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02/02/2020 às 13:50

Quem é Mari? Desaparecida há 25 dias, ela tinha conquistado a casa própria e planejava férias para rever familiares - VEJA VÍDEO

Para entender melhor a misteriosa história do desaparecimento de Mari, a reportagem do Leiagora foi até Santo Antônio para falar com quem convivia com ela.

Luzia Araújo

Quem é Mari? Uma pessoa dedicada, amiga, que veio do Maranhão em busca de oportunidades e mantinha uma jornada de três empregos sem reclamar e sempre com um sorriso no rosto. Uma cozinheira de mão cheia. Com a conquista da casa própria e férias planejada para visitar a família no seu estado de origem, sumir, definitivamente, não fazia parte dos planos dela.

Para entender melhor a misteriosa história do desaparecimento de Mari, a reportagem do Leiagora foi até a cidade de Santo Antônio do Leverger (29 Km de Cuiabá) para falar com as pessoas que a conheciam e saber mais sobre a vida dela.

O desejo de abrir um restaurante na cidade de Santo Antônio do Leverger, que oferecesse, além de almoço, pizza durante a noite aos moradores, fez com que as vidas de Caudene Gomes Silva, de 32 anos, e da travesti Mari Bastos, nome social de José Mário Bastos, de 37 anos, se cruzassem.

Caudene, conhecida também como Duda, comprou um restaurante no início da avenida principal da cidade e sem saber como tocaria o serviço durante a noite, procurou o ex-proprietário do lugar para descobrir quem o ajudava quando estava à frente do negócio. Foi nesse momento que Duda e Mari se conheceram e a relação que era para ser apenas profissional e temporária se tornou uma grande amizade, que já durava mais de cinco anos.

“Ela que me ensinou a fazer pizza e a trabalhar nesse ramo. Mari já tinha experiência, desde quando ela morava no Maranhão, e nos ajudou muito, com o seu conhecimento”, disse Duda.  

Com o tempo, Mari passou a considerar Duda como uma pessoa da família dela, já que não tinha nenhum parente em Santo Antônio do Leverger e sempre que precisava de ajuda procurava pela patroa e o esposo dela.

“Tínhamos uma relação profissional, mas também uma relação de amizade e companheirismo. Ela sempre falava que a família dela era onde ela trabalhava e sempre que precisava de ajuda nos procurava, porque não tinha nenhum parente aqui. Tudo que podíamos fazer por ela, nós fazíamos, porque ela era uma ótima funcionária e um bom ser humano”.

Mas no dia 08 de janeiro de 2019, essa relação foi quebrada com o desaparecimento de Mari. Há 25 dias, Mari nunca mais foi vista na cidade e não deu mais notícias, depois que deixou o trabalho.

Duda lembrou que no dia do desaparecimento, Mari não comentou nada que pudesse levantar suspeita de que iria sumir. “Várias pessoas me perguntaram se ela estava nervosa ou sendo ameaçada, mas não. Aquele dia, foi um dia normal. Ela estava calma, tranquila, trabalhou e conversamos bastante. Em nenhum momento, ela me falou de querer ir embora. Ela gostava da cidade, já tinha até comprado uma casa e não tinha a pretensão de vender ou deixar Santo Antônio. Ela falava apenas das férias que planejava para visitar a família no Maranhão”, lembrou a amiga.

No dia seguinte ao desaparecimento, um rapaz que era amigo da travesti esteve no restaurante de Duda para saber se Mari tinha trabalhado na noite anterior. A empresária confirmou que a funcionária esteve no serviço. Em seguida, o rapaz foi em um outro lugar onde a travesti trabalhava para saber se Mari estava lá e soube que a amiga não tinha ido trabalhar.

O rapaz percorreu outros lugares onde Mari costumava passar, mas ninguém deu notícias sobre o paradeiro dela. 

“Quando foi a tarde, ele me ligou falando que não conseguiu falar com a Mari, que tinha achado o telefone dela embaixo do travesseiro e que ela não costumava sair sem avisar ou faltar o serviço. Eu falei para ele esperar o horário dela voltar para a pizzaria e que ela iria aparecer, mas Mari não veio. Na sexta-feira procuramos a delegacia para registrar o Boletim de Ocorrência e pedimos ajuda para outras pessoas para localizar a Mari, porque ela não tinha o habito de sumir, mas os dias foram passando e se tornando angustiantes”, disse Duda.

Hoje, o maior desejo da amiga e patroa de Mari é justiça. “Sinto uma vontade imensa de justiça. Alguém tem culpa nesse sumiço dela. Alguma coisa aconteceu. Não é possível que não tenha acontecido nada e que ela fique tanto tempo assim sem dar notícias. Me sinto de pés e mãos atadas, porque você vai na Polícia, ela prende as pessoas e não consegue provar. Enquanto isso, ficamos na ansiedade. Esses dias estão sendo muito ruins”.

Desde o registro da denúncia as forças de Segurança Pública realizam diligência na região para localizar a travesti. Até cães farejadores do Corpo de Bombeiros estão empregados nos trabalhos para desvendar o caso. No último dia 24, três rapazes foram presos pelos populares, em Santo Antônio do Leverger, suspeitos de envolvimento no desaparecimento da travesti, entre eles, o amigo de Mari. Eles foram levados à delegacia, porém soltos devido a nova Lei de Abuso de Autoridades, que conduzidos não podem ser ouvidos noite, quando a prisão não configura flagrante.

Quatro dias depois, o delegado responsável pelas investigações, Cláudio Victor Freesz, ouviu os três suspeitos, entretanto ninguém foi preso. Em nota, a Polícia Judiciária Civil (PJC), informou que a investigação do desaparecimento segue com a análise de todas as informações coletadas pela equipe da delegacia do município e a apuração é sigilosa.

“As investigações receberam o apoio do Núcleo de Pessoas Desaparecidas, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa de Cuiabá. Buscas em diversos locais foram realizadas com apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Ciopaer, mas não foram encontradas no local pistas do paradeiro de Mari. Imagens do circuito de câmeras foram analisadas e testemunhas relacionadas à vítima ouvidas na delegacia de Santo Antônio de Leverger”, completou a nota.

Assim como a patroa de Mari, a notícia do desaparecimento da travesti pegou, a comerciante Rosimer José Souza, de 50 anos, de surpresa. No primeiro momento, Rosi, não acreditou e logo mandou uma mensagem para Duda em busca de saber a verdade sobre o que tinha acontecido com a travesti.

A comerciante lembrou que conheceu Mari logo que ela pisou em Santo Antônio de Leverger quando deixou o Nordeste. Além de simpática, Rosi, lembrou que a travesti era uma ótima cozinheira e que sempre que podia fazia questão de comer os quitutes preparados por Mari. “Ela chegou na cidade para trabalhar com uma amiga minha. Aí um certo dia, essa minha amiga levou a Mari no meu comércio para eu conhece-la. A partir daí quando ela passava no meu estabelecimento nós conversávamos”.

A comerciante disse que admirava a vontade de vencer da travesti. “Ela tinha três empregos e não cuidava da vida de ninguém. Mari só trabalhava. Por isso, estou na luta com os outros moradores para ter respostas do que aconteceu com ela. Cadê a Mari? Uma pessoa que veio de tão longe para vencer na vida não pode desaparecer, em uma cidade de 20 mil habitantes”, ressaltou.

Duda acha que tudo que aconteceu com Mari foi motivado pela maldade. “Ela para mim é uma irmã, amiga, uma pessoa com quem eu queria estar sempre. Eu sinto muito a falta dela, porque foram muito tempo juntas. Ela não merecia passar por isso”.

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