Cuiabá, segunda-feira, 25/01/2021
22:52:25
informe o texto

Notícias / Geral

24/11/2020 às 14:32

China lança missão ambiciosa para trazer rochas lunares à Terra

Leiagora

China lança missão ambiciosa para trazer rochas lunares à Terra

Foto: Reprodução

A China lançou uma missão ambiciosa para trazer material da superfície da lua pela primeira vez em mais de 40 anos - um empreendimento que poderia aumentar a compreensão humana sobre as origens da Lua e do sistema solar em geral. Uma sonda espacial, a Chang'e 5, decolou na madrugada de terça-feira, 24, na China (tarde de segunda-feira, 23, no Brasil) para coletar rochas e outras amostras da Lua e transportá-las à Terra.

O lançamento da espaçonave ocorreu na base espacial de Wenchang, na ilha tropical chinesa de Hainan, às 4h30 de terça (horário chinês), quando o foguete Longa Marcha-5 que transporta a sonda saiu da plataforma.

Nome em homenagem à antiga deusa chinesa da Lua, a Chang'e 5 pesa oito toneladas e é composta de quatro módulos, que se encarregarão respectivamente da órbita em torno ao satélite, da alunissagem, da decolagem lunar e do retorno à Terra.

A viagem é outro marco na ascensão lenta, mas constante da potência asiática até as estrelas. A China se tornou o terceiro país a colocar uma pessoa em órbita há 17 anos e o primeiro a pousar no outro lado do Lua em 2019. As ambições futuras incluem uma estação espacial permanente e colocar novamente pessoas na Lua mais de 50 anos depois que o feito foi realizado pelos Estados Unidos.

"A China estabelecerá suas metas de desenvolvimento na indústria espacial com base em suas próprias considerações de ciência e tecnologia de engenharia", disse Pei Zhaoyu, vice-diretor do Centro de Exploração Lunar e Engenharia Espacial da Administração Espacial Nacional da China, pouco antes do lançamento.

Missão

"Não colocamos rivais ao definir essas metas", disse Pei. A China tem um plano nacional com o objetivo de se juntar aos Estados Unidos, à Europa e ao Japão nas primeiras posições dos produtores de tecnologia, e o programa espacial tem sido um componente importante disso. Também é uma fonte de orgulho nacional para levantar a reputação do Partido Comunista no poder.

O que está claro é que a abordagem cautelosa e progressiva da China tem obtido sucesso após sucesso desde que colocou uma pessoa no espaço pela primeira vez em 2003, juntando-se à ex-União Soviética e aos Estados Unidos. Isso foi seguido por mais missões tripuladas, o lançamento de um laboratório espacial, a colocação de um rover no lado distante relativamente inexplorado da Lua e, este ano, uma operação para pousar em Marte.

Se a missão for concluída conforme planejada, a China será o terceiro país a obter amostras lunares, juntando-se aos Estados Unidos e à União Soviética em missões realizadas nas décadas de 1960 e 1970.

A principal tarefa da missão é perfurar 2 metros na superfície da Lua e recolher cerca de 2 quilos de rochas e outros detritos. "Esta é a primeira missão não tripulada de coleta de amostras e retorno da Lua", afirmou Zhaoyu, em declarações feitas à televisão estatal chinesa. "Este trabalho é mais complicado do que pegar à mão amostras do solo lunar."

Conforme o jornal espanhol El País, se a missão for bem-sucedida, o módulo de alunissagem chegará a um ponto até agora inexplorado do lado mais próximo da Lua, nas proximidades do monte Rümker, uma área vulcânica a 1.300 metros de altitude na região conhecida como Oceanus Procellarum (Oceano das Tempestades), uma vasta planície de lava escura visível da Terra. A operação durará um dia lunar, equivalente a duas semanas terrestres; não pode se prolongar já que o frio da noite no satélite, com temperaturas que chegam a 170°C abaixo de zero, pode afetar o funcionamento dos delicados mecanismos do artefato espacial. O módulo de regresso armazenará as amostras. A sonda está programada para aterrissar na Terra no começo de dezembro em um ponto da província chinesa da Mongólia Interior.

"Bem-sucedida, a missão seria um feito impressionante para qualquer nação", disse o especialista da Flórida Stephen Clark, na publicação Spaceflight Now. No twitter, foi publicado vídeo do momento da decolagem da missão.

A China se orgulha de chegar a este ponto em grande parte por meio de seus próprios esforços, embora a Rússia tenha ajudado desde o início com o treinamento de astronautas e a cápsula espacial Shenzhou da China seja baseada na russa Soyuz. Embora tenha havido colaboração com algumas outras nações, notadamente aquelas pertencentes à Agência Espacial Europeia, que forneceram suporte de rastreamento para missões chinesas, os Estados Unidos não são um deles.

A lei dos EUA exige a aprovação do Congresso para cooperação entre a Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) e o programa militar da China. Disputas políticas e econômicas em andamento, notadamente acusações de que a China rouba ou força a transferência de segredos comerciais confidenciais, parecem diminuir as perspectivas de laços mais estreitos. O programa espacial da China às vezes foi visto como uma recriação de conquistas anteriores alcançadas principalmente por EUA e ex-União Soviética.

A missão, que estava prevista para 2017, precisou ser adiada por uma falha no foguete Longa Marcha. Desta vez, os especialistas acreditam que o material obtido ajudará a esclarecer como a Lua evoluiu.

Ainda segundo o El País, até agora se acreditava que a atividade vulcânica do satélite acabou há 3,5 bilhões de anos, ainda que algumas observações mais recentes da superfície lunar indiquem que talvez o núcleo do satélite tenha se mantido ativo até somente um ou dois bilhões de anos. A China investiu bilhões de euros no desenvolvimento de seu programa espacial, que considera um dos pilares de seu plano para se transformar em uma grande potência econômica e diplomática nas próximas décadas. Desde que enviou em 2003 seu primeiro astronauta ao espaço, se propôs a levar uma missão tripulada à Lua na próxima década e espera montar uma estação espacial até 2022. O sucesso da Chang'e 5 também pode abrir o caminho a futuras explorações semelhantes de ida e volta a planetas como Marte.

Questionado sobre quando a China planeja colocar astronautas na Lua, Pei disse que qualquer decisão seria baseada nas necessidades científicas, bem como nas condições técnicas e econômicas. "Eu acho que as futuras atividades de exploração lunar devem ser realizadas por uma combinação de homem e máquina", afirmou. Segundo ele, uma meta no futuro é construir uma estação lunar internacional de pesquisa que possa fornecer suporte de longo prazo para atividades de exploração científica na superfície lunar.

Passagem do foguete pelo céu é registrada no País

Internautas relataram ainda na segunda-feira nas redes sociais a passagem da Chang'e 5 pelo céu no Brasil. O registro foi feito principalmente por moradores de cidades da Bahia, Ceará e Piauí, que se surpreenderam com a 'nuvem brilhante' como alguns chamaram o foguete. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Em parceria com Engaje Sitevip Internet