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08/03/2021 às 16:21

Em 2020, 79% das vítimas de feminicídio em MT nunca registraram boletim de ocorrência

Conforme o estudo, em 74% dos casos, o local do assassinato foi dentro da própria residência

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Em 2020, 79% das vítimas de feminicídio em MT nunca registraram boletim de ocorrência

Foto: Reprodução

Ao longo de 2020, enquanto a pandemia preocupava centenas de milhares de pessoas no mundo, 62 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Um dado alarmante sobre este triste cenário é que 79% das vítimas não possuíam registros anteriores de violência doméstica, ou seja, nunca tinham feito boletim de ocorrência contra o agressor.

Os dados são apontados no relatório técnico produzido pela Superintendência de Observatório de Segurança Pública, que analisou todos os casos de feminicídio no Estado do ano passado. Conforme o estudo, em 74% dos casos, o local do assassinato foi dentro da própria residência, enquanto 16% foram em via pública. Outro dado que chama a atenção é que apenas 13% tinham registros de ameaça, porte de arma ou vias de fato.

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Das 62 vítimas de feminicídio, 10 tinham medida protetiva. As outras 52, não. Seja porque não registraram boletim de ocorrência ou porque não foram amparadas pela Justiça.

A arma branca – facas ou outros meios cortantes – foi o principal meio empregado na prática do crime, 43 mulheres morreram dessa forma. Outras 11 foram mortas por arma de fogo, cinco pela força muscular e três casos por outros meios. A maioria das mortes foi registrada nos finais de semana, pela madrugada.

As vítimas, em sua maioria, tinham idade de 25 a 45 anos, sendo que em 42 casos a motivação para o crime foi passional, seguido por sexual e outros. A maioria dos assassinatos ocorreram no interior e 5 foram em Cuiabá.

Um desses casos ocorreu na madrugada desse domingo (7), seguindo o padrão detectado pelo relatório. No município de Querência, um homem de 33 anos matou a namorada com golpes de faca durante uma discussão. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil logo após o crime. O suspeito foi autuado por homicídio qualificado pelo feminicídio.

O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, destacou que apesar do crescimento do registro de casos de violência doméstica, é necessário que as mulheres procurem a delegacia no primeiro sinal de ameaça.

“É muito difícil qualquer ação para um crime dentro do seio familiar, geralmente de madrugada, sem que alguém possa ouvir, e sem a comunicação da vítima da violência que padecia. Acredito que não é só a violência que está aumentando pela pandemia, mas que as mulheres têm comunicado mais e procurado a polícia”, destacou o secretário.

Bustamante diz ainda que os dados de feminicídio só não são maiores porque as mulheres têm feito boletins de ocorrência. “Temos muito mais registros de violência doméstica dos que roubos na baixada cuiabana. É mais do que o dobro de roubos. Contudo, em casos a ameaça à vida, a mulher deve buscar imediatamente a polícia e denunciar o agressor”.

O secretário destaca que a violência doméstica é mais do que um problema de segurança pública, mas cultural e social. “Muitas vezes perdoar a agressão paga-se com a vida, esconder uma violência, não colocar o caso sob a governabilidade das autoridades de segurança por vergonha ou por acreditar que não vai se repetir, também é perigoso. Por isso, a gente reforça para que denunciem para que a polícia, o Ministério Público, Defensoria e o Poder Judiciário possam agir”.  

 
Com informações da Sesp
 

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