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Notícias / Judiciário

12/04/2021 às 08:00

Juiz cita falta de profissionais e manda soltar enfermeira acusada de roubar testes de covid-19

Magistrado observou que ela não tem antecedentes, possui residência fixa, trabalho e dependentes. A mulher também foi obrigada a continuar atuando na linha de frente contra a covid

Camilla Zeni

Juiz cita falta de profissionais e manda soltar enfermeira acusada de roubar testes de covid-19

Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

A enfermeira G.G.T, de 44 anos, presa em flagrante nesse domingo (11) acusada de roubar testes de covid-19 do Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, foi solta pela Justiça ao passar por audiência de custódia. 

De acordo com o juiz Marcos Faleiros, plantonista e responsável pela 11ª Vara Criminal de Cuiabá, a decisão foi tomada considerando a escassez de profissionais da saúde para atuar na linha de frente contra a covid-19. 

"Vale ressaltar que é notória a comoção social com relação a casos similares, envolvendo crimes semelhantes praticados em momento de pandemia. Entretanto, apesar dos fatos serem extremamente graves, entendo que neste momento atual que vivenciamos seria prejudicial a perda de uma profissional com 11 anos de experiência que poderá estar salvando vidas, laborando na linha de frente da covid", diz trecho da decisão assinada ontem.

O magistrado também destacou que a enfermeira é primária, tem moradia fixa e dependentes. Conforme Faleiros, não há nada que justifique, portanto, a custódia da acusada. 

"Assim, tenho que a autuada não se apresenta, neste momento, como um risco para sociedade, motivo pelo qual não se verifica qualquer outra situação que possa justificar a prisão cautelar da mesma, de modo que se impõe que seja concedido o benefício da liberdade provisória", explicou o magistrado. 

Ainda segundo informações obtidas pelo Leiagora, uma supervisora da profissional pediu à Justiça que não a afastasse do trabalho após sua soltura, o que foi permitido. 

Como medida cautelar para sua liberdade, o juiz determinou que ela permaneça trabalhando na linha de frente contra a covid-19. Ainda, que, caso seja dispensada da Santa Casa, procure outra unidade covid-19 para atender.

O caso

De acordo com a Polícia Civil, denúncia levada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) dava conta de que uma profissional da Santa Casa teria roubado diversos kits de testagem da covid-19, bem como materiais de acesso venoso e nasal, que são de uso estritamente hospitalar. 

Já no local, a bolsa da enfermeira foi revistada, onde uma sacola preta, com os diversos itens, foi localizada. Eram 25 cotonetes em um envelope plástico lacrado; um frasco de reagente; 25 frascos para pipetagem; dois equipos macrogotas; dois equipos dupla via; quatro cateteres nasais tipo óculos de oxigênio e vários cateteres intravenosos de marcas diversas.

À Polícia, a mulher alegou desconhecimento da maioria dos itens encontrados na bolsa, tendo afirmado apenas que reconhecia os cateteres nasais e alegando que os mantinha em sua bolsa para casos de emergência de estabilização. Ela também afirmou que esses itens eram seus particulares e não do hospital. 

Um profissional de enfermagem ouvido na delegacia divergiu, porém, afirmando que todos os materiais encontrados com a enfermeira são de propriedade do hospital e que os códigos que constam são de controle interno da farmácia da unidade, como forma de saber como está sendo utilizado. Ele informou ainda que a profissional detida tinha a função da triagem dos pacientes, o que não abrangia a realização de testes covid, que é realizada por enfermeiros próprios da unidade hospitalar. Ele destacou que servidor do hospital não tem autorização para sair com medicamentos ou instrumentos de trabalho.

A diretora do hospital compareceu à DHPP e também atestou a propriedade do material encontrado como sendo da unidade e frisou que os equipamentos de acesso venoso e nasal são de aquisição e uso estritamente médico hospitalar.

A Polícia Civil também conseguiu acessar ao celular da enfermeira, com seu consentimento, e localizou uma conversa na qual ela negocia serviços com um médico. Aí, ela pergunta se ele precisaria de algum material e diz que ela pode resolver, caso falte algo. 

A enfermeira foi autuada por peculato, uma vez que, apesar de não ser concursada da Secretaria de Estado de Saúde, atuava em uma unidade pública hospitalar. 

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