e não foi atingido, motivo pelo qual o laudo anterior foi contestado. Pelos vídeos de câmeras de segurança de lojas da região, não é possível afirmar se ele estava parado ou em movimento quando foi atingido.

“Na página 16, o assistente técnico conclui que a lesão - ferida contusa aberta – na base do abdome do cadáver, foi provocada pelo braço do carro de mão. Por dois motivos tal hipótese deve ser descartada. O primeiro motivo é o fato de o veículo V2-Carro-de-mão, durante o atropelamento, estar fora da pista de rolamento. O segundo motivo é o fato de o braço do carro de mão possuir em sua terminação o perfil arredondado, fato que descarta sua associação com o tipo de lesão apresentada pelo cadáver”, afirma o laudo recente.

Além disso, o carrinho de verduras não apresentou nenhuma deformidade e não havia relato de manchas de sangue.

Na página 22 do parecer anterior, o assistente técnico retoma a tese de que a vítima fazia movimentos irregulares entre o canteiro e a borda da via. Tal tese não foi possível de ser confirmada no atual laudo, pois mesmo com o programa que possibilita ampliar a tela e ver o vídeo quadro a quadro, não dá para precisar se houve tal movimentação da vítima. “A qualidade do filme não permite discernir esse tipo de movimentação dada a distância das câmeras”, pontua.

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