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09/04/2021 às 17:00

Secretária admite falta de insumos e medicamentos e diz que materiais chegam sábado

Ozenira ameniza alegando ser um problema nacional e diz que existe uma corrida desesperadora pelos insumos: 'temos que pedir pelo amor de deus'

Eduarda Fernandes e Marina Martins

Secretária admite falta de insumos e medicamentos e diz que materiais chegam sábado

Foto: Davi Valle / Prefeitura de Cuiabá

A secretária de Saúde de Cuiabá, Ozenira Félix, admite que a falta de insumos e medicamentos para o tratamento de pacientes diagnosticados com a covid-19 é uma realidade na Capital, o que coloca o Município numa busca incessante pela aquisição desses materiais. Ela garante empenho, mas revela que este é outro cenário que a pandemia tem criado, uma espécie de “leilão”, onde quem paga mais, leva.

“Ocorre, sim, às vezes haver uma falta. Geralmente quando a equipe comunica, a gente já organiza a rede, de forma a ver se há num lugar que possa estar passando para o outro. E assim que chegam as cargas a gente redistribui. Isso não é uma coisa que Cuiabá está passando, isso é uma coisa em nível de Brasil. Porque não há, principalmente os remédios na área de intubação, eles são muito difícil, de sedação. Eles estão cada dia mais caros, assim como a luva”, relata a secretária em entrevista ao Playagora.

Ciente da situação enfrentada no Hospital de Referência para Covid-19 de Cuiabá, o antigo pronto-socorro, Ozenira adianta que espera um novo carregamento até, no máximo, este sábado (10). Para suprir, momentaneamente, a necessidade do hospital, foi feito um remanejamento na rede municipal de saúde.

O Leiagora noticiou o drama vivenciado por pacientes e funcionários dessa unidade. Leia aqui ou assista aqui.

Outra dificuldade relatada pela secretária é a de não conseguir comprar em grande volume. “Isso a gente tem passado. Há municípios que ligam, inclusive, pedindo ajuda, que eles acham que a gente tem, mas não tá fácil não”.

Exemplo da alta nos preços de insumos são as luvas, que antes custava em torno R$ 10 uma caixa, hoje Ozenira cita que encontra a R$ 90, R$ 100, R$ 130 “e ainda temos que pedir pelo amor de deus”.

Mais dramático ainda é quando o Município passa por todas essas fases, a de localizar o insumo ou medicamento, comprá-lo num valor minimamente equilibrado, mas ainda precisa cruzar os dedos para que a entrega seja efetuada. “Já tivemos problemas, por exemplo, da empresa falar ‘estamos indo’, no caminho alguém oferecer mais e ela já pegar outro rumo com a carreta. Isso não foi uma vez, não. Foram várias vezes”, conta.

Neste cenário, a secretária faz um apelo à população para que entenda que esta não é uma crise experimentada apenas por Cuiabá. “Há hospitais querendo parar porque não conseguem comprar os insumos necessários. Só que temos feito um trabalho em toda a rede, de toda vez que temos um problema a gente reorganiza a rede para um auxiliar o outro. Mas, realmente, não está fácil a questão do medicamento e insumo”.

Com relação ao caso específico do Hospital Referência, onde servidores relataram que pacientes com casos leves acabam se agravando por falta de sedativo ou de sonda, podendo, inclusive, levá-los a óbito, a secretaria diz estar a par da situação.

Conta que há uma rotina de visita às unidades e sempre que a necessidade é detectada, é feito uma tentativa de remanejamento de insumos e medicamentos entre as unidades até que a próxima carga chegue.

“Hoje estamos conseguindo, temos carregamentos para chegar. [...] Por exemplo, nós estávamos trabalhando com uma quantidade de medicamento que nós tínhamos que manter, nós aumentamos esses leitos justamente para atender a nossa população. Com isso, aumenta as cargas que nós temos que receber e nem sempre esse fornecedor tem a condição”, acrescenta.

Por fim, Ozenira Féliz se coloca à disposição dos profissionais da rede municipal de Saúde de Cuiabá para que a procurem pessoalmente caso não obtenham retorno dos pedidos de insumos e medicamentos. “Nenhum país estava preparado para essa crise, mas deixo à disposição. Qualquer unidade que tiver dificuldades, minha porta é aberta, eu estou aberta a escutar e procurar uma solução”.

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