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18/03/2021 às 07:00

Reflexo da pandemia, mais de 1.800 pessoas aguardam na fila de espera por cirurgias eletivas

Neste um ano de pandemia, em que as cirurgias estão suspensas, o Estado recebeu mais 479 solicitações

Eduarda Fernandes

Reflexo da pandemia, mais de 1.800 pessoas aguardam na fila de espera por cirurgias eletivas

Foto: Vinicius de Melo / Agência Brasília

Há exatamente um ano, em março de 2020, Mato Grosso interrompia a realização de cirurgias eletivas. Naquele mês, 1.398 pessoas já aguardavam em uma fila de espera por um dos mais de 420 tipos de procedimentos classificados como eletivos, ou seja, que não são urgentes.

Desde então, mais 479 pessoas fizeram novas solicitações à Secretaria de Estado de Saúde (SES) e hoje essa fila tem 1.877 pacientes, conforme dados computados até 12 de março.

Há meses que a Secretaria Estadual de Saúde vem estudando a maneira mais adequada e segura aos pacientes e profissionais de saúde para retomar os procedimentos e cirurgias eletivas nas unidades hospitalares geridas pelo Governo do Estado. Porém, a pasta depende dos números referentes à pandemia.

Karla Gonçalves de Deus, 35 anos, é uma dessas pacientes. Seria submetida a uma operação na vesícula. Em entrevista ao Leiagora, ela conta que estava na mesa de cirurgia quando cancelaram o procedimento. Enfrentando crises renais diárias, ela cansou de esperar e cogita pedir um empréstimo bancário para ser operada em um hospital particular.

“Vou ter que dar um jeito de fazer particular, porque eu fui atrás e não consegui nada porque está tudo parado, fechado. O médico cobrou R$ 6 mil para fazer particular”, conta.

Já estava na fila de espera há três anos. A demora foi tamanha, que quando chegou sua vez de ser submetida à cirurgia, os exames preparatórios já estavam vencidos. Karla havia feito exame de sangue, ultrassom do abdômen total, fezes, urina, risco cirúrgico e eletrocardiograma.

“Para fazer os exames levou um mês, mas para me chamarem foram anos. Aí quando chamou, o exame estava vencido e eles queriam que eu fizesse de novo. Corri atrás, só que aí o Metropolitano abriu a ala de covid e a cirurgia ficou em aberto”, relata.

Nas últimas semanas, as idas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e farmácias têm sido praticamente diárias. Sobre a dor, Karla diz que não deseja nem a um inimigo. “Parece a dor da morte. Não consigo trabalhar, não consigo fazer nada porque quando vem a crise, olha... Tomei Tramal, tomei injeção de Profenid, Buscopan. Nada para. O que eu já gastei...”, comenta.

Justificativa
Em nota enviada ao Leiagora, a SES destaca que os procedimentos tidos como de urgência não foram interrompidos. Ainda segundo a secretaria, a necessidade dos exames preparatórios, assim como o tempo de validade, depende de cada tipo de procedimento cirúrgico. Ocorre que não só as cirurgias, mas consultas e exames também foram suspensos. Neste sentido, a pasta pontua que não existe outra fila de espera para pacientes cujos exames expiraram.  

A reportagem pediu um detalhamento do número de vezes que cada procedimento foi requisitado, mas a resposta da secretaria foi que a quantidade de procedimentos classificados como eletivos impossibilita o sistema de filtrar quais são os mais solicitados.

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