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Notícias / Agro e Economia

22/09/2019 às 15:30

Cooperativa tenta recuperar áreas degradadas na região

A entidade presta assistência técnica para obter licença ambiental da Sema e para recuperar áreas já exploradas

Leiagora

Cooperativa tenta recuperar áreas degradadas na região

Foto: Reprodução

A principal iniciativa para enfrentar o passivo ambiental e regularizar a atividade mineral na região do Rio Peixoto de Azevedo vem da Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe).

Fundada há 11 anos e com cerca de 5.500 associados em sete municípios, a entidade presta assistência técnica para obter licença ambiental da Sema e para recuperar áreas já exploradas por meio do nivelamento do solo, do replantio e do reaproveitamento dos buracos para a piscicultura.

"Estamos tentando mudar a cultura", afirma o presidente da Coogavepe, o ex-bancário paulista Gilson Camboim. "A repressão não está resolvendo. O que vai resolver é a mudança de consciência."

Para auxiliar na recuperação de áreas, a cooperativa conta com um biólogo, um engenheiro florestal, além de disponibilizar mudas de plantas nativas, produzidas em convênio com a prefeitura, entre outras iniciativas.

Camboim levou a reportagem a três áreas de extração de ouro. Em ambas, chamam a atenção os buracos profundos e o uso intensivo de escavadeiras e tratores, em uma escala mais próxima da mineração mecanizada e distante do garimpo de mão de obra intensiva e práticas rudimentares.

Nesses casos, o nivelamento é feito com a utilização do topsoil, a camada superior, rica em matéria orgânica, que fica armazenada enquanto ocorre a exploração. Como a maioria da mineração atual está sobre áreas já desmatadas, o replantio é feito com pastagem.

Outra aposta da Coogavepe tem sido o aproveitamento das crateras abandonadas para a piscicultura, ainda incipiente. O caso mais bem-sucedido é do produtor rural Vilamir Longo, que cria pirarucu após transformar crateras do garimpo em tanques.

Já na área próxima do rio, a antiga área de garimpo foi aos poucos tomada pela capoeira, vegetação mais baixa do que a floresta original. "Evidentemente que o homem jamais vai refazer o que Deus fez", afirma o produtor gaúcho.

Um dos principais especialistas em restauração florestal, o biólogo da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq-USP) Ricardo Rodrigues afirma que a regulamentação no licenciamento ambiental previsto pela Sema é adequada, mas a fiscalização em campo é ineficiente. "O problema sempre volta para [falta de] técnicos capacitados, idôneos."

Com relação ao passivo ambiental, Rodrigues discorda da Sema ao afirmar que a recuperação é responsabilidade do Estado. "Todo mundo sabia que havia atividade garimpeira lá, e o poder público não fez nada para evitar e corrigir. Está sendo transferido para a sociedade, mas foi uma ineficiência do Estado."

Rodrigues se opõe à abertura de terras indígenas para a mineração. A atividade depende de regulamentação do Congresso e consulta aos povos afetados. Bolsonaro promete apresentar uma proposta.

"Antes temos de demonstrar que o que estamos fazendo nas frentes atuais é adequado. A qualidade de restauração está muito aquém do desejado nas áreas que estão sendo mineradas. Por que elas seriam melhores nas áreas não mineradas?"

O sobrevoo do rio e parte das passagens aéreas foram custeadas pelo ISA (Instituto Socioambiental).

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