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11/04/2022 às 14:20

Coordenador da Funai e dois policiais viram réus por arrendamento de terra indígena

Denise Soares

A Justiça Federal de Mato Grosso recebeu a denúncia contra três pessoas alvos da Operação Res Capta, realizada no dia 17 de março pela Polícia Federal. A PF descobriu que a Terra Indígena Marãiwatsédé estava sendo arrendada para pecuaristas.
 
Todo esquema tinha aval do cacique da reserva indígena, que tirava lucro da exploração.
 
Se tornaram réus: Jussielson Gonçalves Silva (coordenador da Fundação Nacional do Índio -Funai), Gerard Maxmiliano Rodrigues de Souza (sargento da Polícia Militar), e Enoque Bento de Souza (ex-policial militar do Amazonas). Os três estão presos.
 
O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que eles irão responder pelos crimes de integrar milícia privada, sequestro qualificado, abuso de autoridade, peculato, favorecimento pessoal, usurpação de função pública na forma qualificada, porte ilegal de arma de fogo e estelionato.
 
Gerard e Enoque tinham total acesso a Funai, inclusive as chaves da sede, mesmo não sendo servidores do órgão.


 
Armados e fardados, eles participavam de reuniões, faziam diligências em terras indígenas, recebiam representantes de outros órgãos.
 
Ambos tinham à disposição, para uso ilimitado, carros oficiais abastecidos com recursos da Funai. Os veículos foram entregues por Jussielson.
 
A operação
 
O coordenador e o cacique Damião Paridzané, líder da comunidade xavante, alvo da operação, cobrava dinheiro para permitir que fazendeiros explorassem a terra indígena com a criação de gado.
 
Em um vídeo obtido pela PF, Jussielson diz que ‘pode afirmar que Marãiwatsédé tem uma renda de R$ 899 mil por mês que é depositada até o dia 15’.
 
Com cerca de 165 mil hectares, a terra indígena Marãiwatsédé está localizada no município de Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia, na região Noroeste de Mato Grosso.
 
O esquema foi descoberto no final de 2021 com uma denúncia anônima de que servidores da Funai estariam cobrando propina de grandes fazendeiros para permitir arrendamento na terra indígena.
 
O dinheiro dos pecuaristas ia para as mãos do cacique, do coordenador e outros servidores.
 
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