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Notícias / Judiciário

10/05/2021 às 17:40

Empresário diz à Polícia Federal que foi coagido a fazer caixa 2 para Taques

Dalmi Defanti, da Gráfica Print, revelou que foi procurado para fazer a doação legal de R$ 2 milhões em materiais de campanha e, ao final, foi coagido a mudar esquema

Camilla Zeni

Empresário diz à Polícia Federal que foi coagido a fazer caixa 2 para Taques

Foto: José Medeiros / Gcom

O empresário Dalmi Defanti, dono da Gráfica Print, afirmou à Polícia Federal que se sentiu coagido a participar de um esquema de caixa dois na campanha eleitoral do ex-governador Pedro Taques. Defanti justificou que Taques havia sido membro do Ministério Público Federal e era, à época, senador. Além disso, ele já havia prestado o serviço. 

As declarações do empresário constam no inquérito policial movido contra o ex-governador para investigar a suposta prática de caixa dois, delatada pelo empresário Alan Ayoub Malouf. O depoimento de Defanti foi colhido em fevereiro de 2020 e o sigilo sobre a documentação foi levantado no início de maio deste ano. 

À PF, o empresário também confirmou o esquema de caixa dois, revelando que devolveu valores que foram pagos pela coordenação de campanha à sua empresa em razão da prestação de serviços gráficos. 

Defanti confirmou que foi apresentado a Taques por Alan Malouf, em uma reunião no apartamento do então candidato, na qual acordaram a doação para a campanha eleitoral por meio do fornecimento de materiais gráficos. Entretanto, segundo ele, ao contrário do que Malouf afirmou em delação, não houve acordo de valores nessa ocasião. Apenas depois, segundo ele, foi lhe pedida a doação de R$ 2 milhões, a qual ele aceitou.

O empresário disse que se sentiu atraído em contribuir com a campanha porque Taques teria lhe garantido que, durante seu governo, não iria interferir politicamente nas licitações, que correriam sem direcionamentos ou vantagens a qualquer pessoa. Ele ainda destacou que, àquela altura, o acordo era para que as doações fossem realizadas de forma oficial, ou seja, declaradas na prestação de contas do candidato. 

Contudo, não foi o que aconteceu. Segundo o empresário, quando a campanha eleitoral começou e os pedidos gráficos chegaram, a empresa emitiu nota fiscal da prestação de serviços normalmente, constando exclusivamente o custo dos materiais prestados. Então, a coordenação de campanha fez o pagamento de uma primeira nota ainda em agosto de 2014. Ao serem questionados, os responsáveis teriam lhe respondido que ao final da campanha seria feito o acordo, já que a estimativa do comitê era que os produtos superassem o limite da doação, de R$ 2 milhões. 

Defanti revelou à Polícia Federal que, no entanto, em outubro de 2014, foi procurado por uma pessoa do comitê da campanha de Pedro Taques, sugerindo que a Gráfica Print não aparecesse como doadora oficial. Segundo ele, isso era contrário ao que havia sido combinado, tendo sido a emissão de recibos de doações eleitorais, inclusive para fins de abatimento de imposto na empresa. 

Segundo ele, a proposta era que a gráfica figurasse como prestadora de serviço, constando como despesa de campanha, que a coordenação faria o depósito integral dos valores constantes nas notas fiscais emitidas. O empresário, então, devolveria a parte referente às doações.

"Que inicialmente o declarante resistiu, mas sentiu-se coagido a agir dessa forma por se tratar de ex-membro do Ministério Público, atual senador e governador já eleito. Que diante da impossibilidade de 'voltar atrás', agiu conforme exigido pela coordenação da campanha", consta no termo do depoimento. 

Conforme revelou, entre o final de outubro e início de novembro de 2014, foi feito o depósito do valor da conta da Gráfica Print, de cerca de R$ 440 mil, e ele, então, sacou o dinheiro de forma fracionada em diferentes dias. Defanti revelou, ainda, que o valor excedente dos R$ 2 milhões seria correspondente à diferença de R$ 909.601,88 e o valor de R$ 440 mil. 

O empresário garantiu que os valores foram devolvidos para "mensageiros enviados pela direção da campanha", na sala do financeiro da Gráfica Print. Entretanto, disse não se recordar quem foi buscar o dinheiro. Ele se disponibilizou a buscar provas dos saques dos valores, porém.

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