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08/04/2021 às 16:00

Cuiabá 302 anos: Conheça a história do cuiabano que mantem viva a cultura do cururu

De família tradicional, Osvaldo de Souza Brito cresceu encantado com a viola de cocho e o ganzá, observando os cururueiros que animavam as festas da família

Luzia Araújo

Cuiabá 302 anos: Conheça a história do cuiabano que mantem viva a cultura do cururu

Foto: Arquivo Pessoal

Foi nas festas de Santo organizada pela sua família no bairro Chácara dos Pinheiros, em Cuiabá, que Osvaldo de Souza Brito, de 35 anos, ouviu os primeiros acordes da viola de cocho e o som do ganzá nas toadas do cururu. O ritmo marcante na voz dos homens encantou o cuiabano ainda pequeninho. Neste aniversário de Cuiabá (8) vamos conhecer a história desse cururueiro, que ainda mantem viva uma das tradições cuiabanas. 

Nascido em uma família tradicionalmente cuiabana, Osvaldo cresceu em meio a cultura regional. Já teve tio que fabricava viola de cocho e até hoje ajuda seus familiares a organizarem a festa em devoção à São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida, mas foi a cultura do cururu que o encantou. 

O seu interesse surgiu observando os cururueiros vinham animar as festas de Santo da família. Caçula de cinco irmãos, Osvaldo, foi o único que aprendeu a tocar viola de cocho e o ganzá. Ele tinha de sete pra oito anos quando ganhou uma mini viola de cocho. Com o tempo, Osvaldo também aprendeu a tocar o ganzá e a cantar as toadas do cururu. Desde então, ele nunca mais parou de se juntar a outros cururueiros para se apresentar.  

Hoje ele integra a Associação de Cururueiros “Tradição Cuiabana do Cóxipo”, que existe há 10 anos e é composta por 35 membros. Osvaldo disse que sente orgulho de manter viva uma tradição cuiabana, mas lamentou que a pandemia acabou com as festas que costumava se apresentar. 

“Já tem 2 anos que não temos festas de Santo. Imagina como que está o nosso povo mais antigo. Aqueles cururueiros antigos que gostavam de perder noite no cururu. Agora com essa pandemia não pode ter nada. É triste demais”. 

Osvaldo vem mantendo a tradição de passar a cultura cuiabana de geração para geração na sua família. Ele contou que incentiva suas duas filhas, Ana Sofia e Ana Alice, a praticarem a tradição.  “Elas já dançam o siriri e gostam da nossa cultura”.

Para Osvaldo, o cururu é uma terapia e uma forma de divertimento e lazer, que representa tudo para ele. Entretanto, lamentou que o Poder Público só valoriza a cultura quando precisa. “É que nem agora, aniversário de Cuiabá. Se não fosse a pandemia, estaríamos apresentado nos eventos em comemoração, mas depois que passa os festejos, o cururu é esquecido. Não tem valorização”. 

O cururueiro também disse que o grupo não tem crescido e nem reunido, porque a maior parte dos integrantes são idosos e com a pandemia é impossível a aproximação. Ele se entristece quando vê que hoje em dia são poucos os jovens que se interessam pelo cururu. “Temos alguns que já estão aprendendo o cururu na baixada cuiabana, mas ainda é muito pouco, porque hoje em dia há muitos outros tipos de lazer e infelizmente a cultura vai perdendo o interesse dos jovens. 

Osvaldo sugeriu que jovens aprendam um pouco desta cultura. “Estude um pouco. Vá buscar saber o que é o cururu, de onde surgiu e ver como ele é uma cultura saudável e só traz o bem para saúde, comunidade e valoriza a tradição”. 

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