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Notícias / Polícia

08/09/2019 às 09:26

Esposa de presidiário relata angústia de familiares por falta de notícias

Nesta semana completa um mês da operação realizada pela Secretaria de Segurança Pública, na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Luzia Araújo

Esposa de presidiário relata angústia de familiares por falta de notícias

Foto: Reprodução

A angústia toma conta da diarista Maria Joana, de 32 anos, (nome e idade fictícios), que está há mais de um mês sem ter notícias do seu marido. Em entrevista exclusiva ao Leiagora, ela relata como tem sido ficar tanto tempo sem ver a pessoa amada. Ela não é a única. Nesta semana completa um mês da operação realizada pela Secretaria de Segurança Pública, na Penitenciária Central do Estado (PCE). 

Com isso, esposas, mães, filhos e outros familiares estão proibidos de visitar os 2.400 presidiários, nesse início de operação, para que os agentes penitenciários possam executar as ações com a segurança necessária. 

A falta de contato deve-se ao fato de as visitas estarem suspensas devido realização de uma operação intensiva de revista geral na carceragem. A ação ocorre desde 13 de agosto com o objetivo de faxinar, higienizar, retirar materiais em excesso e, posteriormente, reformar as celas de todos os raios que compõem a maior unidade prisional do Estado.

Maria Joana conta que conheceu o marido dentro da Penitenciária Central do Estado. Ela o conheceu por meio de um amigo. O esposo já está há quatro anos preso pelo crime de roubo e esta é a primeira vez que ela fica tanto tempo sem vê-lo. “A última vez que nos encontramos foi em uma visita no dia 4 de agosto, porque na semana que iria ser a nossa próxima visita começou a operação. Então, nunca mais encontrei com ele. Quarta-feira completou um mês”, lamentou a mulher. 

Ela disse ainda que as visitas na penitenciária eram quinzenais, sempre nas quartas-feiras de forma alternada e nos domingos. Para Maria Joana, esses dias eram os mais esperados por ela. Agora, sem poder vê-lo, o período é de muita angustiada. “Todo esse tempo sem notícias tem me deixado mal, porque nem a advogada está conseguindo entrar para falar com ele e nos trazer informações lá de dentro. Tenho medo dele estar doente, passando fome, sede ou até maus tratos”, disse a diarista. 

Maria Joana contou que não tem filhos com o presidiário, mas que os outros familiares também sofrem com a distância e a falta de informação. Ela chegou a ir até a unidade prisional depois que começou a operação em busca de notícias que pudessem acalmá-la, mas as tentativas foram em vão. 

“No começo ia todos os dias, mas eles [agentes] não diziam nada. Agora, não vou mais, porque não ando bem de saúde”, disse Maria, que foi diagnosticada com começo de pneumonia. 

Para a diarista, a operação não vai melhorar a vida dos presidiários, pois, segundo ela, eles estão passando por dificuldades. “Eles estão sem luz, água e colchão. Sem nada. Nem estão recebendo visita dos advogados”, destacou. Por outro lado, ela concorda com a retirada de lixo e a reforma nas celas para melhorar a saúde dos internos. 

De acordo com o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT), Flávio Ferreira, a alimentação, colchão e visita dos advogados aos internos está regular na unidade prisional. "As únicas dificuldades que os advogados tiveram foi na primeira semana, mas foi solucionado após uma reunião com o Secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, e o Tribunal de Justiça”. 

Em relação a comida e colchão a denúncia também não procede, segundo Ferreira. “O que existe lá e não está pronto ainda é a ventilação. Antes os ventiladores ficavam dentro da cela e com o problema dos celulares optou-se por retirar as tomadas de dentro e instalá-las fora. Então, os ventiladores estão instalados nos corredores e são insuficientes, porque são pequenos e frágeis. Além disso existe a superlotação e o nosso calor, que se agrava já que o presídio é de laje”, relata. 

Porém no projeto de reforma serão adquiridos um tipo de refrigeradores industriais, que irá minimizar essa situação. Quanto a superlotação, Ferreira relatou a existência de uma força-tarefa formada por representantes da OAB, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública está sendo montada para analisar e julgar os processos dos 2.400 mil presos, para reduzir os números de internos no local. 

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), por meio da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, esclareceu, em relação à ventilação, que os ventiladores retirados das celas foram instalados nos corredores, garantindo mais espaço e melhor acomodação nos locais. Além disso também serão instalados climatizadores de ambiente nos corredores de todos os raios da carceragem.

Segundo a Sesp, a operação tem acompanhamento de órgãos de controle externo como a OAB-MT, Defensoria Pública, Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho Estadual de Direitos Humanos e Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário.

 Sobre a lotação da unidade, a Secretaria informou que a nova penitenciária que será entregue em Várzea Grande, com capacidade para 1.008 vagas, auxiliará na redução do déficit de vagas nas unidades da área metropolitana de Cuiabá.

Quanto ao fim da operação, a Sesp disse que ainda não foi concluída, uma vez que o prazo informado é de 30 dias. As visitas de familiares serão liberadas tão logo a operação seja concluída.

Noticia mais que esperada por Maria Joana que sonha em ter o marido em casa ao seu lado.  “Se a operação terminasse hoje, eu iria correndo para lá para reencontrá-lo, abraçá-lo e dizer que o amo muito. Não vejo a hora disso acontecer”, desabafa.
 

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